domingo, 12 de julho de 2009

Selo ou não sê-lo... (2)



Após a ausência já retorno agraciada. O Filipe me conferiu o SELO FRIENDS que segue com essa definição: "Esses blogs são extremamente charmosos, seus blogueiros têm o objetivo de serem amigos, e não estão interessados em se autopromover. Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas".
A regra: entregue esse troféu para oito blogs que devem escolher mais oito blogs e incluir esse texto junto com seu troféu.


Segundo ele, com uma frase digo o que os tratados não expressam. Pura gentileza! Gentileza inesperada que me deixa lisonjeada.
Diante do exposto, desta vez seguirei a regra (ao menos em parte) e indico alguns dos blogs que costumo acompanhar:

1. Devolvo ao Filipe, que combina a beleza das suas palavras com o apurado gosto para as palavras de outros;

2. Nuno, protestante que sabe o que protesta;
3. Lou, que promoveu a gruta (agora caverna), mas continua falando de coisas sérias com uma jocosidade que só ele possui;
4. Gomes, construtor de frases que ficam e de pontes que alcançam meus abismos;
5. Reinaldo, ranzinzice que cativa. Palavras contidas - segundo ele, de brontossauro - mas profundas;
6. Jo, eloquente na concisão.

sábado, 11 de julho de 2009

Dia de visitas

Hoje aproveitei para visitar todos os blogs elencados ao lado. Doses de alimentos anímicos formadas de histórias e experiências. Leitura que sigo recomendando.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

De quando em quando


Não tenho o encargo de escrever aqui. Nem alhures. Escrevo como deixo de escrever. Escrevo e desescrevo. Neologismos de mente cansada. Não importa.
Sinto falta de ler. De escrever, nem tanto. Ler é necessário; preciso de ao menos um parágrafo por dia para me sentir viva. Escrever não me é necessário. Talvez a necessidade esteja no que faço melhor. Leio melhor que escrevo. Sou boa e assídua leitora. Escritora medíocre.

Em tempos de proliferação de blogs e em tempos que muitos se dizem escritores, reconhecer minhas deficiências me é um presente. Qualquer colecionador de ideias, hoje se diz escritor. Qualquer coleção de escritos agrupados em um livro recebe o nome de literatura. Digitadores se tornam poetas. A internet democratizou a escrita e reduziu o senso crítico da maioria.
Poetas virtuais saem de seus quartos solitários para adentrarem em nossos computadores. E forçam sua presença em nós. Querem ser lidos. Precisam disso para suprir algum vazio existencial não diagnosticado.
Mas nem tudo é ruim. Há encontros que surpreendem pelo caminho. E a seleta relação de blogs ao lado corrobora isso. Escritos que combinam beleza com inteligência. Escritores. Não apenas digitadores.
É isso. Por enquanto, visite o blog; se perca um pouco em seus labirintos. Espero que após lê-lo não prefira meu silêncio.
(Dáuvanny Costa)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Inúteis e infrutíferos

"Ninguém conseguirá tornar-se um grande homem se não tem coragem para ignorar uma infinidade de coisas inúteis".
(C. Dossi)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Diferenças e esperanças

"O ano que alvorece é sempre recebido entre palmas e beijos, ao passo que o ano que descamba na eternidade vai acompanhado de invectivas e maldições."
(Machado de Assis)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Dois mil inove

Renove.
Restaure.
Reforme.
Refaça.
Restabeleça.
Reitere.
Relembre.
Revigore.
Rejuvenesça.
Repare.
Reorganize.
Reivindique.
Reajuste.
Recupere.
Recorra.
Reconheça.
Recomece.
Prometa a si mesmo que ao menos irá tentar mudar os erros. E conseguir.
É ano que inicia. Outra chance de inovar. Em 2009.
(Dáuvanny Costa)

Hiper-ridículo

A partir de hoje começam a viger as regras da nova reforma ortográfica. Preferiria ignorar. Talvez ignore-as quanto me seja possível. Seguem:

HÍFEN
Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista";
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada";

TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados;

ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição);
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo);
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo");
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo);
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica);

ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y";

ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem";
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo";
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia";
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca";
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bene Tibi!

Habituei-me a gostar de vinhos. Sem pretensões. Não sou nem desejo ser enóloga. Preocupo-me pouco com hastes ou bordas dos copos nos quais sou servida. Basta que sejam taças e possa brindar. Respeito temperaturas - nada meticuloso, no entanto. Gosto de aromas e sabores.
Tintos, prefiro os jovens violáceos, quiçá os cerejas, não muito evoluídos. Brancos, dou preferência aos mais velhos, de matiz ouro ou ouro-acobreado. Quanto a aromas, prefiro florais.
Não sou conhecedora de vinhos. Pouco distingo os sabores das uvas dos tintos: cabernet franc, cabernet sauvignon, merlot (que não tem mesmo diferença alguma com a carmenère), cinsault, gamay, malbec ou lambrusco. Ou dos brancos: chardonnay, chenin blanc ou trebbiano. Também prefiro tintos aos brancos, respeitando as ocasiões em que não podem ser substituídos.
Celebro o vinho com todos os meus sentidos, mas degusto o vinho para celebrar a vida.
Brinde que faço hoje. À vida. E aos entusiasmados da vida.
Brindo a quem abraça causas, desbrava oceanos e celebra amizades. Brindo a quem tem paixão, faz as coisas com excelência, persevera e vibra.
Brindo a quem se mostra interessado, a quem não tem medo de arriscar, de sonhar e de viver. Brindo a quem tem coragem de assumir suas posições e erros, mas não se perde pelo caminho, prostrado e sem medo de tentar de novo.
Brindo a quem trabalha para construir uma vida melhor (nem que seja a própria), a quem estuda inconformado com a ignorância, a quem crê quando já não há motivos para tanto, a quem se alegra pelos feitos do passado, mas caminha para o futuro.
Brindo aos audaciosos, que erram porque tentam e que acertam também porque tentam. Brindo aos que acreditam que mudarão algo, senão fora, ao menos dentro de si mesmos.
Brindo aos indestrutíveis, aos esperançosos, aos humilhados. Brindo aos que se embriagam de coragem e se deslumbram com os matizes de um amanhecer dourado.
Brindo aos não-resignados, aos que gritam: “eu faço”, aos que estendem o dedo na cara feia do desânimo e gritam: “você não pode nada contra mim!”.
Brindo aos que amam. Aos que sorvem a vida lentamente em pequenos goles, degustando cada gota como um bom vinho. Brindo aos que não a engolem sofregamente enquanto se perdem em tantos outros pensamentos como se faz com o café frio do boteco.
Brindo aos que não têm medo de amar e de viver em nome desse amor. Brindo aos fortes, que mesmo em guerras não sentem vergonha de mostrar sua vulnerabilidade.
Brindo aos que sabem o que querem e lutam para que aconteça. Aconteça o que acontecer.
Brindo a mim. Esperançosa de que meu brinde também seja a ti.
Brindo ao ano que começa; desejando que seja um ano cheio de possibilidades e transbordante de realizações. A votre santé, Salute, Cheers, Salud, Tin-tin, Proost ou bene tibi; não importa em qual idioma, importa apenas que a felicidade faça morada em teu coração.
(Dáuvanny Costa)

* ‘Bene tibi!’ significa: À tua saúde.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ouvindo - Tem calma

Muitas vezes as precipitações nos precipitam ao caos. Difícil coisa é navegar de volta ao cais. Quando atingir a margem, ensinarei o caminho. Por ora, perco-me.

Capacidade de amar

"Nunca se alcançou nada de uma vez para sempre. Não nos podemos instalar no amor. O amor vive-se. Cresce, desenvolve-se, progride sempre, ou então começa a enfraquecer. Talvez devamos desconfiar de um amor encolhido, de um coração que dá sem se dar, de uma vontade que se oferece sem se entregar totalmente, de uma liberdade que se afirma, mas não se constrói plenamente.
Lealmente, diante de Deus, vejamos se o vidro dos nossos olhos, do nosso coração, da nossa vontade, da nossa liberdade, da nossa sensibilidade não estará um pouco escurecido, a ponto de não permitir que o raio do amor de Deus nos penetre inteiramente. Vidro escurecido pelas nuvens da tibieza, do pouco-mais-ou-menos, da falta de generosidade, do deixar-correr. Vidro escurecido pelas manchas, por mais pequenas que sejam, mas que acabam por empobrecer o amor, por impedir os impulsos do amor, por diminuir as capacidades de se dar verdadeiramente. De fato, amar pouco-mais-ou-menos já não é amar. (...)"
(Pe. Constant Tonnelier in Quinze dias com São João da Cruz)

Os passos

"Mas a raposa voltou à sua idéia:
- Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor ...cativa-me! - disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer." (Antoine de Saint-Exupèry in O Pequeno Príncipe)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Sim

"Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado". (Caio Fernando Abreu)

A Palavra e o Natal

Em viagem recente, minha sobrinha Giovana perguntou-me, ainda no carro, quem inventou a palavra.
Reduzi a velocidade, franzi o cenho por trás dos constantes óculos escuros e respondi de pronto: “Deus”. O Deus que disse: “Fiat lux. E houve luz” (Gênesis 1.3). O Deus que se tornou o verbo encarnado: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1.1). Deus, autor e consumador da palavra. E que apresenta a si mesmo como sendo ela.
Nutro profundo respeito pela palavra. Estudo-a, perquiro-a, sorvo-a. Desejo conhecê-la profundamente, ser-lhe íntima, desvendar-lhe os sentidos, num embate amoroso e terno que revele e renove o verbo em mim.
A palavra, para mim, tem ar sagrado. No entanto, a sacralização da palavra não está na importância que lhe dou, ELA é o sagrado.
Sou contemplativamente silenciosa. Silente quedo-me, fazendo pausa na música que há em mim. Suntuosa é a palavra para emergir sem um propósito. A própria palavra, paradoxalmente, calou-se: “E Jesus, porém, guardava silêncio” (Mateus 26.63).
Destarte, meço as palavras, peço a palavra, peso as palavras, sou de palavra; não a gasto com impropérios, com cogitações de vidas alheias, com intrigas e vilezas. A força da palavra é para ser dita não desdita, bendita não maldita, soprada não arrancada. A palavra não fere; o que fere é o invólucro que a envolve e a corrompe.
A palavra veio para os homens e eles a fizeram calar. Para comemorá-la hoje. Comemoram-na hoje com enfeites e presentes, com árvores e champanhe, com panetones e perus, com cartões e luzes. Comemoram-na fora de si mesmos, num ímpeto talvez desesperado de preencher a ausência da voz de muitas águas que se tornou inaudível.
Comemoram-na hoje, chamando-a Jesus menino, esquecendo-se, talvez, de que o menino cresceu. E foi crucificado, carregando a dor do mundo; mas a morte não pôde detê-lo e Ele retornou. Retornou para mostrar-nos o sentido real de sua vinda: Amar o próximo como a nós mesmos. E fazer bem aos que nos odeiam. Em todo o tempo.
A palavra não pode louvar e cantar em um dia apenas, enquanto permanece calada em nosso coração durante 364 dias do ano. A palavra grita em nós que Jesus Cristo é o dono da festa. É seu o Natal; o Natal é sua festa, seu nascimento, sua origem humana, a palavra trazida à vida, encarnada no Salvador. A palavra, que é Jesus Cristo homem, deve nascer em nosso coração todos os dias em que nos denominamos ‘humanos’. Palavra que emerge com propósito.
Que ela nasça hoje em ti. E em mim. Permanecendo por todos os nossos dias; e no próximo ano, quando as luzes de fora se acenderem, serão ofuscadas pelas luzes de dentro, que não mais se apagarão.
(Dáuvanny Costa)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O silêncio conselheiro

"A sabedoria humana aprende muito se aprender a calar-se".
(Jacques Bossuet)

Exercício à paciência

"Um homem inteligente é por vezes forçado a embebedar-se ou a isolar-se, para conseguir aguentar os idiotas com que se vai cruzando todos os dias". 
(Ernest Hemingway)

sábado, 22 de novembro de 2008

O que eu sigo

"Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo." (Caio Fernando Abreu)

Amanhecer é preciso

Anoiteceu e estou constantemente amanhecendo.
(Dáuvanny Costa)

Sobre Coisas Importantes

Não se engane.
O importante na vida não é seu trabalho, quanto ganha ou quantos títulos conquistou. O importante na vida não é o carro que dirige ou as roupas que veste. O importante na vida não é a casa em que mora ou quantas pessoas aparecem quando você convida para uma festa.
O importante na vida são seus sonhos e o que você está fazendo para alcançá-los;
O importante na vida são as pessoas que aparecem quando você adoece ou perde alguém;
O importante na vida são as pessoas que você ama e qual o grau de amor que sente; se é amor de sacrifícios ou simplesmente uma breve, ainda que forte, chuva de verão;
O importante na vida é você ter consciência de que não somos nada sem Alguém maior;
O importante na vida é quantas vezes você se ergue depois de uma queda; porque as quedas são muitas e inevitáveis; a vida é feita delas, mas cada vez que se levanta se torna mais forte;
O importante na vida é, mesmo com o coração em pedaços, ser capaz de se levantar todas as manhãs e enfrentar cada dia como um desafio;
O importante na vida é como você está utilizando seu tempo; se em algo útil, para enriquecimento cultural e amadurecimento do espírito, ou em conversas fúteis e profanas;
O importante na vida é quantas pessoas você faz sorrir e quantas têm feito chorar;
O importante na vida é quantas vezes você agradece, pede desculpas e perdoa. E se você não estiver perdoando quatrocentos e noventa vezes por dia, comece a exercitar;
O importante na vida é querer muito estar com alguém e tornar a vida desse alguém melhor;
O importante na vida é esperar grandes coisas de Deus e empreender grandes coisas para Deus;
O importante na vida é amar incondicionalmente, não a humanidade inteira, porque isso é fácil, mas amar individualmente, conhecendo as dores particulares de cada um;
O importante na vida é dar a devida honra e o devido valor a quem for merecedor;
O importante na vida é ser você mesmo, com suas fraquezas e manchas, sabendo que é valoroso;
O importante na vida é ser bom, mas não perfeito;
O importante na vida é fazer diferença na vida de alguém, nem que seja na sua.
O importante na vida é agradecer. 
O importante na vida é amar e ser amado. Nada mais.
(Dáuvanny Costa)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Às compras

Lula e Serra marcaram reunião hoje à tarde em Brasília para oficializar a compra da paulista Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. No troco, a renovação das concessões que permitem a privatização da CESP. E os interesses do povo, pergunta o leitor amigo? Ah, deixa isso pra lá. Conversa mais boba...
(Do Site Migalhas)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Atiradores de pedras

Uma antiga e sábia oração dos índios Sioux roga a Deus o auxílio para nunca julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias. Todavia, alguns são mestres em atirar pedras. Sem constrangimento ferem quem os tenha desagradado.
Os atiradores de pedras possuem em comum o sentimento de superioridade. Julgam-se superiores aos demais. Providos de fundas psicológicas e psicóticas, julgam-se investidos da solene missão de consertar a humanidade. Consertar para que sejam como eles, registre-se. Errados são todos os que pensam, agem e sentem de modo diverso.
Os atiradores de pedras, por acharem que possuem condições privilegiadas, tais como dinheiro, status ou poder, sentem-se no direito, que para eles representa quase que um sacerdócio, de invadir o âmago de outrem a fim de resgatá-los da lama de serem eles mesmos. Para esses campeões de atiradeiras, o que importa é depreciar, menoscabar, usar os supostos erros de outrem para mostrarem o quanto são mais sábios e melhores - ainda que eles sejam os únicos com essa opinião sobre si mesmos.
Um ser humano que ofende a dignidade de outrem por se sentir superior não passa de um ladrão. Analogia que empresto de Khaled Housseini in O caçador de Pipas. Um ladrão invade e pilha porque se acha tão merecedor quanto aquele que adquiriu o bem pela honra de seu trabalho. Na verdade, se acha mais merecedor que o trabalhador. Julga-se no direito de não necessitar trabalhar para adquirir o bem. Ele, por se achar melhor que o contribuinte, promove um julgamento em que se torna juiz e júri para condenar sua vítima. Sem direito à defesa.
Os atiradores de pedras se esquecem de que nossa estrutura é pó e temos o mesmo Artífice.
Ataques verbais não constituem crime ou contravenção, não deixam marcas visíveis, não produzem escoriações, equimoses ou hematomas. Todos os fragmentos caem para dentro.
Os atiradores de pedras descobrem sempre novas maneiras de fazer doer velhas feridas. Usam pedras esculpidas pela língua, extraindo matéria-prima de ressentimentos não curados, de frustrações mal resolvidas, de amarguras desenvolvidas ao longo dos anos e carinhosamente afagadas por sua bílis.
Decerto cometemos erros. Todos nós. Os melhores de nós. Ninguém é imune a eles. Cometemos erros diferentes, mas não há quem deixe de cometê-los. Analisando por esse prisma, somos iguais. Todos errantes e desastrados. Todavia, com muito maior razão, somos diferentes. Augusto Duque observou: "Nenhum homem, se pensasse no que é necessário para julgar outro homem, aceitaria ser juiz". O julgamento não é uma prerrogativa nossa, por motivos básicos e relevantes:
a) ninguém nos constituiu algozes de nossos semelhantes, sobretudo pelas razões que não temos;
b) cada vez que apontamos um dedo a alguém há cinco dedos apontados para nós – no mínimo;
c) apenas quando conhecemos o íntimo de alguém podemos julgá-lo, mas quando nos doamos a esse ponto extremo, não desejamos mais julgar ninguém;
d) por fim, uma análise verdadeira de nós mesmos e de nossas razões nos retira toda a autoridade para nos sentirmos salvadores de quem quer que seja.
Quando tentados a julgar o comportamento alheio deveríamos refletir acerca de nosso próprio comportamento. Julgar é sempre proferir juízo crítico contra alguém. Julgamos de acordo com as nossas visões pessoais e com nossa justiça própria. Julgamos quando pensamos que somos emissários de princípios que apenas nós conhecemos e não discernimos sinceridade de crueldade. Já nos advertiu Jesus Cristo: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no cisco que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?” (Mateus 7.1-3). O mesmo Jesus que foi condenado à morte em um julgamento eivado de vícios, planejado e realizado por atiradores de pedras.
O homem é um ser que julga. E julga quase sempre em desfavor de outrem. Intrinsecamente, somos juízes em um tribunal invisível. Exupèry nos ensinou, pela voz frágil de sua raposa, que "o essencial é invisível aos olhos", mas poucos perdem tempo procurando o que olhos não podem ver.
(Dáuvanny Costa)

domingo, 9 de novembro de 2008

Ouvindo - Tudo bem

"Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver
Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quantos maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
Encostar no teu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem".
(Lulu Santos/Nelson Motta)

sábado, 8 de novembro de 2008

Sopa de letrinhas

Coisa difícil essa de juntar palavras para formar frases...Problema meu. Preciso juntá-las para ganhar a vida. Não me explicaram isso direito. No curso. De Direito.
Vou buscar um café...
(Dáuvanny Costa)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Escavações nas Rochas

Há alguns meses meus e-mails são filtrados. Alguns ficam no filtro do anti-spam; outros vão para a lixeira. Os que ficam na caixa de entrada são apenas os pertinentes? Nem sempre. E isso é deveras subjetivo. Todavia, na caixa de entrada, podem ser encontrados os dos familiares e amigos. O resto fatalmente encontra o caminho da lixeira. E de lá não é salvo.
Isso inclui PPS, spams, propagandas, piadas, política e cobranças. Destinatários vão para a lixeira. Assuntos também. O que não esbarra nos filtros encontra minha intolerância. Às vezes perco e-mails que não deveria perder. Um risco necessário. Alguns dos destinatários quando me encontram reclamam que não respondi aos seus e-mails. Na verdade, em alguns casos, nem mesmo os vi, mas peço, carinhosamente, para me dizerem o assunto do e-mail: "Ah! Não era nada importante", dizem. Pois bem! Se não era importante, não merecia os minutos do meu tempo.
É fácil saber de que trata o e-mail. Alguns enviam apenas PPS - Haja paciência. Alguns enviam piadas, pilhérias, tolices. Nem sempre engraçadas. Alguns reclamam da política. E continuam agindo como sempre agiram. Alguns pedem favores. Alguns reclamam favores prestados. Sei quais assuntos não quero ler. Sei a quais remetentes não quero dar atenção. Lixeira.
Essa foi a parte fácil. Filtrar as mensagens dos outros. Parti para o difícil: filtrar minhas mensagens aos outros. Comecei aos poucos. Diminuí o volume de mensagens enviadas. Passei a selecionar cada assunto: Poesia, Política, Direito, Religião, Literatura; são tantos assuntos bonitos, tantos assuntos preciosos, mas ninguém mais tem tempo para lê-los. Como eu não tenho. Avalio também as respostas. Ao receber resposta à remessa, mantenho o envio; se em duas ou três remessas, não recebo resposta, cesso o envio. E excluo o destinatário. Simples e racional.
Alguns amigos reclamam de minha ausência. Após problemas com torpedos (mensagens de texto) que enviei à minha irmã e foram parar em outra freguesia, e com outro que enviei em caráter de urgência e chegou apenas no dia seguinte (...); desisti dos celulares para envio de mensagens. O número de meu telefone agora é apenas para amigos e familiares. Isso restringe o número de respostas que devemos dar em um dia. A maioria das pessoas que nos fazem perguntas não está mesmo querendo saber. Querem apenas respostas. Verdadeiras ou não. E querer saber é diferente de querer resposta.
Isso não significa que não respondo e-mails. Respondo-os. Com prazer. Isso também não significa que eles são coisas chatas. Gosto muito de alguns e-mails que recebo. Recebo, respondo e guardo após responder. Alguns remetentes merecem atenção especial, porque também me concedem atenção especial.
Na vida também é assim. Há necessidade de uma análise criteriosa. Necessidade de mudar o comportamento se aquele não está agradando, sob risco de ir parar na lixeira. Há pessoas que insistem a vida inteira no mesmo comportamento e quando as coisas não dão certo culpam outrem. As coisas não dão certo porque se tentou sempre o mesmo. Mesmos atos, mesmos resultados.
O culpado de sua vida não ter dado certo (se é que ela não deu) não está fora de você. O culpado de sua vida não ter dado certo (se é que ela não deu) é você mesmo. Todavia, se ela não deu certo até aqui não significa que nunca dará. Todo dia é um novo dia. Dia cheio de possibilidades. Para algumas pessoas a vida não foi muito boa, mas entre morrer ou escavar nas rochas, preferiram escavar nas rochas. Escavar rochas tem conseqüências, mas quem o faz, nunca culpará outrem pelas coisas que não aconteceram, pois sabe que fez tudo o que poderia ter feito.
Escavar rochas quebra ferramentas e cria calos, mas as escavações servem para nos manter alerta.
Escavações nas rochas fortalecem os músculos e a paciência. É um processo demorado e cansativo, mas aqui, nas minhas rochas, já começo a ver a escada e a subir por ela.
Enquanto filtro os degraus.
(Dáuvanny Costa)

Quid inde?


Título: "E daí"? "Qual a consequência?"

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Yes, we can


"Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo o estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.
Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama, meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos.
Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta. Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, orar juntos, lutar juntos, para ir encarcerados juntos, defender a liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livres. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado: "Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade. E quando isto acontecer, quando nós permitirmos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal"."
(Martin Luther King in "Eu tenho um sonho")

E hoje o sino da liberdade pode ser ouvido. Parabéns, Mr. President, Barack Obama!
E hoje, quando todos os jornais do mundo noticiam a vitória de um negro ou de um afro-americano (como preferem os que defendem a tolice do politicamente correto), eu vejo apenas um homem. O novo presidente da maior potência mundial. Um homem com os mesmos ideais que temos nós.
E hoje, quando alguns se perguntam quando "um negro também governará o Brasil?", sou acusada de dissimulação e sou eu a discriminada.
E também tenho um sonho. Sonho que os fracassos de minha vida não poderão determinar quem sou e não deponham contra mim, mas a meu favor; pela certeza de que fiz tudo o que poderia para não me perder de mim.
Sonho que ninguém será acusado por insistir contra as esperanças.
Sonho que não seremos forçados a suportar quem não desejamos.
Sonho que aquele que estender a mão para ajudar não seja o mesmo que apunhala o ajudado.
Sonho que os dignos de louvor serão louvados - e não invejados.
Sonho concorrer em igualdade de condições com meus semelhantes. Em vestibulares ou concursos públicos.
Sonho em ver respeitada a Lei Maior.
Sonho em ver respeitados o direito à vida (direito maior), à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, todos declarados na Carta escrita para o povo.
Sonho em não ser discriminada. Por ser branca.
(Dáuvanny Costa)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Jus murmurandi

"Inquieto é o nosso coração, até quando repousa em Ti".
(Agostinho)

Onde dói a dor

Dói na dor.
Dói e (re)dói.
A dor tiranicamente me rouba o sono e a paz. Não é furto simples ou qualificado. É roubo. Grave ameaça à pessoa (no caso, à minha pessoa).
A dor fere meus sentidos e carcome minha consciência. Não há remédio. Luto com as lembranças, para não perdê-las. Atraco-me à elas como um náufrago agarrado aos restos de seu navio arruinado. Fujo para mim. Luto.
Ouço apenas o vazio. O vazio da presença e da esperança.
A dor se chama saudade.
(Dáuvanny Costa)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Por uma nova Reforma

"A razão por que a Reforma não é mencionada esta semana na tua igreja, cristão evangélico, é porque ao pregar Lutero as 95 teses na catedral de Wittenberg 500 anos atrás, as portas da tua congregação, 500 anos mais tarde, estremecem também.
Mas pela providência do soberano Senhor, uma nova Reforma vem a caminho (...)"
Lamentações do Nuno.

Talvez seja hora de mudar o auditório. E o púlpito.

sábado, 1 de novembro de 2008

Selo ou não sê-lo...


O Lou me conferiu a honraria do selo supra. SELO RAFEIRO. E ele mesmo explica: "Segundo o Michaelis rafeiro quer dizer: 'uma casta de cães próprios para a guarda de gado, ou o indivíduo que acompanha sempre outro, vigiando-o e defendendo-o'. De acordo com esses sentidos indico alguns amigos queridos".

Alegrei-me com a distinção. Do selo e da bem-querença, o que já me lembra querência, que é como chamam, lá no SUL, o lugar onde o gado pasta. Instinto.
O Lou lembrou que há regras para quem recebe o selo. Declino de algumas. Posto, mas não divido o pasto. Como já aludi em seu blog, costumo me manter à parte dessas conjunturas bloguistas; assim sendo, reservo-me o prazer egoísta de guardar o selo. Salvo melhor juízo.

E um país se faz com homens

Homens mal remunerados, desrespeitados e desvalorizados que continuam arriscando a vida cotidianamente pelo simples prazer de servir. E que partem. E partem o coração de quem amam. Homens com o compromisso inadiável de "proteger e servir". Homens que atendem quando lhes chamam de Policiais Militares.
(Dáuvanny Costa)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Um país se faz com homens e livros

Hoje comemoramos, nós, os que lemos, o dia Nacional do Livro. Esperançosos de que muitos se juntem a nós.
O primeiro livro editado no Brasil foi "Marília de Dirceu" de Tomás Antônio Gonzaga:
"Minha alma, que tinha
Liberta a vontade,
Agora já sente
Amor, e saudade,
Os sítios formosos,
Que já me agradaram,
Ah! Não se mudaram;
Mudaram-se os olhos,
De triste que estou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou".

A frase do título é de Monteiro Lobato.

Homem de prol

Grande é aquele que mantém a porta aberta para revisão de seus pontos de vista, sem medo de parecer inseguro e não se apega aos feitos do passado, mas luta para alcançar um futuro melhor.
(Dáuvanny Costa)

Além da beleza da toga

"Cuatro características corresponden al juez: Escuchar cortésmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente y decidir imparcialmente."
Sócrates (470 AC-399 AC)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sonhar é caminhar

"Nós crescemos através de sonhos.
Todos os grandes são sonhadores. Eles conseguem enxergar fogo em uma longa tarde de inverno. Alguns de nós deixamos grandes sonhos morrer, e outros os alimentam e protegem; os alimentam durante os dias maus, até que lhes tragam o brilho do sol e a luz, que sempre vem ao encontro daqueles que possuem a esperança sincera de que seus sonhos se tornarão realidade".
(Woodrow Wilson)

Pela esperança

"Sei que meu trabalho é apenas uma gota d’água num oceano, mas sem ele o oceano seria menor."
(Teresa de Calcutá)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O bandido e os mocinhos

Pensei em tecer várias considerações sobre o assunto.
Dizer que não é justo vilipendiar uma Polícia que é, sim, eficiente. Uma Polícia que é, sim, bem preparada, mesmo com os parcos recursos de que dispõe, mesmo com a demagogia dos discursos vazios dos políticos, mesmo com a execração pública da imprensa, mesmo com a veleidade da população seduzida pelas imagens das telinhas e mesmo com os ridículos soldos que recebem.
Pensei em dizer que não é justo atacar a reputação da Polícia quando o bandido estava lá dentro, armado e preparado para o pior. Pensei em gritar que os únicos que devem ser repelidos e condenados são os bandidos e não os homens que são [mal] pagos para nos proteger. Pensei em gritar: "Parem com isso!"
No entanto, isso é cediço. Todos sabem, apenas preferem fingir que não é assim. É mais divertido seguir a tropa (que não é a de elite), afinal, pensar é mesmo complicado quando o assunto está ali, pisado e repisado, comentado ad nauseam, quando os 'especialistas', analisando vídeos dariam outro rumo à história; quando 'especialistas', sentados em frente a equipamentos, teriam soluções melhores: "Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo", escreveu o poeta T. S. Eliot. O país enlouqueceu e nós, que tentamos fugir, parecemos os loucos.
Renunciei ao texto que escreveria. Nesse circo, somos todos súditos dos palhaços que elegemos.
(Dáuvanny Costa)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Aos sensatos

(...) "O rapaz [Lindembergue], que saiu ileso das coisas miseráveis todas que fez, é preservado também no noticiário, e sua versão está circulando nos jornais — só teria atirado depois da invasão. A ela, nota-se, dá-se uma credibilidade superior à versão da polícia. O Brasil é assim: ama os seus bandidos, os seus algozes. A imprensa, em particular, tem uma espécie de tara para santificar o crime e os criminosos.
A polícia poderia ter matado Lindembergue nas vezes em que apareceu à janela? Talvez. E não estaria sendo agora menos atacada se o tivesse feito. Mais um filme estaria em curso, é provável, com patrocínio das estatais, poetizando a bandidagem e fazendo sociologia barata sobre as origens econômicas da violência etc e tal... Já conhecemos isso tudo, não é mesmo?"
(Reinaldo Azevedo)

Recomendo os excelentes artigos: "O nome do criminoso" (de onde extraí o trecho supra) e "A tragédia de Santo André: e nós com isso?" Ambos no blog do Reinaldo. No mais, decerto o Brasil ama os seus bandidos, basta olhar para o Palácio do Planalto [...].

domingo, 19 de outubro de 2008

Uma carta de amor

"Sem ti nos meus braços, sinto um vazio na alma.
Dou por mim à procura do teu rosto no meio das multidões - sei que é impossível, mas não consigo conter-me. A minha procura por ti é uma busca interminável destinada ao fracasso (...)
(...) Desculpa, meu amor, mas não existirá nunca ninguém para te substituir. As palavras que te murmurei eram absurdas e eu devia ter percebido isso então. Tu - e só tu - tens sido sempre a única coisa que eu desejei, e agora que já aqui não estás, não tenho qualquer desejo de encontrar outra. Até que a morte nos separe, sussurramos na igreja, e eu tenho vindo a acreditar que as palavras permanecerão verdadeiras até finalmente chegar o dia em que eu, também, serei levado deste mundo."
("Uma carta de amor" de Nicholas Sparks)

Porque é hoje e porque é sempre.