"Ninguém conseguirá tornar-se um grande homem se não tem coragem para ignorar uma infinidade de coisas inúteis".
(C. Dossi)
Quinta-feira, Janeiro 15, 2009
Sábado, Janeiro 03, 2009
Diferenças e esperanças
"O ano que alvorece é sempre recebido entre palmas e beijos, ao passo que o ano que descamba na eternidade vai acompanhado de invectivas e maldições."
(Machado de Assis)
(Machado de Assis)
Quinta-feira, Janeiro 01, 2009
Dois mil inove
Renove.
Restaure.
Reforme.
Refaça.
Restabeleça.
Reitere.
Relembre.
Revigore.
Rejuvenesça.
Repare.
Reorganize.
Reivindique.
Reajuste.
Recupere.
Recorra.
Reconheça.
Recomece.
Prometa a si mesmo que ao menos irá tentar mudar os erros. E conseguir.
É ano que inicia. Outra chance de inovar. Em 2009.
Restaure.
Reforme.
Refaça.
Restabeleça.
Reitere.
Relembre.
Revigore.
Rejuvenesça.
Repare.
Reorganize.
Reivindique.
Reajuste.
Recupere.
Recorra.
Reconheça.
Recomece.
Prometa a si mesmo que ao menos irá tentar mudar os erros. E conseguir.
É ano que inicia. Outra chance de inovar. Em 2009.
Hiper-ridículo
A partir de hoje começam a viger as regras da nova reforma ortográfica. Preferiria ignorar. Talvez ignore-as quanto me seja possível. Seguem:
HÍFEN
Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista";
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada";
TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados;
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição);
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo);
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo");
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo);
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica);
ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y";
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem";
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo";
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia";
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca";
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.
HÍFEN
Não se usará mais:
1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r -ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-"- como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista";
2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada";
TREMA
Deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados;
ACENTO DIFERENCIAL
Não se usará mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo parar) de "para" (preposição);
2. "péla" (flexão do verbo pelar) de "pela" (combinação da preposição com o artigo);
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo");
4. "pélo" (flexão do verbo pelar), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo);
5. "pêra" (substantivo - fruta), "péra" (substantivo arcaico - pedra) e "pera" (preposição arcaica);
ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y";
ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usará mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem";
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo" -que se tornam "enjoo" e "voo";
ACENTO AGUDO
Não se usará mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia";
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca";
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como averigúe (averiguar), apazigúe (apaziguar) e argúem (arg(ü/u)ir), passam a ser grafadas averigue, apazigue, arguem.
Quarta-feira, Dezembro 31, 2008
Bene Tibi!
Habituei-me a gostar de vinhos. Sem pretensões. Não sou nem desejo ser uma sommelier. Preocupo-me pouco com hastes ou bordas dos copos nos quais sou servida. Basta que sejam taças e possa brindar. Respeito temperaturas - nada meticuloso, no entanto. Gosto de aromas e sabores.
Tintos, prefiro os jovens violáceos, quiçá os cerejas, não muito evoluídos. Brancos, dou preferência aos mais velhos, de matiz ouro ou ouro-acobreado. Quanto a aromas, prefiro florais e balsâmicos.
Não sou conhecedora de vinhos. Pouco distingo os sabores das uvas dos tintos: cabernet franc, cabernet sauvignon, merlot (que não tem mesmo diferença alguma com a carmenère), cinsault, gamay, malbec ou lambrusco. Ou dos brancos: chardonnay, chenin blanc ou trebbiano. Também prefiro tintos aos brancos, respeitando as ocasiões em que não podem ser substituídos.
Celebro o vinho com todos os meus sentidos, mas degusto o vinho para celebrar a vida.
Brinde que faço hoje. À vida. E aos entusiasmados da vida.
Brindo a quem abraça causas, desbrava oceanos e celebra amizades. Brindo a quem tem paixão, faz as coisas com excelência, persevera e vibra.
Brindo a quem se mostra interessado, a quem não tem medo de arriscar, de sonhar e de viver. Brindo a quem tem coragem de assumir suas posições e erros, mas não se perde pelo caminho, prostrado e sem medo de tentar de novo.
Brindo a quem trabalha para construir uma vida melhor (nem que seja a própria), a quem estuda inconformado com a ignorância, a quem crê quando já não há motivos para tanto, a quem se alegra pelos feitos do passado, mas caminha para o futuro.
Brindo aos audaciosos, que erram porque tentam e que acertam também porque tentam. Brindo aos que acreditam que mudarão algo, senão fora ao menos dentro de si mesmos.
Brindo aos indestrutíveis, aos esperançosos, aos humilhados. Brindo aos que se embriagam de coragem e se deslumbram com os matizes de um amanhecer dourado.
Brindo aos não-resignados, aos que gritam: “eu faço”, aos que estendem o dedo na cara do desânimo e gritam: “você não pode contra mim”.
Brindo aos que amam. Aos que sorvem a vida lentamente em pequenos goles, degustando cada gota como um bom vinho. Brindo aos que não a engolem sofregamente enquanto se perdem em tantos outros pensamentos como se faz com o café frio do boteco.
Brindo aos que não têm medo de amar e de viver em nome desse amor. Brindo aos fortes, que mesmo em guerras não sentem vergonha de mostrar sua vulnerabilidade.
Brindo aos que sabem o que querem e lutam para que aconteça. Aconteça o que acontecer.
Brindo a mim. Esperançosa de que meu brinde também seja a ti.
Brindo ao ano que começa; desejando que seja um ano cheio de possibilidades e transbordante de realizações. A votre santé, Salute, Cheers, Salud, Tin-tin, Proost ou bene tibi; não importa em qual idioma, importa apenas que a felicidade faça morada em teu coração.
* ‘Bene tibi!’ significa: À tua saúde.
Tintos, prefiro os jovens violáceos, quiçá os cerejas, não muito evoluídos. Brancos, dou preferência aos mais velhos, de matiz ouro ou ouro-acobreado. Quanto a aromas, prefiro florais e balsâmicos.
Não sou conhecedora de vinhos. Pouco distingo os sabores das uvas dos tintos: cabernet franc, cabernet sauvignon, merlot (que não tem mesmo diferença alguma com a carmenère), cinsault, gamay, malbec ou lambrusco. Ou dos brancos: chardonnay, chenin blanc ou trebbiano. Também prefiro tintos aos brancos, respeitando as ocasiões em que não podem ser substituídos.
Celebro o vinho com todos os meus sentidos, mas degusto o vinho para celebrar a vida.
Brinde que faço hoje. À vida. E aos entusiasmados da vida.
Brindo a quem abraça causas, desbrava oceanos e celebra amizades. Brindo a quem tem paixão, faz as coisas com excelência, persevera e vibra.
Brindo a quem se mostra interessado, a quem não tem medo de arriscar, de sonhar e de viver. Brindo a quem tem coragem de assumir suas posições e erros, mas não se perde pelo caminho, prostrado e sem medo de tentar de novo.
Brindo a quem trabalha para construir uma vida melhor (nem que seja a própria), a quem estuda inconformado com a ignorância, a quem crê quando já não há motivos para tanto, a quem se alegra pelos feitos do passado, mas caminha para o futuro.
Brindo aos audaciosos, que erram porque tentam e que acertam também porque tentam. Brindo aos que acreditam que mudarão algo, senão fora ao menos dentro de si mesmos.
Brindo aos indestrutíveis, aos esperançosos, aos humilhados. Brindo aos que se embriagam de coragem e se deslumbram com os matizes de um amanhecer dourado.
Brindo aos não-resignados, aos que gritam: “eu faço”, aos que estendem o dedo na cara do desânimo e gritam: “você não pode contra mim”.
Brindo aos que amam. Aos que sorvem a vida lentamente em pequenos goles, degustando cada gota como um bom vinho. Brindo aos que não a engolem sofregamente enquanto se perdem em tantos outros pensamentos como se faz com o café frio do boteco.
Brindo aos que não têm medo de amar e de viver em nome desse amor. Brindo aos fortes, que mesmo em guerras não sentem vergonha de mostrar sua vulnerabilidade.
Brindo aos que sabem o que querem e lutam para que aconteça. Aconteça o que acontecer.
Brindo a mim. Esperançosa de que meu brinde também seja a ti.
Brindo ao ano que começa; desejando que seja um ano cheio de possibilidades e transbordante de realizações. A votre santé, Salute, Cheers, Salud, Tin-tin, Proost ou bene tibi; não importa em qual idioma, importa apenas que a felicidade faça morada em teu coração.
* ‘Bene tibi!’ significa: À tua saúde.
Segunda-feira, Dezembro 15, 2008
Ouvindo - Tem calma
Muitas vezes as precipitações nos precipitam ao caos. Difícil coisa é navegar de volta ao cais. Quando atingir a margem, ensinarei o caminho. Por ora, perco-me.
Capacidade de amar
"Nunca se alcançou nada de uma vez para sempre. Não nos podemos instalar no amor. O amor vive-se. Cresce, desenvolve-se, progride sempre, ou então começa a enfraquecer. Talvez devamos desconfiar de um amor encolhido, de um coração que dá sem se dar, de uma vontade que se oferece sem se entregar totalmente, de uma liberdade que se afirma, mas não se constrói plenamente.
Lealmente, diante de Deus, vejamos se o vidro dos nossos olhos, do nosso coração, da nossa vontade, da nossa liberdade, da nossa sensibilidade não estará um pouco escurecido, a ponto de não permitir que o raio do amor de Deus nos penetre inteiramente. Vidro escurecido pelas nuvens da tibieza, do pouco-mais-ou-menos, da falta de generosidade, do deixar-correr. Vidro escurecido pelas manchas, por mais pequenas que sejam, mas que acabam por empobrecer o amor, por impedir os impulsos do amor, por diminuir as capacidades de se dar verdadeiramente. De fato, amar pouco-mais-ou-menos já não é amar. (...)"
(Pe. Constant Tonnelier in Quinze dias com São João da Cruz)
Lealmente, diante de Deus, vejamos se o vidro dos nossos olhos, do nosso coração, da nossa vontade, da nossa liberdade, da nossa sensibilidade não estará um pouco escurecido, a ponto de não permitir que o raio do amor de Deus nos penetre inteiramente. Vidro escurecido pelas nuvens da tibieza, do pouco-mais-ou-menos, da falta de generosidade, do deixar-correr. Vidro escurecido pelas manchas, por mais pequenas que sejam, mas que acabam por empobrecer o amor, por impedir os impulsos do amor, por diminuir as capacidades de se dar verdadeiramente. De fato, amar pouco-mais-ou-menos já não é amar. (...)"
(Pe. Constant Tonnelier in Quinze dias com São João da Cruz)
Os passos
"Mas a raposa voltou à sua idéia:
- Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor ...cativa-me! - disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer."
(Antoine de Saint-Exupèry in O Pequeno Príncipe)
- Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor ...cativa-me! - disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer."
(Antoine de Saint-Exupèry in O Pequeno Príncipe)
Antes de viajar...
Ele pensa que não é amado. Nunca esteve tão enganado.
- Deixes de pensar. Melhor que pensar é viver. E amar. Viver primeiro, depois filosofar.
- Deixes de pensar. Melhor que pensar é viver. E amar. Viver primeiro, depois filosofar.
Sábado, Dezembro 13, 2008
Sim
"Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado". (Caio Fernando Abreu)
A Palavra e o Natal
Em viagem recente, minha sobrinha Giovana perguntou-me, ainda no carro, quem inventou a palavra.
Reduzi a velocidade, franzi o cenho por trás dos constantes óculos escuros e respondi de pronto: “Deus”. O Deus que disse: “Fiat lux. E houve luz” (Gênesis 1.3). O Deus que se tornou o verbo encarnado: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1.1). Deus, autor e consumador da palavra. E que apresenta a si mesmo como sendo ela.
Nutro profundo respeito pela palavra. Estudo-a, perquiro-a, sorvo-a. Desejo conhecê-la profundamente, ser-lhe íntima, desvendar-lhe os sentidos, num embate amoroso e terno que revele e renove o verbo em mim.
A palavra, para mim, tem ar sagrado. No entanto, a sacralização da palavra não está na importância que lhe dou, ELA é o sagrado.
Sou contemplativamente silenciosa. Silente quedo-me, fazendo pausa na música que há em mim. Suntuosa é a palavra para emergir sem um propósito. A própria palavra, paradoxalmente, calou-se: “E Jesus, porém, guardava silêncio” (Mateus 26.63).
Destarte, meço as palavras, peço a palavra, peso as palavras, sou de palavra; não a gasto com impropérios, com cogitações de vidas alheias, com intrigas e vilezas. A força da palavra é para ser dita não desdita, bendita não maldita, soprada não arrancada. A palavra não fere; o que fere é o invólucro que a envolve e a corrompe.
A palavra veio para os homens e eles a fizeram calar. Para comemorá-la hoje. Comemoram-na hoje com enfeites e presentes, com árvores e champanhe, com panetones e perus, com cartões e luzes. Comemoram-na fora de si mesmos, num ímpeto talvez desesperado de preencher a ausência da voz de muitas águas que se tornou inaudível.
Comemoram-na hoje, chamando-a Jesus menino, esquecendo-se, talvez, de que o menino cresceu. E foi crucificado, carregando a dor do mundo; mas a morte não pôde detê-lo e Ele retornou. Retornou para mostrar-nos o sentido real de sua vinda: Amar o próximo como a nós mesmos. E fazer bem aos que nos odeiam. Em todo o tempo.
A palavra não pode louvar e cantar em um dia apenas, enquanto permanece calada em nosso coração durante 364 dias do ano. A palavra grita em nós que Jesus Cristo é o dono da festa. É seu o Natal; o Natal é sua festa, seu nascimento, sua origem humana, a palavra trazida à vida, encarnada no Salvador. A palavra, que é Jesus Cristo homem, deve nascer em nosso coração em todos os dias em que nos denominamos ‘humanos’. Palavra que emerge com propósito.
Que ela nasça hoje em ti. E em mim. Permanecendo por todos os nossos dias; e no próximo ano, quando as luzes de fora se acenderem, serão ofuscadas pelas luzes de dentro, que não mais se apagarão.
Reduzi a velocidade, franzi o cenho por trás dos constantes óculos escuros e respondi de pronto: “Deus”. O Deus que disse: “Fiat lux. E houve luz” (Gênesis 1.3). O Deus que se tornou o verbo encarnado: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1.1). Deus, autor e consumador da palavra. E que apresenta a si mesmo como sendo ela.
Nutro profundo respeito pela palavra. Estudo-a, perquiro-a, sorvo-a. Desejo conhecê-la profundamente, ser-lhe íntima, desvendar-lhe os sentidos, num embate amoroso e terno que revele e renove o verbo em mim.
A palavra, para mim, tem ar sagrado. No entanto, a sacralização da palavra não está na importância que lhe dou, ELA é o sagrado.
Sou contemplativamente silenciosa. Silente quedo-me, fazendo pausa na música que há em mim. Suntuosa é a palavra para emergir sem um propósito. A própria palavra, paradoxalmente, calou-se: “E Jesus, porém, guardava silêncio” (Mateus 26.63).
Destarte, meço as palavras, peço a palavra, peso as palavras, sou de palavra; não a gasto com impropérios, com cogitações de vidas alheias, com intrigas e vilezas. A força da palavra é para ser dita não desdita, bendita não maldita, soprada não arrancada. A palavra não fere; o que fere é o invólucro que a envolve e a corrompe.
A palavra veio para os homens e eles a fizeram calar. Para comemorá-la hoje. Comemoram-na hoje com enfeites e presentes, com árvores e champanhe, com panetones e perus, com cartões e luzes. Comemoram-na fora de si mesmos, num ímpeto talvez desesperado de preencher a ausência da voz de muitas águas que se tornou inaudível.
Comemoram-na hoje, chamando-a Jesus menino, esquecendo-se, talvez, de que o menino cresceu. E foi crucificado, carregando a dor do mundo; mas a morte não pôde detê-lo e Ele retornou. Retornou para mostrar-nos o sentido real de sua vinda: Amar o próximo como a nós mesmos. E fazer bem aos que nos odeiam. Em todo o tempo.
A palavra não pode louvar e cantar em um dia apenas, enquanto permanece calada em nosso coração durante 364 dias do ano. A palavra grita em nós que Jesus Cristo é o dono da festa. É seu o Natal; o Natal é sua festa, seu nascimento, sua origem humana, a palavra trazida à vida, encarnada no Salvador. A palavra, que é Jesus Cristo homem, deve nascer em nosso coração em todos os dias em que nos denominamos ‘humanos’. Palavra que emerge com propósito.
Que ela nasça hoje em ti. E em mim. Permanecendo por todos os nossos dias; e no próximo ano, quando as luzes de fora se acenderem, serão ofuscadas pelas luzes de dentro, que não mais se apagarão.
Terça-feira, Dezembro 09, 2008
Sábados passados
Sábados passaram e estive ausente. Perdoem-me os dois atentos leitores deste blog. Não sejam precipitados para julgar. Precipitação denota mediocridade e fraqueza - e assim não são os dois leitores deste blog.
Não se apresse em chamar negligência a desesperança e a falta de inspiração que acomete esta que escreve. Falta de inspiração para vazar. Sufocamento enfraquecedor e agigantamento do vazio. Explicação quase científica. O perigo não passou. Ele me espreita enquanto penso.
Nos sábados de ausência, Dantès me fez companhia. Junto dele: Dale Carnegie (sim, eu li), Brennan Manning, Paulo de Tarso, Rangel Dinamarco, Venosa, Ésquilo (com seu Prometeu), Brian kolodiejchuk (livro fascinante), Shakespeare (elementar), Platão, Kierkegaard e os outros. Certamente não posso excluir as Leis 5.869/73 (com todas as suas alterações) e 10.406/02. Ambas levo para a cama.
Como se deduz: estive em boa companhia. Decepcionada, preocupada, ocupada e aflita, mas em boa companhia. Quiçá retorne sábado. Porque é sábado.
Não se apresse em chamar negligência a desesperança e a falta de inspiração que acomete esta que escreve. Falta de inspiração para vazar. Sufocamento enfraquecedor e agigantamento do vazio. Explicação quase científica. O perigo não passou. Ele me espreita enquanto penso.
Nos sábados de ausência, Dantès me fez companhia. Junto dele: Dale Carnegie (sim, eu li), Brennan Manning, Paulo de Tarso, Rangel Dinamarco, Venosa, Ésquilo (com seu Prometeu), Brian kolodiejchuk (livro fascinante), Shakespeare (elementar), Platão, Kierkegaard e os outros. Certamente não posso excluir as Leis 5.869/73 (com todas as suas alterações) e 10.406/02. Ambas levo para a cama.
Como se deduz: estive em boa companhia. Decepcionada, preocupada, ocupada e aflita, mas em boa companhia. Quiçá retorne sábado. Porque é sábado.
Reflexão 20
"Um homem inteligente é por vezes forçado a embebedar-se ou a isolar-se, para conseguir aguentar os idiotas com que se vai cruzando todos os dias". (Ernest Hemingway)
Sábado, Novembro 22, 2008
Porque ainda é sábado
"Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo." (Caio Fernando Abreu)
Sobre Coisas Importantes
Não se engane.
O importante na vida não é seu trabalho, quanto ganha ou quantos títulos conquistou. O importante na vida não é o carro que dirige ou as roupas que veste. O importante na vida não é a casa em que mora ou quantas pessoas aparecem quando você convida para uma festa.
O importante na vida são seus sonhos e o que você está fazendo para alcançá-los;
O importante na vida são as pessoas que aparecem quando você adoece ou perde alguém;
O importante na vida são as pessoas que você ama e qual o grau de amor que sente; se é amor de sacrifícios ou simplesmente uma breve, ainda que forte, chuva de verão;
O importante na vida é você ter consciência de que não somos nada sem Alguém maior;
O importante na vida é quantas vezes você se ergue depois de uma queda; porque as quedas são muitas e inevitáveis; a vida é feita delas, mas cada vez que se levanta se torna mais forte;
O importante na vida é, mesmo com o coração em pedaços, ser capaz de se levantar todas as manhãs e enfrentar cada dia como um desafio;
O importante na vida é como você está utilizando seu tempo; se em algo útil, para enriquecimento cultural e amadurecimento do espírito, ou em conversas fúteis e profanas;
O importante na vida é quantas pessoas você faz sorrir e quantas têm feito chorar;
O importante na vida é quantas vezes você agradece, pede desculpas e perdoa. E se você não estiver perdoando quatrocentos e noventa vezes por dia, comece a exercitar;
O importante na vida é querer muito estar com alguém e tornar a vida desse alguém melhor;
O importante na vida é esperar grandes coisas de Deus e empreender grandes coisas para Deus;
O importante na vida é amar incondicionalmente, não a humanidade inteira, porque isso é fácil, mas amar individualmente, conhecendo as dores particulares de cada um;
O importante na vida é dar a devida honra e o devido valor a quem for merecedor;
O importante na vida é ser você mesmo, com suas fraquezas e manchas, sabendo que é valoroso;
O importante na vida é ser bom, mas não perfeito;
O importante na vida é fazer diferença na vida de alguém, nem que seja na sua.
O importante na vida é agradecer. Aproveito para agradecer aos e-mails e telefonemas carinhosos que tenho recebido e me deixam honrada em saber que alguém está prestando atenção.
O importante na vida é amar e ser amado. Nada mais.
O importante na vida não é seu trabalho, quanto ganha ou quantos títulos conquistou. O importante na vida não é o carro que dirige ou as roupas que veste. O importante na vida não é a casa em que mora ou quantas pessoas aparecem quando você convida para uma festa.
O importante na vida são seus sonhos e o que você está fazendo para alcançá-los;
O importante na vida são as pessoas que aparecem quando você adoece ou perde alguém;
O importante na vida são as pessoas que você ama e qual o grau de amor que sente; se é amor de sacrifícios ou simplesmente uma breve, ainda que forte, chuva de verão;
O importante na vida é você ter consciência de que não somos nada sem Alguém maior;
O importante na vida é quantas vezes você se ergue depois de uma queda; porque as quedas são muitas e inevitáveis; a vida é feita delas, mas cada vez que se levanta se torna mais forte;
O importante na vida é, mesmo com o coração em pedaços, ser capaz de se levantar todas as manhãs e enfrentar cada dia como um desafio;
O importante na vida é como você está utilizando seu tempo; se em algo útil, para enriquecimento cultural e amadurecimento do espírito, ou em conversas fúteis e profanas;
O importante na vida é quantas pessoas você faz sorrir e quantas têm feito chorar;
O importante na vida é quantas vezes você agradece, pede desculpas e perdoa. E se você não estiver perdoando quatrocentos e noventa vezes por dia, comece a exercitar;
O importante na vida é querer muito estar com alguém e tornar a vida desse alguém melhor;
O importante na vida é esperar grandes coisas de Deus e empreender grandes coisas para Deus;
O importante na vida é amar incondicionalmente, não a humanidade inteira, porque isso é fácil, mas amar individualmente, conhecendo as dores particulares de cada um;
O importante na vida é dar a devida honra e o devido valor a quem for merecedor;
O importante na vida é ser você mesmo, com suas fraquezas e manchas, sabendo que é valoroso;
O importante na vida é ser bom, mas não perfeito;
O importante na vida é fazer diferença na vida de alguém, nem que seja na sua.
O importante na vida é agradecer. Aproveito para agradecer aos e-mails e telefonemas carinhosos que tenho recebido e me deixam honrada em saber que alguém está prestando atenção.
O importante na vida é amar e ser amado. Nada mais.
Quarta-feira, Novembro 19, 2008
Quando estarei aqui
Este blog, doravante, por absoluta falta de tempo, será atualizado aos sábados. Salvo exceções. Para sim e para não. Para mais e para menos.
Às compras
Lula e Serra marcaram reunião hoje à tarde em Brasília para oficializar a compra da paulista Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. No troco, a renovação das concessões que permitem a privatização da CESP. E os interesses do povo, pergunta o leitor amigo ? Ah, deixa isso pra lá. Conversa mais boba...
(Do Site Migalhas)
(Do Site Migalhas)
Segunda-feira, Novembro 10, 2008
Atiradores de pedras
Uma antiga e sábia oração dos índios Sioux roga a Deus o auxílio para nunca julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias. Todavia, alguns são mestres em atirar pedras. Sem constrangimento ferem quem os tenha desagradado.
Os atiradores de pedras possuem em comum o sentimento de superioridade. Julgam-se superiores aos demais. Providos de fundas psicológicas e psicóticas, julgam-se investidos da solene missão de consertar a humanidade. Consertar para que sejam como eles, registre-se. Errados são todos os que pensam, agem e sentem de modo diverso.
Os atiradores de pedras, por acharem que possuem condições privilegiadas, tais como dinheiro, status ou poder, sentem-se no direito, que para eles representa quase que um sacerdócio, de invadirem o âmago de outrem a fim de resgatá-los da lama de serem eles mesmos. Para esses campeões de atiradeiras, o que importa é depreciar, menoscabar, usar os supostos erros de outrem para mostrarem o quanto são mais sábios e melhores - ainda que eles sejam os únicos com essa opinião sobre si mesmos.
Um ser humano que ofende a dignidade de outrem por se sentir superior não passa de um ladrão. Analogia que empresto de Khaled Housseini in O caçador de Pipas. Um ladrão invade e pilha porque se acha tão merecedor quanto aquele que adquiriu o bem pela honra de seu trabalho. Na verdade, se acha mais merecedor que o trabalhador. Julga-se no direito de não necessitar trabalhar para adquirir o bem. Ele, por se achar melhor que o contribuinte, promove um julgamento em que se torna juiz e júri para condenar sua vítima. Sem direito à defesa.
Os atiradores de pedras se esquecem de que nossa estrutura é pó e temos o mesmo Artífice.
Ataques verbais não constituem crime ou contravenção, não deixam marcas visíveis, não ficam escoriações, equimoses ou hematomas. Todos os fragmentos caem para dentro.
Os atiradores de pedras descobrem sempre novas maneiras de fazer doer velhas feridas. Usam pedras esculpidas pela língua, extraindo matéria-prima de ressentimentos não curados, de frustrações mal resolvidas, de amarguras desenvolvidas ao longo dos anos e carinhosamente afagadas por sua bílis.
Decerto cometemos erros. Todos nós. Os melhores de nós. Ninguém é imune a eles. Cometemos erros diferentes, mas não há quem deixe de cometê-los. Analisando por esse prisma, somos iguais. Todos errantes e desastrados. Todavia, com muito maior razão, somos diferentes. Augusto Duque observou: "Nenhum homem, se pensasse no que é necessário para julgar outro homem, aceitaria ser juiz". O julgamento não é uma prerrogativa nossa, por motivos básicos e relevantes:
a) ninguém nos constituiu algozes de nossos semelhantes, sobretudo pelas razões que não temos;
b) cada vez que apontamos um dedo a alguém há cinco dedos apontados para nós – no mínimo;
c) apenas quando conhecemos o íntimo de alguém podemos julgá-lo, mas quando nos doamos a esse ponto extremo não desejamos mais julgar ninguém;
d) por fim, uma análise verdadeira de nós mesmos e de nossas razões nos retira toda a autoridade para nos sentirmos salvadores de quem quer que seja.
Quando tentados a julgar o comportamento alheio deveríamos refletir acerca de nosso próprio comportamento. Julgar é sempre proferir juízo crítico contra alguém. Julgamos de acordo com as nossas visões pessoais e com nossa justiça própria. Julgamos quando pensamos que somos emissários de princípios que apenas nós conhecemos e não discernimos sinceridade de crueldade. Já nos advertiu Jesus Cristo: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no cisco que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?” (Mateus 7.1-3). O mesmo Jesus que foi condenado à morte em um julgamento eivado de vícios, planejado e realizado por atiradores de pedras.
O homem é um ser que julga. E julga quase sempre em desfavor de outrem. Intrinsecamente, somos juízes em um tribunal invisível. Exupèry nos ensinou, pela voz frágil de sua raposa, que "o essencial é invisível aos olhos", mas poucos perdem tempo procurando o que olhos não podem ver.
Os atiradores de pedras possuem em comum o sentimento de superioridade. Julgam-se superiores aos demais. Providos de fundas psicológicas e psicóticas, julgam-se investidos da solene missão de consertar a humanidade. Consertar para que sejam como eles, registre-se. Errados são todos os que pensam, agem e sentem de modo diverso.
Os atiradores de pedras, por acharem que possuem condições privilegiadas, tais como dinheiro, status ou poder, sentem-se no direito, que para eles representa quase que um sacerdócio, de invadirem o âmago de outrem a fim de resgatá-los da lama de serem eles mesmos. Para esses campeões de atiradeiras, o que importa é depreciar, menoscabar, usar os supostos erros de outrem para mostrarem o quanto são mais sábios e melhores - ainda que eles sejam os únicos com essa opinião sobre si mesmos.
Um ser humano que ofende a dignidade de outrem por se sentir superior não passa de um ladrão. Analogia que empresto de Khaled Housseini in O caçador de Pipas. Um ladrão invade e pilha porque se acha tão merecedor quanto aquele que adquiriu o bem pela honra de seu trabalho. Na verdade, se acha mais merecedor que o trabalhador. Julga-se no direito de não necessitar trabalhar para adquirir o bem. Ele, por se achar melhor que o contribuinte, promove um julgamento em que se torna juiz e júri para condenar sua vítima. Sem direito à defesa.
Os atiradores de pedras se esquecem de que nossa estrutura é pó e temos o mesmo Artífice.
Ataques verbais não constituem crime ou contravenção, não deixam marcas visíveis, não ficam escoriações, equimoses ou hematomas. Todos os fragmentos caem para dentro.
Os atiradores de pedras descobrem sempre novas maneiras de fazer doer velhas feridas. Usam pedras esculpidas pela língua, extraindo matéria-prima de ressentimentos não curados, de frustrações mal resolvidas, de amarguras desenvolvidas ao longo dos anos e carinhosamente afagadas por sua bílis.
Decerto cometemos erros. Todos nós. Os melhores de nós. Ninguém é imune a eles. Cometemos erros diferentes, mas não há quem deixe de cometê-los. Analisando por esse prisma, somos iguais. Todos errantes e desastrados. Todavia, com muito maior razão, somos diferentes. Augusto Duque observou: "Nenhum homem, se pensasse no que é necessário para julgar outro homem, aceitaria ser juiz". O julgamento não é uma prerrogativa nossa, por motivos básicos e relevantes:
a) ninguém nos constituiu algozes de nossos semelhantes, sobretudo pelas razões que não temos;
b) cada vez que apontamos um dedo a alguém há cinco dedos apontados para nós – no mínimo;
c) apenas quando conhecemos o íntimo de alguém podemos julgá-lo, mas quando nos doamos a esse ponto extremo não desejamos mais julgar ninguém;
d) por fim, uma análise verdadeira de nós mesmos e de nossas razões nos retira toda a autoridade para nos sentirmos salvadores de quem quer que seja.
Quando tentados a julgar o comportamento alheio deveríamos refletir acerca de nosso próprio comportamento. Julgar é sempre proferir juízo crítico contra alguém. Julgamos de acordo com as nossas visões pessoais e com nossa justiça própria. Julgamos quando pensamos que somos emissários de princípios que apenas nós conhecemos e não discernimos sinceridade de crueldade. Já nos advertiu Jesus Cristo: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no cisco que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?” (Mateus 7.1-3). O mesmo Jesus que foi condenado à morte em um julgamento eivado de vícios, planejado e realizado por atiradores de pedras.
O homem é um ser que julga. E julga quase sempre em desfavor de outrem. Intrinsecamente, somos juízes em um tribunal invisível. Exupèry nos ensinou, pela voz frágil de sua raposa, que "o essencial é invisível aos olhos", mas poucos perdem tempo procurando o que olhos não podem ver.
Domingo, Novembro 09, 2008
Ouvindo - Tudo bem
Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver
Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quantos maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
Encostar no teu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem...
(Lulu Santos/Nelson Motta)
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver
Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quantos maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão
Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
Encostar no teu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem...
(Lulu Santos/Nelson Motta)
Sábado, Novembro 08, 2008
Sopa de letrinhas
Coisa difícil essa de juntar palavras para formar frases...Problema meu. Preciso juntá-las para ganhar a vida. Não me explicaram isso direito. No curso. De Direito.Vou buscar um café...
Sexta-feira, Novembro 07, 2008
Escavações nas Rochas
Há alguns meses meus e-mails são filtrados. Alguns ficam no filtro do anti-spam; outros vão para a lixeira. Os que ficam na caixa de entrada são apenas os pertinentes? Nem sempre. E isso é deveras subjetivo. Todavia, na caixa de entrada, podem ser encontrados os dos familiares e amigos. O resto fatalmente encontra o caminho da lixeira. E de lá não é salvo.
Isso inclui PPS, spams, propagandas, piadas, política e cobranças. Destinatários vão para a lixeira. Assuntos também. O que não esbarra nos filtros encontra minha intolerância. Às vezes perco e-mails que não deveria perder. Um risco necessário. Alguns dos destinatários quando me encontram reclamam que não respondi aos seus e-mails. Na verdade, em alguns casos, nem mesmo os vi, mas peço, carinhosamente, para me dizerem o assunto do e-mail: "Ah! Não era nada importante", dizem. Pois bem! Se não era importante, não merecia os minutos do meu tempo.
É fácil saber de que trata o e-mail. Alguns enviam apenas PPS. Haja paciência. Alguns enviam piadas, pilhérias, tolices. Nem sempre engraçadas. Alguns reclamam da política. E continuam agindo como sempre agiram. Alguns pedem favores. Alguns reclamam favores prestados. Sei quais assuntos não quero ler. Sei a quais remetentes não quero dar atenção. Lixeira.
Essa foi a parte fácil. Filtrar as mensagens dos outros. Parti para o difícil: filtrar minhas mensagens aos outros. Comecei aos poucos. Diminuí o volume de mensagens enviadas. Passei a selecionar cada assunto: Poesia, Política, Direito, Religião, Literatura; são tantos assuntos bonitos, tantos assuntos preciosos, mas ninguém mais tem tempo para lê-los. Como eu não tenho. Avalio também as respostas. Ao receber resposta à remessa, mantenho o envio; se em duas ou três remessas, não recebo resposta, cesso o envio. E excluo o destinatário. Simples e racional.
Alguns amigos reclamam de minha ausência. Após problemas com torpedos (mensagens de texto) que enviei à minha irmã e foram parar em outra freguesia e com outro que enviei em caráter de urgência e chegou apenas no dia seguinte (...); desisti dos celulares para envio de mensagens. Desisti dos celulares quase que de modo geral. O número de meu telefone agora é apenas para amigos e familiares. Isso restringe o número de respostas que devemos dar em um dia. A maioria das pessoas que nos fazem perguntas não está mesmo querendo saber. Querem apenas respostas. Verdadeiras ou não. E querer saber é diferente de querer resposta.
Isso não significa que não respondo e-mails. Respondo-os. Com prazer. Isso também não significa que eles são coisas chatas. Gosto muito de alguns e-mails que recebo. Recebo, respondo e guardo após responder. Alguns remetentes merecem atenção especial, porque também me concedem atenção especial.
Na vida também é assim. Há necessidade de uma análise criteriosa. Necessidade de mudar o comportamento se aquele não está agradando, sob risco de ir parar na lixeira. Há pessoas que insistem a vida inteira no mesmo comportamento e quando as coisas não dão certo culpam outrem. As coisas não dão certo porque se tentou sempre o mesmo. Mesmos atos, mesmos resultados.
O culpado de sua vida não ter dado certo (se é que ela não deu) não está fora de você. O culpado de sua vida não ter dado certo (se é que ela não deu) é você mesmo. Todavia, se ela não deu certo até aqui não significa que nunca dará. Todo dia é um novo dia. Dia cheio de possibilidades. Para algumas pessoas a vida não foi muito boa, mas entre morrer ou escavar nas rochas, preferiram escavar nas rochas. Escavar rochas tem conseqüências, mas quem o faz, nunca culpará outrem pelas coisas que não aconteceram, pois sabe que fez tudo o que poderia ter feito.
Escavar rochas quebra ferramentas e cria calos, mas as escavações servem para nos manter alerta.
Escavações nas rochas fortalecem os músculos e a paciência. É um processo demorado e cansativo, mas aqui, nas minhas rochas, já começo a ver a escada e a subir por ela.
Enquanto filtro os degraus.
SE VIS PACEM PARA BELLUM
Isso inclui PPS, spams, propagandas, piadas, política e cobranças. Destinatários vão para a lixeira. Assuntos também. O que não esbarra nos filtros encontra minha intolerância. Às vezes perco e-mails que não deveria perder. Um risco necessário. Alguns dos destinatários quando me encontram reclamam que não respondi aos seus e-mails. Na verdade, em alguns casos, nem mesmo os vi, mas peço, carinhosamente, para me dizerem o assunto do e-mail: "Ah! Não era nada importante", dizem. Pois bem! Se não era importante, não merecia os minutos do meu tempo.
É fácil saber de que trata o e-mail. Alguns enviam apenas PPS. Haja paciência. Alguns enviam piadas, pilhérias, tolices. Nem sempre engraçadas. Alguns reclamam da política. E continuam agindo como sempre agiram. Alguns pedem favores. Alguns reclamam favores prestados. Sei quais assuntos não quero ler. Sei a quais remetentes não quero dar atenção. Lixeira.
Essa foi a parte fácil. Filtrar as mensagens dos outros. Parti para o difícil: filtrar minhas mensagens aos outros. Comecei aos poucos. Diminuí o volume de mensagens enviadas. Passei a selecionar cada assunto: Poesia, Política, Direito, Religião, Literatura; são tantos assuntos bonitos, tantos assuntos preciosos, mas ninguém mais tem tempo para lê-los. Como eu não tenho. Avalio também as respostas. Ao receber resposta à remessa, mantenho o envio; se em duas ou três remessas, não recebo resposta, cesso o envio. E excluo o destinatário. Simples e racional.
Alguns amigos reclamam de minha ausência. Após problemas com torpedos (mensagens de texto) que enviei à minha irmã e foram parar em outra freguesia e com outro que enviei em caráter de urgência e chegou apenas no dia seguinte (...); desisti dos celulares para envio de mensagens. Desisti dos celulares quase que de modo geral. O número de meu telefone agora é apenas para amigos e familiares. Isso restringe o número de respostas que devemos dar em um dia. A maioria das pessoas que nos fazem perguntas não está mesmo querendo saber. Querem apenas respostas. Verdadeiras ou não. E querer saber é diferente de querer resposta.
Isso não significa que não respondo e-mails. Respondo-os. Com prazer. Isso também não significa que eles são coisas chatas. Gosto muito de alguns e-mails que recebo. Recebo, respondo e guardo após responder. Alguns remetentes merecem atenção especial, porque também me concedem atenção especial.
Na vida também é assim. Há necessidade de uma análise criteriosa. Necessidade de mudar o comportamento se aquele não está agradando, sob risco de ir parar na lixeira. Há pessoas que insistem a vida inteira no mesmo comportamento e quando as coisas não dão certo culpam outrem. As coisas não dão certo porque se tentou sempre o mesmo. Mesmos atos, mesmos resultados.
O culpado de sua vida não ter dado certo (se é que ela não deu) não está fora de você. O culpado de sua vida não ter dado certo (se é que ela não deu) é você mesmo. Todavia, se ela não deu certo até aqui não significa que nunca dará. Todo dia é um novo dia. Dia cheio de possibilidades. Para algumas pessoas a vida não foi muito boa, mas entre morrer ou escavar nas rochas, preferiram escavar nas rochas. Escavar rochas tem conseqüências, mas quem o faz, nunca culpará outrem pelas coisas que não aconteceram, pois sabe que fez tudo o que poderia ter feito.
Escavar rochas quebra ferramentas e cria calos, mas as escavações servem para nos manter alerta.
Escavações nas rochas fortalecem os músculos e a paciência. É um processo demorado e cansativo, mas aqui, nas minhas rochas, já começo a ver a escada e a subir por ela.
Enquanto filtro os degraus.
SE VIS PACEM PARA BELLUM
Quinta-feira, Novembro 06, 2008
Yes, we can
"Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo o estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.
Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama, meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos.
Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta. Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, orar juntos, lutar juntos, para ir encarcerados juntos, defender a liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livres. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado: "Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade. E quando isto acontecer, quando nós permitirmos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espiritual negro:
"Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal"."
(Martin Luther King in "Eu tenho um sonho")
E hoje o sino da liberdade pode ser ouvido. Parabéns, Mr. President, Barack Obama!
E hoje, quando todos os jornais do mundo noticiam a vitória de um negro ou de um afro-americano (como preferem os que defendem a tolice do politicamente correto), eu vejo apenas um homem. O novo presidente da maior potência mundial. Um homem com os mesmos ideais que temos nós.
E hoje, quando alguns se perguntam quando "um negro também governará o Brasil?", sou acusada de dissimulação e sou eu a discriminada.
E hoje, quando o mundo festeja a eleição "do negro Obama", festejo a vitória "do homem Obama" e sua história.
E também tenho um sonho. Sonho que os fracassos de minha vida não poderão determinar quem sou e não deponham contra mim, mas a meu favor; pela certeza de que fiz tudo o que poderia para não me perder de mim.
Sonho que ninguém será acusado por insistir contra as esperanças.
Sonho que não seremos forçados a suportar quem não desejamos.
Sonho que aquele que estender a mão para ajudar não seja o mesmo que apunhala o ajudado.
Sonho que os dignos de louvor serão louvados - e não invejados.
Sonho concorrer em igualdade de condições com meus semelhantes. Em vestibulares ou concursos públicos.
Sonho em ver respeitada a Lei Maior.
Sonho em ver respeitados o direito à vida (direito maior), à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, todos declarados na Carta escrita para o povo.
Sonho em não ser discriminada. Por ser branca.
Yes, we can. I have a dream.
Quarta-feira, Novembro 05, 2008
Onde dói a dor
Dói na dor.
Dói e (re)dói.
A dor tiranicamente me rouba o sono e a paz. Não é furto simples ou qualificado. É roubo. Grave ameaça à pessoa (no caso, à minha pessoa).
A dor fere meus sentidos e carcome minha consciência. Não há remédio. Luto com as lembranças, para não perdê-las. Atraco-me à elas como um náufrago agarrado aos restos de seu navio arruinado. Fujo para mim. Luto.
Ouço apenas o vazio. O vazio da presença e da esperança.
A dor se chama saudade.
Dói e (re)dói.
A dor tiranicamente me rouba o sono e a paz. Não é furto simples ou qualificado. É roubo. Grave ameaça à pessoa (no caso, à minha pessoa).
A dor fere meus sentidos e carcome minha consciência. Não há remédio. Luto com as lembranças, para não perdê-las. Atraco-me à elas como um náufrago agarrado aos restos de seu navio arruinado. Fujo para mim. Luto.
Ouço apenas o vazio. O vazio da presença e da esperança.
A dor se chama saudade.
Segunda-feira, Novembro 03, 2008
Por uma nova Reforma
"A razão por que a Reforma não é mencionada esta semana na tua igreja, cristão evangélico, é porque ao pregar Lutero as 95 teses na catedral de Wittenberg 500 anos atrás, as portas da tua congregação, 500 anos mais tarde, estremecem também.
Mas pela providência do soberano Senhor, uma nova Reforma vem a caminho (...)"
Lamentações do Nuno.
Talvez seja hora de mudar o auditório. E o púlpito.
Mas pela providência do soberano Senhor, uma nova Reforma vem a caminho (...)"
Lamentações do Nuno.
Talvez seja hora de mudar o auditório. E o púlpito.
Sábado, Novembro 01, 2008
Selo ou não sê-lo...
O Lou me conferiu a honraria do selo supra. E ele mesmo explica: "Segundo o Michaelis rafeiro quer dizer: 'uma casta de cães próprios para a guarda de gado, ou o indivíduo que acompanha sempre outro, vigiando-o e defendendo-o'. De acordo com esses sentidos indico alguns amigos queridos". Alegrei-me com a distinção. Do selo e da bem-querença, o que já me lembra querência, que é como chamam, lá no SUL, o lugar onde o gado pasta. Instinto.
O Lou lembrou que há regras para quem recebe o selo. Declino de algumas. Posto, mas não divido o pasto. Como já aludi em seu blog, costumo me manter à parte dessas conjunturas bloguistas; assim sendo, reservo-me o prazer egoísta de guardar o selo. Salvo melhor juízo.
...e um país se faz com homens
...homens mal remunerados, desrespeitados e desvalorizados que continuam arriscando a vida cotidianamente pelo simples prazer de servir. E que partem. E partem o coração de quem amam:
Reportagem da Folha On Line.
Reportagem da Folha On Line.
Marcadores: Polícia, Direito, Eduardo
Polícia
Quarta-feira, Outubro 29, 2008
Um país se faz com homens e livros
Hoje comemoramos, nós, os que lemos, o dia Nacional do Livro. Esperançosos de que muitos se juntem a nós.
O primeiro livro editado no Brasil foi "Marília de Dirceu" de Tomás Antônio Gonzaga:
"Minha alma, que tinha
Liberta a vontade,
Agora já sente
Amor, e saudade,
Os sítios formosos,
Que já me agradaram,
Ah! Não se mudaram;
Mudaram-se os olhos,
De triste que estou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou".
A frase do título é de Monteiro Lobato.
O primeiro livro editado no Brasil foi "Marília de Dirceu" de Tomás Antônio Gonzaga:
"Minha alma, que tinha
Liberta a vontade,
Agora já sente
Amor, e saudade,
Os sítios formosos,
Que já me agradaram,
Ah! Não se mudaram;
Mudaram-se os olhos,
De triste que estou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Marília, tu chamas?
Espera, que eu vou".
A frase do título é de Monteiro Lobato.
Homem de prol
Grande é aquele que mantém a porta aberta para revisão de seus pontos de vista, sem medo de parecer inseguro e não se apega aos feitos do passado, mas luta para alcançar um futuro melhor.
Além da beleza da toga
"Cuatro características corresponden al juez: Escuchar cortésmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente y decidir imparcialmente."
Sócrates (470 AC-399 AC)
Do site Migalhas
Sócrates (470 AC-399 AC)
Do site Migalhas
Terça-feira, Outubro 28, 2008
Evoluir
"É pelo contato dos fatos, das coisas, dos homens, que nós aprendemos todos os dias, melhoramos, e todos os dias, reformamos as nossas idéias."
(Rui Barbosa)
(Rui Barbosa)
Fato
"... estamos desarmados como sueño en andrajos
pero los anfitriones nos rearman de apuro
nos quieren como aliados y no como reliquias
aunque a veces nos pidan la derrota en hilachapara no repetirla ."
(Mario Benedetti)
pero los anfitriones nos rearman de apuro
nos quieren como aliados y no como reliquias
aunque a veces nos pidan la derrota en hilachapara no repetirla ."
(Mario Benedetti)
Sexta-feira, Outubro 24, 2008
NONSENSE
...e ontem o Professor Rubem Alves esteve no "programa do Jô". Mais uma dessas entrevistas que o gordo não aproveita. Eu, que já havia desistido de seus despautérios, tornei a ceder ontem. Debalde.
Sonhar é caminhar
"Nós crescemos através de sonhos.
Todos os grandes são sonhadores. Eles conseguem enxergar fogo em uma longa tarde de inverno. Alguns de nós deixamos grandes sonhos morrer, e outros os alimentam e protegem; os alimentam durante os dias maus, até que lhes tragam o brilho do sol e a luz, que sempre vem ao encontro daqueles que possuem a esperança sincera de que seus sonhos se tornarão realidade".
(Woodrow Wilson)
Todos os grandes são sonhadores. Eles conseguem enxergar fogo em uma longa tarde de inverno. Alguns de nós deixamos grandes sonhos morrer, e outros os alimentam e protegem; os alimentam durante os dias maus, até que lhes tragam o brilho do sol e a luz, que sempre vem ao encontro daqueles que possuem a esperança sincera de que seus sonhos se tornarão realidade".
(Woodrow Wilson)
Pela esperança
"Sei que meu trabalho é apenas uma gota d’água num oceano, mas sem ele o oceano seria menor."
(Teresa de Calcutá)
(Teresa de Calcutá)
Terça-feira, Outubro 21, 2008
O bandido e os mocinhos
Pensei em tecer várias considerações sobre o assunto.
Dizer que não é justo vilipendiar uma Polícia que é, sim, eficiente. Uma Polícia que é, sim, bem preparada, mesmo com os parcos recursos de que dispõe, mesmo com a demagogia dos discursos vazios dos políticos, mesmo com a execração pública da imprensa, mesmo com a veleidade da população seduzida pelas imagens das telinhas e mesmo com os ridículos soldos que recebem.
Pensei em dizer que não é justo atacar a reputação da Polícia quando o bandido estava lá dentro, armado e preparado para o pior. Pensei em gritar que os únicos que devem ser repelidos e condenados são os bandidos e não os homens que são [mal] pagos para nos proteger. Pensei em gritar: "Parem com isso!"
No entanto, isso é cediço. Todos sabem, apenas preferem fingir que não é assim. É mais divertido seguir a tropa (que não é a de elite), afinal, pensar é mesmo complicado quando o assunto está ali, pisado e repisado, comentado ad nauseam, quando os 'especialistas', analisando vídeos dariam outro rumo à história; quando 'especialistas', sentados em frente a equipamentos, teriam soluções melhores: "Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo", escreveu o poeta T. S. Eliot. O país enlouqueceu e nós, que tentamos fugir, parecemos os loucos.
Renunciei ao texto que escreveria. Nesse circo, somos todos súditos dos palhaços que elegemos.
Dizer que não é justo vilipendiar uma Polícia que é, sim, eficiente. Uma Polícia que é, sim, bem preparada, mesmo com os parcos recursos de que dispõe, mesmo com a demagogia dos discursos vazios dos políticos, mesmo com a execração pública da imprensa, mesmo com a veleidade da população seduzida pelas imagens das telinhas e mesmo com os ridículos soldos que recebem.
Pensei em dizer que não é justo atacar a reputação da Polícia quando o bandido estava lá dentro, armado e preparado para o pior. Pensei em gritar que os únicos que devem ser repelidos e condenados são os bandidos e não os homens que são [mal] pagos para nos proteger. Pensei em gritar: "Parem com isso!"
No entanto, isso é cediço. Todos sabem, apenas preferem fingir que não é assim. É mais divertido seguir a tropa (que não é a de elite), afinal, pensar é mesmo complicado quando o assunto está ali, pisado e repisado, comentado ad nauseam, quando os 'especialistas', analisando vídeos dariam outro rumo à história; quando 'especialistas', sentados em frente a equipamentos, teriam soluções melhores: "Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo", escreveu o poeta T. S. Eliot. O país enlouqueceu e nós, que tentamos fugir, parecemos os loucos.
Renunciei ao texto que escreveria. Nesse circo, somos todos súditos dos palhaços que elegemos.
Marcadores: Polícia, Direito, Eduardo
Polícia
Segunda-feira, Outubro 20, 2008
Aos sensatos
(...) "O rapaz [Lindembergue], que saiu ileso das coisas miseráveis todas que fez, é preservado também no noticiário, e sua versão está circulando nos jornais — só teria atirado depois da invasão. A ela, nota-se, dá-se uma credibilidade superior à versão da polícia. O Brasil é assim: ama os seus bandidos, os seus algozes. A imprensa, em particular, tem uma espécie de tara para santificar o crime e os criminosos.
A polícia poderia ter matado Lindembergue nas vezes em que apareceu à janela? Talvez. E não estaria sendo agora menos atacada se o tivesse feito. Mais um filme estaria em curso, é provável, com patrocínio das estatais, poetizando a bandidagem e fazendo sociologia barata sobre as origens econômicas da violência etc e tal... Já conhecemos isso tudo, não é mesmo?"
(Reinaldo Azevedo)
Recomendo os excelentes artigos: "O nome do criminoso" (de onde extraí o trecho supra) e "A tragédia de Santo André: e nós com isso?" Ambos no blog do Reinaldo.
A polícia poderia ter matado Lindembergue nas vezes em que apareceu à janela? Talvez. E não estaria sendo agora menos atacada se o tivesse feito. Mais um filme estaria em curso, é provável, com patrocínio das estatais, poetizando a bandidagem e fazendo sociologia barata sobre as origens econômicas da violência etc e tal... Já conhecemos isso tudo, não é mesmo?"
(Reinaldo Azevedo)
Recomendo os excelentes artigos: "O nome do criminoso" (de onde extraí o trecho supra) e "A tragédia de Santo André: e nós com isso?" Ambos no blog do Reinaldo.
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Domingo, Outubro 19, 2008
Uma carta de amor
"Sem ti nos meus braços, sinto um vazio na alma.Dou por mim à procura do teu rosto no meio das multidões - sei que é impossível, mas não consigo conter-me. A minha procura por ti é uma busca interminável destinada ao fracasso (...)
(...) Desculpa, meu amor, mas não existirá nunca ninguém para te substituir. As palavras que te murmurei eram absurdas e eu devia ter percebido isso então. Tu - e só tu - tens sido sempre a única coisa que eu desejei, e agora que já aqui não estás, não tenho qualquer desejo de encontrar outra. Até que a morte nos separe, sussurramos na igreja, e eu tenho vindo a acreditar que as palavras permanecerão verdadeiras até finalmente chegar o dia em que eu, também, serei levado deste mundo."
("Uma carta de amor" de Nicholas Sparks)
Porque é hoje e porque é sempre.
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Eduardo
Sábado, Outubro 18, 2008
SAL QUE NÃO SALGA
Hoje acordei com o desejo desatinado de resgatar a Igreja. Estou ciente de que é um desejo deveras arrogante; talvez insano: "...as muitas letras te fazem delirar", palavras lançadas ao apóstolo Paulo por Festo, governador da Judéia (60-62), relatadas em At. 26.24.
Não sou nenhuma "enviada especial" (isso é coisa de repórter), estou "apenas" indignada e não posso e não quero mais assistir a esses espetáculos de degradação moral, a essas tolices, a esses disparates. Não quero cruzar os braços e fingir que nada acontece.
Sim, estou inquieta, uma inquietude que quer agir, que quer mudar conceitos e transformar vidas. Uma inquietude que quer SALGAR. Trago à lembrança meu escritor russo preferido: "há no povo uma dor silenciosa e paciente, que se recolhe e se cala. Mas há outra que explode" (Dostoiévski in Os irmãos Karamazov)... E minha dor quer explodir. Não aceito mais essa venalidade, essas aberrações, esse estado acrítico da igreja. Não importa ser crucificada, o que não desejo é ser pisada como sal inútil.
O legado da igreja está sendo manchado. O Evangelho está sendo descaracterizado. A fé está sendo negligenciada por valores menores. Os pregadores estão corrompendo e sendo corrompidos, e quanto a nós, bem, resta-nos a culpa de nossa omissão.
Alguns chamar-me-ão demagoga, outros ainda me julgarão soberba e insolente e há aqueles que comungarão de meus desassossegos. Chamar-me-ão de muitas coisas, menos de hipócrita. Desespero-me da igreja. Quisera assim não fosse, todavia, ora ela vive uma busca frenética por superficialidades que me arrancaria de minha zona de conforto (se eu tivesse alguma) e hoje essa fúria me consome e me exalta. Talvez, juntos, possamos encontrar o caminho de volta ao Caminho.
Não foi para isso que eles [todos] morreram.
Não sou nenhuma "enviada especial" (isso é coisa de repórter), estou "apenas" indignada e não posso e não quero mais assistir a esses espetáculos de degradação moral, a essas tolices, a esses disparates. Não quero cruzar os braços e fingir que nada acontece.
Sim, estou inquieta, uma inquietude que quer agir, que quer mudar conceitos e transformar vidas. Uma inquietude que quer SALGAR. Trago à lembrança meu escritor russo preferido: "há no povo uma dor silenciosa e paciente, que se recolhe e se cala. Mas há outra que explode" (Dostoiévski in Os irmãos Karamazov)... E minha dor quer explodir. Não aceito mais essa venalidade, essas aberrações, esse estado acrítico da igreja. Não importa ser crucificada, o que não desejo é ser pisada como sal inútil.
O legado da igreja está sendo manchado. O Evangelho está sendo descaracterizado. A fé está sendo negligenciada por valores menores. Os pregadores estão corrompendo e sendo corrompidos, e quanto a nós, bem, resta-nos a culpa de nossa omissão.
Alguns chamar-me-ão demagoga, outros ainda me julgarão soberba e insolente e há aqueles que comungarão de meus desassossegos. Chamar-me-ão de muitas coisas, menos de hipócrita. Desespero-me da igreja. Quisera assim não fosse, todavia, ora ela vive uma busca frenética por superficialidades que me arrancaria de minha zona de conforto (se eu tivesse alguma) e hoje essa fúria me consome e me exalta. Talvez, juntos, possamos encontrar o caminho de volta ao Caminho.
Não foi para isso que eles [todos] morreram.
Sexta-feira, Outubro 17, 2008
A tristeza...
"No céu, também há uma hora melancólica.
Hora difícil, em que a dúvida penetra as almas.
Por que fiz o mundo?
Deus se pergunta e se responde: Não sei.
Os anjos olham-no com reprovação,
as plumas caem.
Todas as hipóteses: a graça, a eternidade, o amor caem,
são plumas.
Outra pluma, o céu se desfaz.
Tão manso, nenhum fragor denuncia
o momento entre tudo e nada
ou seja, a tristeza de Deus".
(Carlos Drummond de Andrade)
Hora difícil, em que a dúvida penetra as almas.
Por que fiz o mundo?
Deus se pergunta e se responde: Não sei.
Os anjos olham-no com reprovação,
as plumas caem.
Todas as hipóteses: a graça, a eternidade, o amor caem,
são plumas.
Outra pluma, o céu se desfaz.
Tão manso, nenhum fragor denuncia
o momento entre tudo e nada
ou seja, a tristeza de Deus".
(Carlos Drummond de Andrade)
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