sábado, 26 de setembro de 2009

Livros - A Cabana

O livro “A Cabana” procura mostrar um rosto diferente para Deus. Diferente do que vem sendo pregado em todas algumas denominações. Na maioria, para ser franca. Para mais ou para menos.
O autor não tem como objetivo defender a Trindade. Não advoga para Deus. Mostra um Deus amoroso, um Jesus amável e um Espírito Santo consolador (como devemos de fato enxergá-los); em figuras distintas e peculiares. Bem peculiares.
A história se desenvolve em uma cabana, cenário de um crime. O pai da vítima procura explicações para o aparente descaso de Deus e, na ausência de respostas, ocorre arrefecimento em sua fé; não consegue vê-lo como um Deus amoroso. Inevitável em dolorosas circunstâncias. Inevitável sentimento de abandono a qualquer que se sente esquecido ou traído por Deus.
É um livro ingênuo que alcançou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times. Em que pese o sucesso de público e de crítica, porém, trata-se, ratifico, de um livro ingênuo. Creio que os que realmente sofreram – a quem, prima facie, encaminha-se o livro – enxergam virtudes nele, mas reconhecem-no pouco incisivo. Após a leitura, as máscaras tendem a cair, a ferida latente se apresenta desorientada trazendo toda a dor que conseguimos guardar, e a esperança de experimentar um encontro parecido com o Criador quase toma o coração. Quase.
O livro, em suma, não traz nada de novo. Não para os do lado de cá. Lado da dor. Lado de quem aprendeu a ter fé exatamente por causa do silêncio de Deus; fé conquistada nas plagas do abandono celestial.
A tentativa de trazer à baila a igualdade homem/mulher é uma das boas coisas do livro; mostrar Deus como um pai/mãe sofredor conforta o coração de quem não tem respostas; e a apresentação de um Deus humano, limitado, alegre, jovial e diferente do que se prega nas em algumas instituições religiosas, nos aproxima do Pai; no entanto, só a Escritura basta (sola scriptura). Em meus desesperos latentes, emergentes ou manifestos, não tive – ou tenho – encontros de tal natureza com Deus. Teofania é algo que só conheço das aulas de teologia (e dos dicionários); mas ela não me é, de fato, necessária. A Escritura basta a mim.
Sabê-lo, entretanto, na lista dos mais vendidos é fato que já vale a leitura; é sempre bom leituras cristãs alcançarem sucesso no meio secular. Ainda que não cicatrizem as chagas. Assunto para o Deus real resolver.
No mais, essa fé adquirida nas intempéries da vida não pode ser assim negociada com um trio fofo numa cabana.
A Escritura me basta.
(Dáuvanny Costa)

5 comentários:

Por Ele. disse...

Livros são bons, inclusive estou relendo o Evangelho Maltrapilho, mas também penso que servem para reter o que é bom e que nunca serão mais valiosos do que uma revelação pessoal.

A Escritura/Verbo/Palavra me basta!

=D

Lou Mello disse...

De qualquer modo, foi legal ter lido A Cabana. Gosto de ler ou ouvir alguém que suponha a existência de Deus a esse nível, de chegar a comunicar-se come Ele, como criam os personagens bíblicos. Tenho tentado, mas minha fé ainda é pífia.

Dra. costa disse...

Lou, futuro vereador de Sorocaba, nenhuma fé é pífia. Nem mesmo a mais pífia... No mais, ler é sempre alimento; e já dizia meu amado Paulo: Examinai tudo; retende o bem.

Gil disse...

A Escritura me basta...fascinante.
Sei que lê muito e gosto de ler as considerações, esse livro não cheguei a ler inteiro mas lerei e depois te falo. Agora tem até uma continuação dele, essa onda de se copiar o que dá certo é pessimo, nao acha?... Bj.

Ajuda Jurídica disse...

Também não vi nada de mais no livro, apesar de ter uns pontos de vista interessantes, mas no geral gostei, apesar de achar um tanto infantil. Acho que nem o autor esperava alcançar esse sucesso por um livro tão simples. Obrigado!!