"As ruas da minha cidade
Abriram os olhos de encanto
Para te ver passar
As pedras calaram os passos
E as casas abriram janelas
Só para te ouvir cantar
Porque há muito, muito tempo
Não vinhas ao teu lugar
Ninguém sabia ao certo
Onde te procurar
Da próxima vez
Não vás
Sem deixar destino ou direção
Se houver próxima vez
Não esqueças
Leva contigo recordação
E um beijo pendurado
Ao peito do teu coração.
Quisemos saber como estavas
Se a vida tinha tomado
Bem conta de ti
Ou se a vida teve medo
E eras tu que a levava
Refugiada em tiCada verão que passava
Sentiamos-te chegar
Como era possível que o sol
Se atrevesse a brilhar
Deves trazer tantas histórias
Tantas que algumas ficaram
Caídas por aí
Outras eu tenho a certeza
O teu fogo na alma queimou
Deixaram de existirSó queremos saber se és a mesma
Que vimos partir
Não existe mundo lá fora
Que te possa destruir". (Luís Represas)
"Estou triste abaixo da consciência. E escrevo estas linhas, realmente mal-notadas, não para dizer isto, nem para dizer qualquer coisa, mas para dar um trabalho à minha DESATENÇÃO." (Fernando Pessoa/Bernardo Soares)
sábado, 1 de dezembro de 2007
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
DEFICI CONSILIO
Recentes absurdos jurídicos - e morais, ocorridos no Estado do Pará, têm sido assunto na Imprensa.
A notícia:Mulheres presas em Delegacias.
O absurdo 1: O fato é absurdo. Indiscutivelmente se trata de um acinte à Constituição da República, conquanto suas violações há muito não sejam originais.
As disparidades do sistema prisional no país demonstram seus rumos falenciais e, apesar da habitualidade, ainda me deixam sobressaltada. Isso, entretanto, não serve de escusa. O Estado errou. Severamente.
O absurdo 2: Humanistas e OAB/PA buscam meios de sanar o problema propondo 'prisão domiciliar' às senhoras que se deixarem apanhar em alguma infração.
Minha ignorância explode em questões:
1) Quem, efetivamente, é a vítima?
2) Onde são aplicados os esmagadores impostos que não fabricam prisões?
3) Um erro justifica outro?
4) Quem está sendo punido?
O Estado errou. O que não é novidade. Os envolvidos devem ser afastados e os prejudicados, indenizados. O fato é que os culpados são sempre os contribuintes; os mesmos lesados contribuintes que insistem em ser decentes. Somos força inútil.
Não sou insensível - ainda que a vida me tenha anestesiado a sensibilidade. Lamento profundamente pelo fato e pelo sofrimento da envolvida, mas lamento ainda mais pelos que choram sozinhos suas perdas e injúrias.
O desfecho:
"Porventura, meu Deus, estarei louco?" (Augusto dos Anjos in Poema Negro e eu também)
(Dáuvanny Costa)
"Porventura, meu Deus, estarei louco?" (Augusto dos Anjos in Poema Negro e eu também)
(Dáuvanny Costa)
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O Problema
domingo, 25 de novembro de 2007
Os amigos que risco
Um amigo, em referência à uma de minhas 'postagens', escreveu:
"Não consigo riscá-los [livros], nem rabiscá-los. Não consigo escrever neles. Muito mais do que meus amigos, são meus mestres, meus superiores.
Não consigo."Com a devida autorização publico seu comentário e minha resposta:
Também me era custoso - até o 2º Ano da 2ª Faculdade. Os motivos eram diversos (incluindo, na maioria das vezes, serem eles emprestados das Bibliotecas). Não conseguia. Eram meus superiores.
No entanto, volto e revolto aos livros e, nessas vezes, perdia longo tempo para achar a página ou a frase que me desassossegava ou me era necessária. Também descobri, nessas voltas e revoltas, que podia discutir com eles e a melhor forma de fazer isso era (sim!) neles. Capazes de me conter.
Não faço orelhas - isso é inadmissível! -, mas suas páginas estão repletas de papéis abarrotados de notas. Papéis, todavia, se perdem, são retirados ou mudados de lugar. Quando eu me canso de pensar daquela forma, impudentemente os retiro, mas meus marca-textos são implacáveis. Impedem-me de esquecer as opiniões de ontem. De quem eu era. Do que eu pensava. Comecei acanhadamente essa minha contravenção. Sublinhas frugais - e a lápis. Aqui e ali. Descompromissadamente. Descompromisso que se tornou sério. Patente. Urgente.
Eu estou lá. Em cada rabisco, em cada anotação, em cada sublinha. Sou eu e meus eus.
Não conseguia. Eram meus superiores. E os superiores se tornaram mestres. E os mestres, amigos. E os amigos conhecem nosso coração. Os melhores.
Simples assim.
(Dáuvanny Costa)
"Não consigo riscá-los [livros], nem rabiscá-los. Não consigo escrever neles. Muito mais do que meus amigos, são meus mestres, meus superiores.
Não consigo."Com a devida autorização publico seu comentário e minha resposta:
Também me era custoso - até o 2º Ano da 2ª Faculdade. Os motivos eram diversos (incluindo, na maioria das vezes, serem eles emprestados das Bibliotecas). Não conseguia. Eram meus superiores.
No entanto, volto e revolto aos livros e, nessas vezes, perdia longo tempo para achar a página ou a frase que me desassossegava ou me era necessária. Também descobri, nessas voltas e revoltas, que podia discutir com eles e a melhor forma de fazer isso era (sim!) neles. Capazes de me conter.
Não faço orelhas - isso é inadmissível! -, mas suas páginas estão repletas de papéis abarrotados de notas. Papéis, todavia, se perdem, são retirados ou mudados de lugar. Quando eu me canso de pensar daquela forma, impudentemente os retiro, mas meus marca-textos são implacáveis. Impedem-me de esquecer as opiniões de ontem. De quem eu era. Do que eu pensava. Comecei acanhadamente essa minha contravenção. Sublinhas frugais - e a lápis. Aqui e ali. Descompromissadamente. Descompromisso que se tornou sério. Patente. Urgente.
Eu estou lá. Em cada rabisco, em cada anotação, em cada sublinha. Sou eu e meus eus.
Não conseguia. Eram meus superiores. E os superiores se tornaram mestres. E os mestres, amigos. E os amigos conhecem nosso coração. Os melhores.
Simples assim.
(Dáuvanny Costa)
Versos Íntimos
"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"
(Augusto dos Anjos, in "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", organizado por Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001).
Grifos meus.
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"
(Augusto dos Anjos, in "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", organizado por Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001).
Grifos meus.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Livros - Sonhos Despedaçados
Os livros se apertam nas estantes. Deito meus olhos sobre eles e confesso que com alguns eu apenas flerto. Manuseio-os fortuitamente. Esses aguardam meu contato.
De outros, sou íntima; não os faço esperar. Leio e releio. Sublinho e rabisco. Alguns me atraem, me confundem e fascinam.
Alguns são tão meus que às vezes nem posso crer que não foram concebidos por mim. Hoje escolhi um desses para fazer dele meu assunto. Sonhos Despedaçados, do Larry Crabb, é minha história. Sou eu pintada por outras cores, grafada por outras linhas... Sou eu e os fragmentos de meus sonhos - e de minha alma.
Quando os sonhos se frustram, poucas coisas nos dão prazer na vida e as únicas opções parecem ser negar e manter as aparências. Fugir e fingir. Alguém pode nos acusar de dissimulação. Que nos acusem - é um fato. Volto a ele em outro texto. Hoje escrevo sobre 'Sonhos Despedaçados'.
Crabb não tenta explicar; apenas sensivelmente nos guia por um caminho de esperança. Como lhe é peculiar, foge dos chavões e das respostas simplistas para demonstrar que há algo além do que nossos olhos alcançam - ou não alcançam. A dor é sempre uma experiência solitária. Amigos podem nos oferecer ombros, ouvidos, dinheiro, tempo, palavras, livros ou uma xícara de café. Podem ficar conosco, nos dar carona, segurar-nos as mãos e até se despojar de tudo para tentar alegrar-nos. Amigos, todavia, não conhecem as nossas dores mais profundas e aterradoras. Conhecem, apenas, o que permitimos. Sequer sonham com os horrores que nos habitam as almas. Horrores esses que nos fazem desesperados e desiludidos com Deus.
Crabb não recita mantras bíblicos para fazer com que nossa superfície se sinta melhor. Ele nos confronta com a realidade do Evangelho. Puro e simples.
Não é, certamente, leitura recomendada para quem não tem sonhos despedaçados; para quem não experimentou fracassos na caminhada; para quem não aspirou a morte, impudente ou furtivamente. Não é leitura recomendada para os que não caem porque nunca subiram o suficiente para cair.
É um livro para sedentos. Para quem anseia por ter um relacionamento com Deus que exceda a todos os demais, por comunhão com outros e por transformação de vida. O livro não proporciona isso, mas abre as portas para que o entendimento de nossas reais necessidades possa se revelar em nós e por meio de nós. Independentemente das circunstâncias que sujeitam as nossas vidas. "Até descobrirmos o quão perto chegamos de desistir de Deus (...), não saberemos muito bem o que significa nos entregarmos inteiramente a ele" (Larry Crabb). Tenho livros esperando para sentirem meus dedos, para me olharem enquanto desvendo seus segredos e para conquistarem minha devoção. Talvez esperem um pouco mais; minhas releituras do Crabb são mais urgentes. O livro nasceu em mim e agora se confunde comigo. Leio e recomendo.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Lágrimas Ocultas
"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"
(Florbela Espanca)
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"
(Florbela Espanca)
Por que me feres com tua ausência?
"Onde te escondeste, amado,
e me deixaste a gemer?
Como um cervo fugiste tendo me ferido;
saí à tua procura e havias partido".
(São João da Cruz)
e me deixaste a gemer?
Como um cervo fugiste tendo me ferido;
saí à tua procura e havias partido".
(São João da Cruz)
Leio e recomendo
Desabilitei os comentários. Tive um motivo razoável para fazê-lo. Quero ler meus amigos. Não duas ou três linhas de seus pensamentos. Quero ler seus corações. Visito suas páginas; leio seus e-mails; ouço-os; escrevo para eles - sempre que posso. Aos que querem comentar (ou criticar) alguma postagem, recomendo o e-mail. Lerei. Aprenderei.
Quero lê-los. E leio. Leio suas alegrias e aflições. O que estão ouvindo e lendo. O que estão pensando. O que estão amando. Leio seus olhos. Recuso-me somente a ler duas palavras apressadas deixadas sob a caneca de café.
Quando os visito, algumas vezes comento, leio os comentários e não deixo de apreciar; mas gosto ainda mais de visitá-los furtivamente. Sem vestígios de minha presença. E sair guardando suas palavras em meu coração.
As referências ao lado são lugares que freqüentemente visito na Internet. Cataloguei o que mais me agrada. Leio e recomendo.
(Dáuvanny Costa)
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Desejo paz
"Feliz aquele que não insiste em ter razão, porque ninguém tem ou todos têm.
Feliz aquele que perdoa aos outros e aquele que perdoa a si mesmo.
Bem aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.
Que a luz de uma lâmpada se acenda, embora nenhum homem a veja. Deus a verá.
Não odeies teu inimigo, porque, se o fazes, és de algum modo seu escravo.
Teu ódio nunca será melhor que tua paz".
(Jorge Luis Borges in Fragmentos de um Evangelho Apócrifo)
Feliz aquele que perdoa aos outros e aquele que perdoa a si mesmo.
Bem aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.
Que a luz de uma lâmpada se acenda, embora nenhum homem a veja. Deus a verá.
Não odeies teu inimigo, porque, se o fazes, és de algum modo seu escravo.
Teu ódio nunca será melhor que tua paz".
(Jorge Luis Borges in Fragmentos de um Evangelho Apócrifo)
sábado, 3 de novembro de 2007
Mãos Pequenas

Não conheço o Calebe. Nunca falamo-nos. Todavia, conheço sua mãe (Alessandra Motta), e sei, por meio dela, que ele é um menino adorável. O Calebe mal completou oito anos, mas tem algo diferente das crianças de sua idade: O Calebe é um servo. É entregue. É desses que correm para os braços de Jesus e Ele diz: “Deixai-o vir a Mim”.
Alê me mostrou fotos lindas do batismo do Calebe. Desceu às águas. Novidade de vida. Ele nem tinha 'velhidade' de vida, você dirá. Sim, você terá razão. Oito anos não é muito – para mim, ainda é um bebê (considero assim os meus sobrinhos). Você dirá que crianças não sabem de quase nada. Alguns dirão que crianças não sabem de nada. E que não podem crer - mas dessa vez você não terá razão. Quase posso ver Jesus no meio dos doutores; fecho os olhos e eis Paulo aos pés de Gamaliel.
Crianças sabem sim. Sabem muito. Sabem tanto que sabem a quem amar. Quase sempre. Deve ser por isso que Jesus nos aconselhou a sermos como elas. Ele disse que delas é Seu Reino.
Receio, admito (e a Alê também), por sua pouca idade, mas vou transcrever o que disse à ela: "Deus nos quer como crianças. Quer nossa dependência e nossa entrega. Ele geralmente nos resgata do mundo, cura nossos corações corrompidos e nos torna crianças outra vez. Há momentos, no entanto, em que Ele já as busca enquanto crianças. Há espaços onde apenas mãos pequenas podem alcançar. Há obras para as quais Ele precisa de mãos pequenas. Há orações que só podem brotar desses pequenos corações".
É assim que desejo segui-lO. Quero confiar. Quero depender. Não quero fugir na primeira dificuldade e tentar resolver as coisas do meu jeito – como quase sempre tenho feito. Não! Quero chamar meu PAI para resolver. Quero ser como uma criança. Não daquelas mimadas que só desejam coisas, mas daquelas que sabem que não precisam trabalhar porque seus pais, ou um deles, lhes providencia o sustento.
Oro pelo Calebe. E pela Gi, pelo Gui, pela Dudinha, pela Mi, pela Manu. E por mim... para não cometer, para sempre, os mesmos erros.
(Dáuvanny Costa)
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Ouvindo - Eu vou Seguir
"Eu sei que os sonhos são pra sempre
Eu sei aqui no coração
Eu vou ser mais do que eu sou
Para cumprir as promessas que eu fiz
Porque eu sei que é assim
Que os meus sonhos dependem de mim
Eu vou tentar
Sempre
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez
Eu vou seguir
Não sei se os dias são pra sempre
Guardei você no coração
Eu vou correndo atrás
Aprendi que nunca é demais
Vale a pena insistir
Minha guerra é encontrar minha paz
Eu vou tentar
Sempre
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez".
Marina Elali - Eu Vou Seguir (Versão de Marina Elali e Dudu Falcão)
Eu sei aqui no coração
Eu vou ser mais do que eu sou
Para cumprir as promessas que eu fiz
Porque eu sei que é assim
Que os meus sonhos dependem de mim
Eu vou tentar
Sempre
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez
Eu vou seguir
Não sei se os dias são pra sempre
Guardei você no coração
Eu vou correndo atrás
Aprendi que nunca é demais
Vale a pena insistir
Minha guerra é encontrar minha paz
Eu vou tentar
Sempre
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez".
Marina Elali - Eu Vou Seguir (Versão de Marina Elali e Dudu Falcão)
Ressuscita-me
Não poderei me abster de comentários ao tópico anterior. Preciso fazê-lo. Não seria responsável se não o fizesse.
Todos os dias morro. Sou Lázaro. Termina o dia e termino eu. Desfaço-me em lágrimas. É o mesmo ritual. Algumas vezes, no entanto, há agravante. Agora é uma dessas vezes.
Todos os dias morro.
Ressuscito pela manhã. Obrigo-me.
Quantas vidas terei?...
(Dáuvanny Costa)
"O coração que aprende a morrer com Cristo logo conhece a bendita experiência de ressuscitar com Ele, e todas as perseguições do mundo não podem silenciar a nota aguda de alegria santa que brota na alma que se fez habitação do Espírito Santo." (A.W.Tozer)
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Insuportável
Hoje não aguento mais...
ultrapassei todos os limites possíveis do suportável.
Vou ali morrer e já volto.
(Dáuvanny Costa)
ultrapassei todos os limites possíveis do suportável.
Vou ali morrer e já volto.
(Dáuvanny Costa)
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
domingo, 28 de outubro de 2007
Ouvindo - Sonho Impossível
"Sonhar
Mas um sonho impossível,
Lutar, quando é fácil ceder,
Vencer, o inimigo invencível,
Negar, quando a regra é vender.
Sofrer, a tortura implacável,
Romper, a incabível prisão,
Voar, no limite improvável,
Tocar o inacessível chão.
É minha lei,
é minha questão,
Virar esse mundo,
Cravar esse chão.
Não me importa saber
Se é terrível demais,
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz.
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão,
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão.
E assim, seja lá como for,
Vai ter fim a infinita aflição.
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão".
(Chico Buarque/Ruy Guerra)
Versão da música “The Quest - The impossible dream” de Joe Darion/Mitch Leigh
Mas um sonho impossível,
Lutar, quando é fácil ceder,
Vencer, o inimigo invencível,
Negar, quando a regra é vender.
Sofrer, a tortura implacável,
Romper, a incabível prisão,
Voar, no limite improvável,
Tocar o inacessível chão.
É minha lei,
é minha questão,
Virar esse mundo,
Cravar esse chão.
Não me importa saber
Se é terrível demais,
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz.
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão,
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão.
E assim, seja lá como for,
Vai ter fim a infinita aflição.
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão".
(Chico Buarque/Ruy Guerra)
Versão da música “The Quest - The impossible dream” de Joe Darion/Mitch Leigh
Escritores versus Vendedores de Livros

Dia desses, alguém, ao ver um folder de livro, perguntou-me se eu poderia, em poucas palavras, falar sobre o que havia escrito. Perguntou-me, sem rodeios, se eu poderia resumir meu livro para ele se decidir (ou não) pela compra. Pergunta, aliás, que os escritores adoram; anos escrevendo para alguém querer apreender sucintamente, para decidirem se comprar. Ah! A alma humana!...
- Pode explicar melhor?...
- Posso, mas não quero.
.
(Dáuvanny Costa)
sábado, 27 de outubro de 2007
Leonardos
Ontem visitei uma exposição de Da Vinci.
Leonardo da Vinci é considerado por muitos o maior gênio da história, devido à sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, sua engenhosidade e criatividade, além de suas obras polêmicas. Num estudo realizado por Catherine Cox, seu QI foi estimado em cerca de 180. Outras fontes mencionam 220.
Impressionante como a mente humana é ilimitada. Somos nós que a contemos...
(Dáuvanny Costa)
Leonardo da Vinci é considerado por muitos o maior gênio da história, devido à sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, sua engenhosidade e criatividade, além de suas obras polêmicas. Num estudo realizado por Catherine Cox, seu QI foi estimado em cerca de 180. Outras fontes mencionam 220.
Impressionante como a mente humana é ilimitada. Somos nós que a contemos...
(Dáuvanny Costa)
Cláusulas
"Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas de amanhã
com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento que lembra a Terra e sua púrpura demente?
E mais aquela ferida que me inflijo a cada hora,
algoz do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea".
(Carlos Drummond de Andrade)
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas de amanhã
com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento que lembra a Terra e sua púrpura demente?
E mais aquela ferida que me inflijo a cada hora,
algoz do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea".
(Carlos Drummond de Andrade)
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Poema em Linha Reta
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza".
(Fernando Pessoa/Álvaro de Campos)
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza".
(Fernando Pessoa/Álvaro de Campos)
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Eu terei esperança?

Estava procurando algo para escrever aqui. Não poderiam ser meus pensamentos tampouco poderiam ser meus sentimentos porque hoje estou com a angústia dilacerando minha alma. Procurei em meus arquivos. Apenas relatos desesperadores. Não servem, pensei. Desisti de escrever. Visitei alguns blogs. Encontrei o texto abaixo no do meu amigo, André Lamano. Um texto gritando sobre coisas difíceis. O mundo pensa que é fácil. Eu poderia escrever mais umas 16 páginas apenas falando das coisas difíceis que vivi e que tenho vivido. Para quê? Isso não apaga minhas dores; não dissipa minha angústia; não alegra meu coração, e não alcança o leitor. Para quê? Isso não apaga as coisas horríveis - e às vezes ridículas - que tenho de suportar. Perdas, dificuldades, incertezas, decepções, humilhações, provocações, perseguições e desprezo. O mundo pensa que é fácil. Só consigo me lembrar de Pessoa: "Falhei em tudo" (Tabacaria).
Deparei-me com o texto abaixo. O que ele me acrescenta? Não sei mais ter esperança. O texto poderia ter sido escrito por mim - são as palavras que meus lábios vertem e hoje estou com vontade de lágrimas. O texto poderia ter sido escrito por mim - e eu quero novamente aprender a ter esperança.
(Dáuvanny Costa)
˝Eu sempre terei esperança˝(Salmo 71.14)
Não é qualquer um que tem experiência suficiente para declarar como o salmista: ˝Eu sempre terei esperança˝. Não é fácil ter esperança se não há motivo para ter esperança, senão a promessa às vezes longínqua e às vezes não muito precisa da parte de Deus. Não é fácil ter esperança se o problema é enorme, crescente, complexo e já vem de longa data. Não é fácil ter esperança se o elemento complicador são pessoas sem afeto, sem sabedoria, sem interesse. Não é fácil ter esperança se o passado é como o presente e o presente é como o passado, e tudo continua sempre na mesma. Não é fácil ter esperança se a medicina nada mais pode fazer, se a morte já está próxima, se a morte já chegou, se a morte já se foi levando nos braços o ente querido.
Não é fácil ter esperança se o túnel é sem saída, se não há nenhuma luz acesa, se não há nenhum farol junto aos rochedos, se não há nenhuma estrela no céu. A despeito de tudo, o autor do Salmo 71 quer ter esperança, não abre mão da esperança e garante que vai conseguir: ˝Eu sempre terei esperança˝. Naturalmente ele aprendeu com o velho Abraão a fabulosa arte de ter esperança contra toda a esperança (Romanos 4.18). De colocar a fé acima do raciocínio, o invisível acima do visível, o possível acima do impossível, a certeza acima da expectativa, o fato acima das emoções e o mundo vindouro acima do mundo presente.
(Elben M. Lenz César)
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Não desisto
"Acho que estou ficando velho. Ainda uso as conjunções, admito a existência do a-bê-cê e obedeço à gramática". (Carlos Drummond de Andrade)
sábado, 29 de setembro de 2007
Não preciso de defesa
Recentemente recebi comentários acerca de meu modo de escrever. Comentários irônicos e agressivos. Interessou-me, sobretudo, porque nunca imaginei que dar atenção à gramática pudesse ser ofensivo aos meus destinatários. Isso se chama educação.
Procuro, obviamente, não usar uma linguagem rebuscada ou desnecessária, mas cubro o léxico português de carinho. Isso se chama estilo.
A situação supracitada surpreendeu-me. Não era algo que esperasse, no entanto, fiquei contente. Gosto de me sentir acima do nível da mediocridade. Isso se chama esperança.
Quanto aos meus posicionamentos teológicos manifestados no blog - ou fora dele: Graças a Deus ninguém comete crime por pensar. E eu penso.
Certamente, parafraseando Almeida Garrett, qualquer escreverá melhor que eu, poucos o farão com tanta alma. Isso se chama fé.
(Dáuvanny Costa)
Procuro, obviamente, não usar uma linguagem rebuscada ou desnecessária, mas cubro o léxico português de carinho. Isso se chama estilo.
A situação supracitada surpreendeu-me. Não era algo que esperasse, no entanto, fiquei contente. Gosto de me sentir acima do nível da mediocridade. Isso se chama esperança.
Quanto aos meus posicionamentos teológicos manifestados no blog - ou fora dele: Graças a Deus ninguém comete crime por pensar. E eu penso.
Certamente, parafraseando Almeida Garrett, qualquer escreverá melhor que eu, poucos o farão com tanta alma. Isso se chama fé.
(Dáuvanny Costa)
Resistindo às mesmices
"Aconselho-te, pois, paciente leitor, a comprar um bilhete inteiro da próxima extração. Compra-o e rasga-o em pedacinhos. E lança-os aos quatro ventos do Destino. Verás o que é a sensação, verás como sacodes a alma dessa medíocre mesmice de sempre, e verás como vibras, como vives a vida!"...
(Mário Quintana)
(Mário Quintana)
A dúvida que corrói
"Disseram-me que Deus me ama, e ainda assim a escuridão, o frio e o vazio são tão grandes que nada toca minha alma. Terei eu errado ao me entregar cegamente ao chamado do sagrado coração?"
(Teresa de Calcutá)
(Teresa de Calcutá)
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Livros - O Monge e o Executivo
São tecidos os melhores comentários para o livro 'o monge e o executivo'; naturalmente insaciável por conhecimento, não pude me furtar à curiosidade de lê-lo para tecer minhas próprias considerações.
O livro não é de todo ruim, muito embora deixe a desejar e a manchete seja muito melhor que a notícia. O autor repisa assuntos já tratados; visita e revisita a Bíblia numa obra pueril. O melhor da obra são as frases que James Hunter empresta de outros. Interessou-me muito a ênfase que o autor dá ao amor como fator de liderança. “Servir para liderar”, disse Aquiles em Tróia, e essa é a grande lição do livro. O ponto forte do livro é o capítulo 7 – último, aliás.
Sintetizando, sejamos símplices como os monges e prudentes como os executivos... (paráfrase livre de Mt. 10.16).
No mais, o desejo de Jesus não era ser um líder. Nunca foi. Não aqui.
James Hunter não é grande escritor, apenas transmissor de idéias; notável mesmo é o livro ter ganho tanta repercussão.
(Dáuvanny Costa)
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Ilusões de Florbela
"Fizeram-se ruínas todas as minhas ilusões, e, como todos os corações verdadeiramente sinceros e meigos, despedaçou-se o meu para sempre. Podiam hoje sentar-me num trono, canonizar-me, dar-me tudo quanto na vida representa para todos a felicidade, que eu não me sentiria mais feliz do que sou hoje. Falta-me o meu castelo cheio de sol entrelaçado de madressilvas em flor; falta-me tudo o que eu tinha dantes e que eu nem sei dizer-te o que era... É a história da minha tristeza. História banal como quase toda a história dos tristes".
(Florbela Espanca)
(Florbela Espanca)
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Minha fé não cansa mas se cansa
Cansei dos escritos de meu tempo.
Cansei da pseudo-intelectualidade, do vazio dos discursos, das opiniões sem fundamento, da leviandade e da vileza das sustentações.
Cansei também da falta de beleza nos escritos de meu tempo. Pior: cansei dos poetas, dos profetas e dos religiosos.
Cansei de agora. Cansei de antes. Cansei de tudo.
Cansei dos pregadores de hoje – com irrefutável razão, todavia, cansei também dos pregadores de ontem, das opiniões dos outros, do Cristianismo maculado e do esquecimento da Bíblia.
Cansei das teorias, das fórmulas, dos decretos e das máximas. Cansei, principalmente, dos chavões religiosos.
Cansei dos Macedo, dos Soares, dos Lucados, dos Sobel, dos Marcelos – e não se adiante em me chamar pretensiosa, mas cansei também dos Gondins, dos Caios, dos Luteros, dos Calvinos, dos Yanceys, dos Chucks, dos Lewis. Cansei de mim. Reconheço, admito e confesso tê-los lido e aprendido com estes. Cada um, à sua maneira, têm palavras que encantam.
Hoje, todavia, eu desejo mais, eu anelo mais, eu aspiro mais. Por mais contraproducente que possa parecer, aspiro o simples: a mensagem da cruz. Quero-a de volta. Quero voltar a ler a Bíblia com a simplicidade dos primeiros tempos, com a inocência das primeiras letras. Quero voltar a ter olhos de criança.
Cansei das certezas dos outros. Quero que a Bíblia me inunde – até o transbordamento.
Quero me livrar da religião. Quero Cristo em mim. Quero aquele evangelho de outrora. Sem promessas ou expectativas. Hoje, quando meus planos se frustram, minha fé tenta deixar-me. Ela me pede 'um tempo'. Meu espírito angustiado não tem forças para argumentar; a fé, então, me diz que não pode permanecer em espaço tão congestionado de dúvidas. As dúvidas, de tão densas, se tornam quase tangíveis. Peço à ela para permanecer, cito Agostinho, Lewis, Barth e Bonhoeffer. Leio, para ela, Spurgeon. Não convenço-a. Não convenço-me. Não sou eu.
Ele quer a mim, não quer o Agostinho que li. O conhecimento alheio, por mais célebre e profundo que seja, não foi gerado em mim. Não nasceu de mim. Preciso das minhas certezas. A fé, ao notar minha procura, se arrisca a ficar um pouco mais e tentar conviver com as dúvidas. Brado, como desesperada, que não a quero, que ela pode partir; mas pobre de mim (!), ela sabe coisas que não sei – na verdade, não sei nada – e ela me fere como um punhal, mas seu desejo, estou certa, é curar-me. Não entendo-a. Não entendo o Mestre por tantas vezes usar de um tratamento tão duro com uma criatura tão frágil como eu, tão cheia de incertezas e obscuridades – tão pequena. Talvez eu não o entenda porque cansei.
Hoje minha alma quer somente descansar e recuperar as forças para buscar as minhas certezas. Que, espero, sejam as dEle.
(Dáuvanny Costa)
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
terça-feira, 31 de julho de 2007
Verdades
[...] Então, olhei no fundo dos seus olhos doces e esperançosos e disse: 'sou uma mulher de muitas dores pelas feridas que sangram, por isso vivo intensamente cada minuto de prazer...'
(Dáuvanny Costa)
(Dáuvanny Costa)
sábado, 7 de julho de 2007
Prezados Idiotas da Galácia
..."Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho. O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Por que, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Deus" (Gálatas 1.6-10).
"Anátema" pode ser traduzido por "amaldiçoado". Paulo, dono de personalidade colérica e zeloso da fé, não receava o emprego das palavras. O texto supra foi escrito/ditado aos Gálatas: "Ó gálatas insensatos", ele bradava. Bem poderia ter sido escrito em nossos tempos, com outras vestimentas: "Ó brasileiros insensatos" ou "Ó crentes insensatos", talvez. Insensatos por transformarem pregações em mega eventos; igrejas em mega templos e pastores em mega empresários.
Descreio da igreja atual, dos discursos vazios que despedem os ouvintes mais vazios ainda. Em lugar de abrigo, são centros de auto-ajuda, com a função precípua de fazer com que os ouvintes sintam mais culpa pela falta de oferta pecuniária que pela falta de caráter.
Quem inventou outro evangelho, deturpando o evangelho da graça? Um evangelho novo que lota templos, mas esvazia corações. A adoração ao Pai cede lugar à adoração a si mesmo: boa mesa, boa casa e boa vida.
Prezados Idiotas da Galácia, que exultam com o mercadejo da fé, que se calam diante do mercado do logro e do cinismo, que caçam bênçãos enquanto fogem do Abençoador. Que pregam a si mesmos, negligenciando o Deus pregado. Quem os fez tão céticos? Crendo apenas nas efemeridades desse mundo? Sua fé é vã.
Que coisa, como escreveu Vieira, é a conversão de uma alma senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo?
As palavras bastam para ouvidos néscios; para falar aos corações são necessárias obras.
(Dáuvanny Costa)
"Anátema" pode ser traduzido por "amaldiçoado". Paulo, dono de personalidade colérica e zeloso da fé, não receava o emprego das palavras. O texto supra foi escrito/ditado aos Gálatas: "Ó gálatas insensatos", ele bradava. Bem poderia ter sido escrito em nossos tempos, com outras vestimentas: "Ó brasileiros insensatos" ou "Ó crentes insensatos", talvez. Insensatos por transformarem pregações em mega eventos; igrejas em mega templos e pastores em mega empresários.
Descreio da igreja atual, dos discursos vazios que despedem os ouvintes mais vazios ainda. Em lugar de abrigo, são centros de auto-ajuda, com a função precípua de fazer com que os ouvintes sintam mais culpa pela falta de oferta pecuniária que pela falta de caráter.
Quem inventou outro evangelho, deturpando o evangelho da graça? Um evangelho novo que lota templos, mas esvazia corações. A adoração ao Pai cede lugar à adoração a si mesmo: boa mesa, boa casa e boa vida.
Prezados Idiotas da Galácia, que exultam com o mercadejo da fé, que se calam diante do mercado do logro e do cinismo, que caçam bênçãos enquanto fogem do Abençoador. Que pregam a si mesmos, negligenciando o Deus pregado. Quem os fez tão céticos? Crendo apenas nas efemeridades desse mundo? Sua fé é vã.
Que coisa, como escreveu Vieira, é a conversão de uma alma senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo?
As palavras bastam para ouvidos néscios; para falar aos corações são necessárias obras.
(Dáuvanny Costa)
Espíritos desarmados
Vivemos, com efeito, dias um tanto bárbaros. Aposto, e não os perderei, os dois mindinhos como os que defendem isso que chamam de políticas de redução de danos eram favoráveis, por exemplo, à proibição da venda de armas legais. Uma das desgraças do país é esse progressismo de fachada. As armas que matam, como sabemos, são as ilegais. Proibir a sua venda corresponderia a conceder num bem abstrato que, na prática, nos afastaria, como provam o Complexo do Alemão ou o terrorismo do PCC, de uma resposta para o problema real.
(Reinaldo Azevedo)
(Reinaldo Azevedo)
sábado, 9 de junho de 2007
Carta de uma mãe à outra
"Hoje vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência. Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação, contam com o apoio de comissões, pastorais, órgãos e entidades de defesa de direitos humanos. Eu também sou mãe e bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu companheiro, que desempenha importante papel de amigo e conselheiro espiritual. Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo... Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila,viu? Que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem."
(Romeu Prisco)
(Romeu Prisco)
sábado, 2 de junho de 2007
terça-feira, 15 de maio de 2007
Sempre outono
Minha vida é outono,
folhas caídas, vento, tristeza úmida de tempo,
varredura de sonhos em folhas amontoadas;
primavera fugidia, harmonia escura de claridade,
que estação...
que está...
são folhas levadas.
Minha vida é outono.
folhas caídas, vento, tristeza úmida de tempo,
varredura de sonhos em folhas amontoadas;
primavera fugidia, harmonia escura de claridade,
que estação...
que está...
são folhas levadas.
Minha vida é outono.
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Páscoa
..."Come chocolates, pequena,
come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida."
(Fernando Pessoa in Tabacaria)
[...] E eu, que me perco nas letras e mal conheço as palavras, desejaria apenas me converter - transmudando o poema de Pessoa - com a mesma verdade com que o mundo come chocolates.
(Dáuvanny Costa)
come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida."
(Fernando Pessoa in Tabacaria)
[...] E eu, que me perco nas letras e mal conheço as palavras, desejaria apenas me converter - transmudando o poema de Pessoa - com a mesma verdade com que o mundo come chocolates.
(Dáuvanny Costa)
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