sábado, 7 de julho de 2007

Prezados Idiotas da Galácia

..."Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho. O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Por que, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Deus" (Gálatas 1.6-10).

"Anátema" pode ser traduzido por "amaldiçoado". Paulo, dono de personalidade colérica e zeloso da fé, não receava o emprego das palavras. O texto supra foi escrito/ditado aos Gálatas: "Ó gálatas insensatos", ele bradava. Bem poderia ter sido escrito em nossos tempos, com outras vestimentas: "Ó brasileiros insensatos" ou "Ó crentes insensatos", talvez. Insensatos por transformarem pregações em mega eventos; igrejas em mega templos e pastores em mega empresários.
Descreio da igreja atual, dos discursos vazios que despedem os ouvintes mais vazios ainda. Em lugar de abrigo, são centros de auto-ajuda, com a função precípua de fazer com que os ouvintes sintam mais culpa pela falta de oferta pecuniária que pela falta de caráter.
Quem inventou outro evangelho, deturpando o evangelho da graça? Um evangelho novo que lota templos, mas esvazia corações. A adoração ao Pai cede lugar à adoração a si mesmo: boa mesa, boa casa e boa vida.
Prezados Idiotas da Galácia, que exultam com o mercadejo da fé, que se calam diante do mercado do logro e do cinismo, que caçam bênçãos enquanto fogem do Abençoador. Que pregam a si mesmos, negligenciando o Deus pregado. Quem os fez tão céticos? Crendo apenas nas efemeridades desse mundo? Sua fé é vã.
Que coisa, como escreveu Vieira, é a conversão de uma alma senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo?
As palavras bastam para ouvidos néscios; para falar aos corações são necessárias obras.
(Dáuvanny Costa)

Um comentário:

Lou Mello disse...

Confesso. Sou um dos culpados.