sábado, 9 de junho de 2007

Carta de uma mãe à outra

"Hoje vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência. Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação, contam com o apoio de comissões, pastorais, órgãos e entidades de defesa de direitos humanos. Eu também sou mãe e bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu companheiro, que desempenha importante papel de amigo e conselheiro espiritual. Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo... Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila,viu? Que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem."
(Romeu Prisco)

Um comentário:

Lou Mello disse...

Quando a coisa chega nesse nível, não há justiça humana que chegue. Lendo seu bom post, ouvi uma voz, daquelas que não sabemos de onde vem, dizendo: quem dará a eles uma chance real? Lembrei de Jesus e seu perdão setenta vezes sete. Não sei qual a solução para isso e, sequer, se ela existe. Mas tenho certeza que cadeia, Febem (mesmo a nova CASA, é cadeia de menores), tortura ou morte não são o que o Mestre estava se referindo.