quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sociedade do Medo

Posso fingir não ver. Posso fingir que o oportunismo, a demagogia e a vileza de quem diz representar o povo não me deixam indignada.
Posso fingir não notar a sutileza sub-reptícia dos discursos improfícuos. Posso fingir que não percebo os interesses escusos e inconfessáveis. Posso fingir que acredito que se importam comigo, com meus bens e com minha família. Posso fingir. Mas não quero.
Falar em “desarmamento” é, no mínimo, aviltante.
A uma porque quem deve ser desarmado é o bandido e não o cidadão. E bandido não entrega arma em campanhas infames. 
A duas porque a compra de armas hoje é “privilégio” de poucos, nos expressos termos da Lei 10.826/2003 (regulamentada pelo Decreto 5.123/2004).
Retirar a possibilidade dos cidadãos adquirirem uma arma para garantia da própria segurança, não reduz a violência posto esta não estar nas armas, estar no homem. Armas não disparam sozinhas.
Os governantes não possuem competência para salvaguardar seus tutelados e, em virtude disso, tentam tolher o legítimo direito à DEFESA. Não cabe a um Estado "democrático" cassar direitos, mas criar políticas sérias de combate à criminalidade, com leis que funcionem e com severa punição aos criminosos e aos corruptos.
Não é moral usar episódios consternadores para iludir e induzir as massas, e para tentar, uma vez mais, coibir o direito à defesa. Os fatos tristes ocorridos no Rio de Janeiro (e ocorridos diariamente em diversos outros locais) devem ser lamentados profundamente sem hipocrisia.
Passou da hora de combater a CRIMINALIDADE, mas em vez disso, o governo deseja desarmar cidadãos honestos que pagam impostos escorchantes. A culpa de a violência atingir níveis tão alarmantes não é da população, é do crescimento avassalador da criminalidade não contida. Se ao possuir arma, o civil corre risco de que o criminoso dela apodere-se, decerto quem precisa de punição é o criminoso. Antes. E definitivamente.
O que houve em Realengo não é culpa das armas, é culpa da maldade humana, da falta de fiscalização, da impunidade e da indiferença. O que fez um homem degenerado, também vítima do descaso, entrar livremente em uma escola municipal e realizar um verdadeiro massacre, não foram as duas armas que carregava; foi a negligência, a falta de cuidado e o desrespeito da Administração Pública e da sociedade.
Não permitamos que deputados e senadores demagogos e incompetentes continuem usando tragédias para alcançar seus interesses escusos. A população de bem não deve ser proibida de adquirir armas (se assim desejar); o que precisa haver é mudança draconiana do CÓDIGO DE PROCESSO PENAL para que as leis sejam aplicadas com coerência.
O episódio de Realengo, repiso, não é um caso isolado. Quantas hidras mais serão necessárias para que, de modo real, indignemo-nos?! O que está havendo com a opinião pública nesse momento não é indignação; é lamentação, desalento e impotência. Indignação é ir além! É não permitir que a vontade do povo, manifestada em 23 de outubro de 2005 (referendo do “desarmamento”), seja desprezada com vileza por políticos escolados na arte do logro.
Procurei crer que o povo brasileiro fosse corajoso; mas não sabem o que é ter coragem. Sem querer censurar qualquer pessoa (a não ser as aves de rapina da política), algumas coisas não fazem sentido (para mim) no lamentável massacre: Onde estavam os professores e funcionários da escola? Nenhum deles possuía celular? A vulnerabilidade do atirador ao recarregar as armas não estimulou os adultos à ação?... São perguntas retóricas. Ademais, não se pode analisar o comportamento das pessoas sob circunstâncias tão extremas; mas fica o assunto para discussão.
Sociedade acuada. Dominada por seus próprios medos. Refém de situações de confronto e dor. Desarmada. Desalmada.
Minha resposta é não à tentativa de um novo referendo ou de um plebiscito; minha resposta é não à demagogia, ao oportunismo, à transigência de fatos odiosos para consecução de objetivos suspeitos.
Igualmente, minha resposta às armas é não, sobretudo às armas do espírito; não posso conceber, porém, que homens sem moral e sem qualquer habilidade para respeitar e para proteger, reprimam direitos, deixando cada vez mais indefesa a população.
(Dáuvanny Costa)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A hora é agora

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar".
(Martin Niemöller, 1933)

domingo, 10 de abril de 2011

Constantemente Pertinente

O Estado de insegurança é conivente com o estado de descaso. As autoridades aprenderam com louvor a lição de sugestionar as massas e a arte da manipulação.
[...] O que choca a sociedade não é a morte nem a dor. São os números.
(Trechos de Legião de Idealistas versus legião de hipócritas, que poderá ser lido clicando aqui).

Façamos um favor a nós mesmos e àqueles a quem amamos: Não permitamos que a vontade do povo deixe de ser soberana. Não permitamos que após os resultados do referendo de 2005 (indesejáveis para os vis que governam o país), sejamos forçados a aceitar falácias desarmamentistas.
(Dáuvanny Costa)

terça-feira, 5 de abril de 2011

A intolerância dos tolerantes

O Deputado Jair Bolsonaro está sendo alvo de críticas, ódio, ações e inúmeras representações em virtude de comentários considerados ofensivos feitos em um programa televisivo da Rede Bandeirantes. Ao assistir a famigerada "entrevista" pelo youtube constatei o óbvio: o Deputado não entendeu/ouviu a pergunta de uma certa "cantora".
O foco até o momento da pergunta da "cantora" era o homossexualismo. O Deputado, irrefletidamente, respondeu sobre isso. Não comungo com todas as opiniões de Jair Bolsonaro (comungo com muitas), comungo muito menos com a forma como ele as expõe; o modo quase nunca polido com que opina sobre fatos polêmicos é digno de "senões". ENTRETANTO, as opiniões do cidadão Jair Bolsonaro devem ser respeitadas.
Quanto a preconceitos, todos os temos, algumas vezes os ocultamos tão bem que os desconhecemos; alguns chegam a achar que não os têm; outros não têm coragem de revelá-los (isso se chama hipocrisia).
O que fica claro nessa controvérsia toda é que os acusadores reclamam de intolerância, porém, não demonstram nenhuma. 
Pontofinalizando: os que julgam não ter pecados, são sempre ávidos em lançar pedras. São mais tolerantes com os crimes cometidos em nome de uma impossível igualdade social.
(Dáuvanny Costa)

Em tempo: li dois ótimos artigos sobre o episódio envolvendo o Deputado; um do Guilherme Fiúza na "Época" dessa semana e outro de Gérson Faria no site "Mídia a Mais". Valem a pena.

sexta-feira, 1 de abril de 2011