segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O lamento que não deveria ser apenas NOSSO

Infelizmente, para a SSPSP - e possivelmente para as demais unidades da Federação - não passam de números.
Perdas que não podem ser substituídas. E não devem. Não é possível corrigir uma perda. Não há palavras ou ações que possam atenuar tamanha dor. Não é possível. A vida segue, dizem os incautos, e quem perde esboça um sorriso canhestro, sabendo que a vida de quem perde não segue da mesma forma. Estará sempre atrelada ao passado e à perda. A vida segue, dizem os incautos, e quem perde esboça um sorriso canhestro, pensando que para suportar a dor DOS OUTROS, todos têm coragem de sobra.
Homens que desejaram apenas proteger e servir. Vilipendiados. Humilhados. Sujeitos à más condições de trabalho. Recebendo soldos muito aquém do ofício desempenhado. Assassinados. Policiais brasileiros.
Segue a matéria do jornal da Tarde.
(Dáuvanny Costa)

A CADA 4 DIAS, UM PM É ASSASSINADO

Em sete anos, foram 719 casos. Desses, 503 acabaram mortos durante a folga.
No Jardim 9 de Julho, zona leste, pouca gente sabe que L.S.D., de 40 anos, é soldado da Polícia Militar. Ele não volta para a casa fardado. Também evita secar o uniforme no varal do quintal. O medo não existe por acaso. A cada quatro dias, um PM é assassinado em serviço ou em folga no Estado. Foram 719 casos nos últimos sete anos e meio. Só no primeiro semestre deste ano, 8% das vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte) eram PMs.
As 719 baixas equivalem a cinco companhias da PM. Desse total, 503 foram mortos em folga e 216 em serviço. O ano de 2004 foi o recordista no número de militares assassinados fora de serviço. Foram 81 vítimas. Já o ano de 2001 liderou as mortes de PMs em serviço. Foram registrados 41 casos.
As 503 mortes de PMs em folga nos últimos sete anos e meio representam 70% das 719 execuções. O sargento Vandir Rodrigues dos Santos, de 34 anos, faz parte dessa estatística. Ele foi morto a tiros durante tentativa de assalto no estacionamento de um banco no Morumbi, zona sul. O crime aconteceu em 1º de fevereiro deste ano.
O policial tinha ido ao banco com um amigo. Três ladrões chegaram ao estacionamento e anunciaram o assalto. Santos sacou a pistola, mas um dos bandidos atirou primeiro, à queima-roupa. Ele levou quatro tiros.
Os criminosos ainda roubaram a pistola calibre 40 do PM. Santos estava de folga. Ele trabalhava no 3º Batalhão de Policiamento de Choque. Ingressou na PM havia 12 anos.
Hélio Teshima Júnior, de 26 anos, também engrossa a lista dos PMs mortos fora de serviço. Ele fazia parte do corpo de segurança do Governo do Estado. Estava de folga na madrugada de 8 de junho deste ano. Para a Polícia Civil, Teshima foi vítima de latrocínio.
O corpo do policial militar foi encontrado dentro de uma Zafira preta, no bairro Ressaca, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Testemunhas ouviram tiros e viram os criminosos fugindo em duas motos. Em seguida, telefonaram para o 190.
Policiais militares chegaram rápido ao local e encontraram a porta do Zafira, do lado do motorista, aberta. Os faróis do veículo estavam acesos. Teshima encontrava-se caído no banco do passageiro. Peritos do Instituto de Criminalística (IC) apuraram que o PM foi atingido na cabeça. A Polícia Civil também descobriu que os criminosos roubaram duas pistolas do militar.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não divulga, em suas estatísticas trimestrais, os casos de policiais militares ou civis mortos e feridos fora de serviço. Essas ocorrências são somadas aos outros casos de homicídios, latrocínios ou lesões corporais dolosas. A pasta só especifica as mortes e ferimentos de policiais em serviço.
Latrocínios
Segundo levantamento feito pela Corregedoria da Polícia Militar, no primeiro semestre deste ano 12 PMs foram mortos em serviço e outros 24 em folga. Dos militares assassinados em folga, 14 foram vítimas de homicídio e 10 de latrocínio.
Os 10 PMs assassinados durante assalto representam 8% das 129 vítimas de latrocínio no Estado, executadas de janeiro a junho deste ano. Cinco PMs foram mortos na capital e outros cinco no interior. Já entre os 14 PMs vítimas de homicídio, cinco foram mortos em folga na capital, três na Grande São Paulo e seis no interior.
O segundo semestre de 2008 começou violento para os PMs. No último dia 10, dois foram mortos e um ficou ferido em três situações diferentes na capital e Grande São Paulo. Todos estavam de folga.
No Jardim Lourdes, zona leste, o PM Richard Schimith de Assis , de 26 anos, foi executado em seu carro quando voltava da casa de amigos. Os assassinos dispararam mais de 40 tiros. Sete o atingiram. A pistola calibre 40 de Assis foi roubada. Sidney Aparecido Uriel, 45 anos, foi morto a tiros num bar no Jardim Nova América, em Suzano.
(Fonte: Jornal da Tarde, 19 de setembro de 2008, pág. 9A, Josmar Jozino e José Dacauaziliquá )

2 comentários:

francilene disse...

Concordo plenamente com os dizeres..pela falta de atitude da autoridade maior, profissionais e cidadãos comum sofrem as consequencias....eu já passei por isso, perdi uma pessoa querida que fazia parte da minha familia...o PM Helio Teshima Junior...não me conformo com o que aconteceu, a justiça da terra pode não funcionar, mas tem um ditado que funciona muito, que funciona sempre, que diz: "colhemos o que plantamos" ....tudo o que é feito e o que não é feito, será cobrado no final...mesmo assim, não deixemos de lutar,de buscar a verdade e exigir dessa "sociedade" um futuro melhor para todos!

Dra. Costa disse...

Agradeço por sua participação e por compartilhar sua dor. Cada dia se torna mais difícil crer em uma sociedade melhor e mais segura - para nós e para quem amamos -, mas podemos seguir, tentando fazer a parte que nos cabe. Abraço.