domingo, 24 de fevereiro de 2008

Só resta caminhar

"O que salva é dar um passo. Mais um passo.
É sempre o mesmo passo que se recomeça".
(Saint-Exupèry in Terra dos Homens)

Em busca do Eldorado

"Garbosamente adornado,
um vistoso cavaleiro
ao brilho do sol ou à sombra;
cavalgando e cantando uma canção,
Em busca do Eldorado".
(Edgar Allan Poe in Eldorado)

E daí?

"Vão me jogar pedras. Pouco importa".
(Clarice Lispector in A via-crúcis do corpo)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Oportunidade de amar

Amo meus sobrinhos independentemente do que possam dar-me. Na verdade, nem podem me dar nada - além deles mesmos. E isso é tudo o que importa. Não os amo esperando algo deles. São crianças; alguns ainda são bebês de colo. Não há nada que possam me oferecer - além deles mesmos.
Não têm experiência de vida, não são bem-sucedidos, não são cultos, não têm grandes assuntos. Às vezes me irritam com sua "falta de tato". Eu, adulta sofisticada, que com freqüência me esqueço da criança em mim. Eu, tola.
Eles não têm nada - além deles mesmos. Oferecem-me o melhor amor que têm. E me oferecem graciosamente uma coisa que eu nunca poderia comprar: oferecem-me a oportunidade de amá-los.
Amo-os sem esperar nada em troca. Puxa! Eu nem sabia que poderia amar assim! Em uma sociedade tão preocupada com valores e status, em uma sociedade que constantemente nos acusa de amarmos por precisarmos, nos acusa de procurarmos as pessoas por interesse; amar assim soa como uma dádiva - ou uma afronta. E, amando assim, só espero não acusar esses pequenos se um dia recusarem meu amor.
(Dáuvanny Costa)

Minha Frase

Amor nunca se conjuga no passado.
(Dáuvanny Costa)

Minha Luta

DESISTIR?!... MORREREI ANTES.

sábado, 19 de janeiro de 2008

sábado, 5 de janeiro de 2008

Unindo as Mãos


Foto com o Gui (Garfel).
Desejo aos 3 leitores que visitam este Blog um ano pleno de realizações, de esperanças, paz, vitórias e muito trabalho.
Aprendamos a estender as mãos uns aos outros. Quando damos as mãos somos doadores e recebedores ao mesmo tempo. Sejam elas usadas para aplaudir, para enxugar lágrimas, para doar, para acariciar, para trabalhar e para escrever. Sejam usadas sem moderação para fazer o bem. E estejam postas.
(Dáuvanny Costa)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Amor é ônus

..."E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição" (Cl. 3.14).

Amor é ônus. Mas não notamos. Amamos porque precisamos, porque esperamos algo em troca, porque o alvo do amor é agradável à vista, porque somos amados. Amamos porque precisamos de alguém, porque não conseguimos suportar sozinhos, porque nos vemos no outro. Amamo-nos. A nós. Talvez por não sabermos amar. Talvez por sermos egocêntricos. Talvez.
Amamos. Amamos 'porque' [...]. Poucos amam 'apesar de', 'ainda que', 'embora'...
Amor é ônus; mas não queremos obrigação, queremos conforto. Amor é ônus; mas não queremos gravame, queremos deleite. Somos feridos e desistimos de amar; somos magoados e desejamos vindita. Somos melhores em desprezar que em amar.
Quero ser perdoada por aqueles a quem não tenho sabido amar. Por negligência, por intolerância, por leviandade, por indelicadeza, por sobrançaria ou por falta de tempo. Peço indulto.
Amor é ônus - e urge.
(Dáuvanny Costa)

"O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1Co.13.4-7), edição revista e corrigida.

MINHA ORAÇÃO

AMÉM!
(Dáuvanny Costa)

Meus Projetos para 2008

Não cometer os mesmos erros.
Suficiente.
(Dáuvanny Costa)

sábado, 29 de dezembro de 2007

A Capa e a Espada

Nos dias que se seguiram ao 11 de setembro, a mídia mundial fez um barulho dos diabos alertando contra a suposta onda de ódio anti-islâmico que estaria assolando os EUA. A base factual da notícia eram seiscentas e poucas queixas de “discriminação” apresentadas à polícia americana. Nenhuma delas envolvia morte, agressão, nem mesmo demissão de emprego: os atos mais violentos consistiam em insultos, a maioria em meras palavras ambíguas interpretadas ex post facto em sentido discriminatório.

Mas desde então várias dezenas de cristãos já morreram nos EUA – e alguns milhares nos países comunistas e islâmicos - em ataques homicidas motivados por ódio anticristão explícito e documentado, sem que em nenhum desses casos a grande mídia européia e americana (da nacional nem falo) consentisse sequer em usar a expressão “crime de ódio” para descrever o ocorrido.
Mutatis mutandis, nem um único caso de agressão a homossexuais comprovadamente motivada por excesso de zelo cristão foi jamais citado para dar fundamento à mentira sórdida de que as convicções religiosas do povo brasileiro estão colocando em risco a vida da comunidade gay.

Mas, exatamente como em Columbine – aquele episódio que Michael Moore falsificou por completo -, a investida assassina contra a Igreja New Life do Colorado foi obra de um jovem homossexual intoxicado de idéias anticristãs, e ai de quem ouse insinuar que a ideologia gayzista ou a campanha furibunda dos Dawkins e Hitchens contra a fé religiosa têm alguma responsabilidade nisso. Em geral, nem mesmo padres, bispos e pastores ousam ver aí alguma relação de causa e efeito.
No caso específico da New Life, o cuidado da grande mídia brasileira em impedir que os fatos induzam a conclusões reacionárias chegou ao requinte de falsificar a identidade da heroína do episódio, Jeanne Assam, apresentando-a como “agente de segurança” para atenuar o escândalo de que uma cidadã comum, com uma Beretta 92, salvasse da morte certa mais de cem pessoas ameaçadas por Mathew Murray e se tornasse assim uma heroína dos grupos de autodefesa cristã e dos americanos armados em geral. Mas Jeanne não é profissional de segurança, licenciada para portar arma na Igreja em função do seu emprego. É apenas uma fiel cristã que se ofereceu para zelar pela vida de seus irmãos, voluntariamente, gratuitamente, assumindo para isso a responsabilidade de andar armada. Se para isso teve de obter da polícia uma licença especial, foi pela simples razão de que leis criminosamente idiotas proíbem o porte de armas em igrejas, escolas, clubes, shopping centers, etc., tornando esses locais o alvo preferencial e indefeso para tipos como Mathew Murray, Cho Seung Hui ou Tim McVeigh (um anticristão, um antibranco e um anticapitalista).
No momento em que escrevo estas linhas, a comunidade cristã no mundo está ameaçada por perigos incalculavelmente maiores que a loucura avulsa – ainda que ideologicamente induzida - de um Murray ou de um Cho Seung Hui. Na Coréia do Norte, uma nova onda de prisões e execuções de fiéis, em plena época do Natal, suscita apelos desesperados que a grande mídia, especialmente no Brasil, sufoca por completo (v. Martyrdom awaits North Koreans on Christmas). Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, a prefeitura de Okkahoma anuncia que seus funcionários serão proibidos de celebrar o Natal no local de trabalho, o shopping center Pembroke Pines na Flórida veta os presépios e cenas natalinas em geral nas suas instalações, e jornais populares como “USA-Today” soltam artigo em cima de artigo para proclamar que não existe nenhuma guerra cultural anticristã, que é tudo invenção de paranóicos como Bill O'Reilly.

Não sei se Jeanne Assam está sabendo dessas coisas, nem se leu o livro de van Wyck. Mas leu decerto o Evangelho de Lucas, capítulo 22, versículo 36, onde Jesus ordena aos apóstolos: “Aquele que não tem espada, venda sua capa e compre uma.”
O sentido do versículo é claro: a defesa armada do rebanho é obrigação estrita dos pastores, dos sacerdotes e de cada fiel. Aquele que foge a essa responsabilidade é indigno da confiança da comunidade cristã. Neste momento, nenhuma outra mensagem de Natal pode ser mais oportuna.

(Olavo de Carvalho in Diário do Comércio, editorial, 21 de dezembro de 2007).
Texto integral: Olavo de Carvalho

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A Desordem da Ordem

O Exame 134 da OAB/SP foi adiado por suspeita de fraude.
Quer me parecer que o assunto 'fraude' esteja se tornando normal no Estado Democrático de Direito.

Mais:
1) Cespe - Agente Penitenciário
2) Concursos sob suspeita
3) MPF/DF oferece denúncia contra esquema

Confiar?!... Para quê?...
Acerca do Exame da Ordem, o D'Urso acha que trocar organizadores é a solução. Talvez não se deu conta de que é hora de mudar conceitos e VALORES. Punição deve ser dirigida às Faculdades que fingem que ensinam e às Fundações que fraudam o Processo Seletivo e não aos examinandos - a parte mais fraca e mais fácil de ser prejudicada.
(Dáuvanny Costa)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O Anjo do Natal

É noite de festa.
Sua família está reunida - e eu, distante da minha.
Está abrigado junto à árvore - e eu, nas rondas.
Está abrindo presentes - e eu, municiando armas.
Está vestido pela roupa nova - e eu, pela costumeira farda.
É noite de festa.
Enquanto festeja, eu zelo.
Enquanto abraça, eu atiro.
Enquanto sorri, eu sinto saudades de casa.
É noite de natal para o mundo,
dizem que o Cristo nasceu nesse dia,
Eu sei que Ele foi traído e crucificado também
e os soldados foram seus algozes.
Eu, ao contrário, sou seu protetor e servidor
e desejo, nessa noite, que o Cristo nasça em seu coração
e no momento em que soarem as horas
lembre-se de mim em sua oração.
(Dáuvanny Costa)

Breve Faciam

"Mais belo que partir é regressar".
(Onestaldo de Pennafort in Poesias)

* Como solicitado, incluo: o termo latino acima significa: 'serei curto' (na exposição).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Lassidão

"Estava decidida a travar sozinha a sua batalha. Mas a situação era improlongável. Estava por um fio".
(Orígenes Lessa in A desintegração da morte)

domingo, 2 de dezembro de 2007

Filmes - O Último Samurai

"Um homem faz o que pode até seu destino se revelar".
(Tom Cruise para Ken Watanabe in 'O último Samurai')

sábado, 1 de dezembro de 2007

Para não perder a esperança

Cinzas são transformadas em áscuas e as sementes da esperança rebrotam.
É o doce sabor de uma vitória. Ainda que modesta. Modesta, mas minha, e hoje faz com que eu veja, com olhos de ver, o horizonte.
Posso descansar e sonhar. Ainda que seja somente até o próximo amanhecer.
(Dáuvanny Costa)

Ouvindo - Da Próxima Vez

"As ruas da minha cidade
Abriram os olhos de encanto
Para te ver passar
As pedras calaram os passos
E as casas abriram janelas
Só para te ouvir cantar
Porque há muito, muito tempo
Não vinhas ao teu lugar
Ninguém sabia ao certo
Onde te procurar
Da próxima vez
Não vás
Sem deixar destino ou direção
Se houver próxima vez
Não esqueças
Leva contigo recordação
E um beijo pendurado
Ao peito do teu coração.
Quisemos saber como estavas
Se a vida tinha tomado
Bem conta de ti
Ou se a vida teve medo
E eras tu que a levava
Refugiada em ti
Cada verão que passava
Sentiamos-te chegar
Como era possível que o sol
Se atrevesse a brilhar
Deves trazer tantas histórias
Tantas que algumas ficaram
Caídas por aí
Outras eu tenho a certeza
O teu fogo na alma queimou
Deixaram de existir
Só queremos saber se és a mesma
Que vimos partir
Não existe mundo lá fora
Que te possa destruir". (Luís Represas)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

DEFICI CONSILIO

Recentes absurdos jurídicos - e morais, ocorridos no Estado do Pará, têm sido assunto na Imprensa.

O absurdo 1: O fato é absurdo. Indiscutivelmente se trata de um acinte à Constituição da República, conquanto suas violações há muito não sejam originais.
As disparidades do sistema prisional no país demonstram seus rumos falenciais e, apesar da habitualidade, ainda me deixam sobressaltada. Isso, entretanto, não serve de escusa. O Estado errou. Severamente.
O absurdo 2: Humanistas e OAB/PA buscam meios de sanar o problema propondo 'prisão domiciliar' às senhoras que se deixarem apanhar em alguma infração.
Minha ignorância explode em questões:
1) Quem, efetivamente, é a vítima?
2) Onde são aplicados os esmagadores impostos que não fabricam prisões?
3) Um erro justifica outro?
4) Quem está sendo punido?

O Estado errou. O que não é novidade. Os envolvidos devem ser afastados e os prejudicados, indenizados. O fato é que os culpados são sempre os contribuintes; os mesmos lesados contribuintes que insistem em ser decentes. Somos força inútil.
Não sou insensível - ainda que a vida me tenha anestesiado a sensibilidade. Lamento profundamente pelo fato e pelo sofrimento da envolvida, mas lamento ainda mais pelos que choram sozinhos suas perdas e injúrias.
O desfecho:
"Porventura, meu Deus, estarei louco?"
(Augusto dos Anjos in Poema Negro e eu também)
(Dáuvanny Costa)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O Problema


"Na segunda-feira da semana que findou, acordei cedo, pouco depois das galinhas, e dei-me ao gosto de propor a mim mesmo um problema." (Machado de Assis, A semana, I)

domingo, 25 de novembro de 2007

Os amigos que risco

Um amigo, em referência à uma de minhas 'postagens', escreveu:
"Não consigo riscá-los [livros], nem rabiscá-los. Não consigo escrever neles. Muito mais do que meus amigos, são meus mestres, meus superiores.
Não consigo."Com a devida autorização publico seu comentário e minha resposta:

Também me era custoso - até o 2º Ano da 2ª Faculdade. Os motivos eram diversos (incluindo, na maioria das vezes, serem eles emprestados das Bibliotecas). Não conseguia. Eram meus superiores.
No entanto, volto e revolto aos livros e, nessas vezes, perdia longo tempo para achar a página ou a frase que me desassossegava ou me era necessária. Também descobri, nessas voltas e revoltas, que podia discutir com eles e a melhor forma de fazer isso era (sim!) neles. Capazes de me conter.
Não faço orelhas - isso é inadmissível! -, mas suas páginas estão repletas de papéis abarrotados de notas. Papéis, todavia, se perdem, são retirados ou mudados de lugar. Quando eu me canso de pensar daquela forma, impudentemente os retiro, mas meus marca-textos são implacáveis. Impedem-me de esquecer as opiniões de ontem. De quem eu era. Do que eu pensava. Comecei acanhadamente essa minha contravenção. Sublinhas frugais - e a lápis. Aqui e ali. Descompromissadamente. Descompromisso que se tornou sério. Patente. Urgente.
Eu estou lá. Em cada rabisco, em cada anotação, em cada sublinha. Sou eu e meus eus.
Não conseguia. Eram meus superiores. E os superiores se tornaram mestres. E os mestres, amigos. E os amigos conhecem nosso coração. Os melhores.
Simples assim.
(Dáuvanny Costa)

Versos Íntimos

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"
(Augusto dos Anjos, in "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", organizado por Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001).
Grifos meus.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Livros - Sonhos Despedaçados

Os livros se apertam nas estantes. Deito meus olhos sobre eles e confesso que com alguns eu apenas flerto. Manuseio-os fortuitamente. Esses aguardam meu contato.
De outros, sou íntima; não os faço esperar. Leio e releio. Sublinho e rabisco. Alguns me atraem, me confundem e fascinam.
Alguns são tão meus que às vezes nem posso crer que não foram concebidos por mim. Hoje escolhi um desses para fazer dele meu assunto. Sonhos Despedaçados, do Larry Crabb, é minha história. Sou eu pintada por outras cores, grafada por outras linhas... Sou eu e os fragmentos de meus sonhos - e de minha alma.
Quando os sonhos se frustram, poucas coisas nos dão prazer na vida e as únicas opções parecem ser negar e manter as aparências. Fugir e fingir. Alguém pode nos acusar de dissimulação. Que nos acusem - é um fato. Volto a ele em outro texto. Hoje escrevo sobre 'Sonhos Despedaçados'.
Crabb não tenta explicar; apenas sensivelmente nos guia por um caminho de esperança. Como lhe é peculiar, foge dos chavões e das respostas simplistas para demonstrar que há algo além do que nossos olhos alcançam - ou não alcançam. A dor é sempre uma experiência solitária. Amigos podem nos oferecer ombros, ouvidos, dinheiro, tempo, palavras, livros ou uma xícara de café. Podem ficar conosco, nos dar carona, segurar-nos as mãos e até se despojar de tudo para tentar alegrar-nos. Amigos, todavia, não conhecem as nossas dores mais profundas e aterradoras. Conhecem, apenas, o que permitimos. Sequer sonham com os horrores que nos habitam as almas. Horrores esses que nos fazem desesperados e desiludidos com Deus.
Crabb não recita mantras bíblicos para fazer com que nossa superfície se sinta melhor. Ele nos confronta com a realidade do Evangelho. Puro e simples.
Não é, certamente, leitura recomendada para quem não tem sonhos despedaçados; para quem não experimentou fracassos na caminhada; para quem não aspirou a morte, impudente ou furtivamente. Não é leitura recomendada para os que não caem porque nunca subiram o suficiente para cair.
É um livro para sedentos. Para quem anseia por ter um relacionamento com Deus que exceda a todos os demais, por comunhão com outros e por transformação de vida. O livro não proporciona isso, mas abre as portas para que o entendimento de nossas reais necessidades possa se revelar em nós e por meio de nós. Independentemente das circunstâncias que sujeitam as nossas vidas. "Até descobrirmos o quão perto chegamos de desistir de Deus (...), não saberemos muito bem o que significa nos entregarmos inteiramente a ele" (Larry Crabb). Tenho livros esperando para sentirem meus dedos, para me olharem enquanto desvendo seus segredos e para conquistarem minha devoção. Talvez esperem um pouco mais; minhas releituras do Crabb são mais urgentes. O livro nasceu em mim e agora se confunde comigo. Leio e recomendo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Lágrimas Ocultas

"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"
(Florbela Espanca)

Por que me feres com tua ausência?

"Onde te escondeste, amado,
e me deixaste a gemer?
Como um cervo fugiste tendo me ferido;
saí à tua procura e havias partido".
(São João da Cruz)

Leio e recomendo

Desabilitei os comentários. Tive um motivo razoável para fazê-lo. Quero ler meus amigos. Não duas ou três linhas de seus pensamentos. Quero ler seus corações. Visito suas páginas; leio seus e-mails; ouço-os; escrevo para eles - sempre que posso. Aos que querem comentar (ou criticar) alguma postagem, recomendo o e-mail. Lerei. Aprenderei.
Quero lê-los. E leio. Leio suas alegrias e aflições. O que estão ouvindo e lendo. O que estão pensando. O que estão amando. Leio seus olhos. Recuso-me somente a ler duas palavras apressadas deixadas sob a caneca de café.
Quando os visito, algumas vezes comento, leio os comentários e não deixo de apreciar; mas gosto ainda mais de visitá-los furtivamente. Sem vestígios de minha presença. E sair guardando suas palavras em meu coração.
As referências ao lado são lugares que freqüentemente visito na Internet. Cataloguei o que mais me agrada. Leio e recomendo.
(Dáuvanny Costa)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Desejo paz

"Feliz aquele que não insiste em ter razão, porque ninguém tem ou todos têm.
Feliz aquele que perdoa aos outros e aquele que perdoa a si mesmo.
Bem aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.
Que a luz de uma lâmpada se acenda, embora nenhum homem a veja. Deus a verá.
Não odeies teu inimigo, porque, se o fazes, és de algum modo seu escravo.
Teu ódio nunca será melhor que tua paz".
(Jorge Luis Borges in Fragmentos de um Evangelho Apócrifo)

Agora

sábado, 3 de novembro de 2007

Mãos Pequenas



Não conheço o Calebe. Nunca falamo-nos. Todavia, conheço sua mãe (Alessandra Motta), e sei, por meio dela, que ele é um menino adorável. O Calebe mal completou oito anos, mas tem algo diferente das crianças de sua idade: O Calebe é um servo. É entregue. É desses que correm para os braços de Jesus e Ele diz: “Deixai-o vir a Mim”.
Alê me mostrou fotos lindas do batismo do Calebe. Desceu às águas. Novidade de vida. Ele nem tinha 'velhidade' de vida, você dirá. Sim, você terá razão. Oito anos não é muito – para mim, ainda é um bebê (considero assim os meus sobrinhos). Você dirá que crianças não sabem de quase nada. Alguns dirão que crianças não sabem de nada. E que não podem crer - mas dessa vez você não terá razão. Quase posso ver Jesus no meio dos doutores; fecho os olhos e eis Paulo aos pés de Gamaliel.
Crianças sabem sim. Sabem muito. Sabem tanto que sabem a quem amar. Quase sempre. Deve ser por isso que Jesus nos aconselhou a sermos como elas. Ele disse que delas é Seu Reino.
Receio, admito (e a Alê também), por sua pouca idade, mas vou transcrever o que disse à ela: "Deus nos quer como crianças. Quer nossa dependência e nossa entrega. Ele geralmente nos resgata do mundo, cura nossos corações corrompidos e nos torna crianças outra vez. Há momentos, no entanto, em que Ele já as busca enquanto crianças. Há espaços onde apenas mãos pequenas podem alcançar. Há obras para as quais Ele precisa de mãos pequenas. Há orações que só podem brotar desses pequenos corações".
É assim que desejo segui-lO. Quero confiar. Quero depender. Não quero fugir na primeira dificuldade e tentar resolver as coisas do meu jeito – como quase sempre tenho feito. Não! Quero chamar meu PAI para resolver. Quero ser como uma criança. Não daquelas mimadas que só desejam coisas, mas daquelas que sabem que não precisam trabalhar porque seus pais, ou um deles, lhes providencia o sustento.
Oro pelo Calebe. E pela Gi, pelo Gui, pela Dudinha, pela Mi, pela Manu. E por mim... para não cometer, para sempre, os mesmos erros.
(Dáuvanny Costa)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Ouvindo - Eu vou Seguir

"Eu sei que os sonhos são pra sempre
Eu sei aqui no coração
Eu vou ser mais do que eu sou
Para cumprir as promessas que eu fiz
Porque eu sei que é assim
Que os meus sonhos dependem de mim
Eu vou tentar
Sempre
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez
Eu vou seguir
Não sei se os dias são pra sempre
Guardei você no coração
Eu vou correndo atrás
Aprendi que nunca é demais
Vale a pena insistir
Minha guerra é encontrar minha paz
Eu vou tentar
Sempre
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez".

Marina Elali - Eu Vou Seguir (Versão de Marina Elali e Dudu Falcão)

Ressuscita-me

Não poderei me abster de comentários ao tópico anterior. Preciso fazê-lo. Não seria responsável se não o fizesse.
Todos os dias morro. Sou Lázaro. Termina o dia e termino eu. Desfaço-me em lágrimas. É o mesmo ritual. Algumas vezes, no entanto, há agravante. Agora é uma dessas vezes.
Todos os dias morro.
Ressuscito pela manhã. Obrigo-me.
Quantas vidas terei?...
(Dáuvanny Costa)

"O coração que aprende a morrer com Cristo logo conhece a bendita experiência de ressuscitar com Ele, e todas as perseguições do mundo não podem silenciar a nota aguda de alegria santa que brota na alma que se fez habitação do Espírito Santo." (A.W.Tozer)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Insuportável

Hoje não aguento mais...
ultrapassei todos os limites possíveis do suportável.
Vou ali morrer e já volto.
(Dáuvanny Costa)

domingo, 28 de outubro de 2007

Ouvindo - Sonho Impossível

"Sonhar
Mas um sonho impossível,
Lutar, quando é fácil ceder,
Vencer, o inimigo invencível,
Negar, quando a regra é vender.
Sofrer, a tortura implacável,
Romper, a incabível prisão,
Voar, no limite improvável,
Tocar o inacessível chão.
É minha lei,
é minha questão,
Virar esse mundo,
Cravar esse chão.
Não me importa saber
Se é terrível demais,
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz.
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão,
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão.
E assim, seja lá como for,
Vai ter fim a infinita aflição.
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão".
(Chico Buarque/Ruy Guerra)
Versão da música “The Quest - The impossible dream” de Joe Darion/Mitch Leigh

Escritores versus Vendedores de Livros


Dia desses, alguém, ao ver um folder de livro, perguntou-me se eu poderia, em poucas palavras, falar sobre o que havia escrito. Perguntou-me, sem rodeios, se eu poderia resumir meu livro para ele se decidir (ou não) pela compra. Pergunta, aliás, que os escritores adoram; anos escrevendo para alguém querer apreender sucintamente, para decidirem se comprar. Ah! A alma humana!...

- Pode explicar melhor?...

- Posso, mas não quero.

.
(Dáuvanny Costa)