"Estou triste abaixo da consciência. E escrevo estas linhas, realmente mal-notadas, não para dizer isto, nem para dizer qualquer coisa, mas para dar um trabalho à minha DESATENÇÃO." (Fernando Pessoa/Bernardo Soares)
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Santo de Casa
O ser humano tem o dom de procurar
sombras quando a luz está à frente, embrenhando-se pelos caminhos do amor ao que
não conhece. O dom de amar o inatingível artista de tv e aplaudir suas tolices.
O dom de aplaudir a celebridade instantânea de rosto bonito e cabeça vazia. O
dom de admirar os sem-religião, sem-moral e sem-temor. O dom de se expressar de
forma magnânima enquanto grita "ele merece" a alguém que nunca havia visto antes e que lhe é apresentado por um animador de auditórios, que, em desenfreado desespero por números, atua como salvador.
O ser humano se deixa seduzir pelo
brilho da moda, brilho que não acende nada de verdadeiro em sua humanidade,
antes a deslumbra numa alegria cega e letárgica que nunca poderá transformar
seu ser. Admira o desconhecido, aplaude o visitante que chega sem licença,
louva a imbecilidade das personalidades descartáveis. Segue padrões ditados por
pessoas prestigiadas como celebridades, mas moralmente enfermas.
Enquanto isso, ignora as celebridades nas sombras e
buracos do mundo. Celebridades que celebram mistérios desconhecidos.
Celebridades que jamais foram entrevistadas em programas de televisão. Célebres
por ser quem são, célebres cuja celebridade está na luta constante pela vida que
não podem negar em si mesmas.
Célebres. Mães abandonadas que
ousaram ser mães e pais sem declinar de sua luta.
Pais que ousaram, da mesma forma,
também se converterem em mães, celebrando em si mesmos o milagre de semear e
irrigar.
Pais e mães que semeiam e parem com o coração na sublime missão de
criar filhos não havidos de si.
Religiosos que creem na religião sem
descrer do Evangelho da graça.
Advogados que não se rendem às
facilidades da profissão, insistindo na missão que os fez trilhar caminhos
ladeados de dores e sacrifícios.
Juízes que não relativizam a aplicação da lei em nome de uma suposta 'justiça social'.
Juízes que não relativizam a aplicação da lei em nome de uma suposta 'justiça social'.
Médicos exaustos que insistem na
capacidade sobrenatural de renovarem a vida.
Cristãos sedentos pela fonte da Água
Viva que brota do trono celestial.
Intelectuais desanimados pela agrura
do zelo, mas constantes nos propósitos escolhidos por suas almas.
Célebres. Merecedores de
celebrações. No entanto, a humanidade em nós, que nos afasta da inexprimível
sublimidade do divino, nos faz desprezar o que conhecemos, na tentativa de
fugir da graça.
O que faz um homem já beirando os cinquenta
anos voltar à escola para terminar o ensino fundamental? O que faz uma mulher
lavar roupas para fora para alimentar seus filhos? O que faz um professor
dedicar horas de seu tempo a ensinar valores? O que faz uma mulher perseguir um
sonho mesmo que tudo pareça contra ela? O que faz um Policial se entregar à
morte protegendo um ideal? O que faz um cristão não se render às armadilhas da
estrada? O que faz uma mulher ser fiel a um homem e à sua memória, quando
ausente dela? O que faz uma mãe arrumar a cama do filho que não voltará? O que faz uma viúva prosseguir e sorrir mesmo com a dor paralisante de sua alma? O que faz um homem trabalhar honestamente mesmo com
todos os exemplos de vitória barata? O que faz um trabalhador ser esmagado por impostos e não renunciar à dignidade do trabalho? O que faz um homem escolher uma só mulher
para amar e a ela se entregar sem reservas e sem receios? O que faz uma esposa
deixar seu lar para limpar e cuidar do lar de outrem? O que faz um homem ser um
homem?
O que faz essas coisas maravilhosas
acontecerem é o milagre da graça; a esperança da glória; a poetização do divino
em nós; a celebração que faz de nós celebridades anônimas.
Ainda assim, mesmo com tantos
exemplos de maravilhosa graça se derramando no homem, esse prefere se admirar
do pouco, do pequeno, do medíocre, banalizando a excepcionalidade do que é
comum, do que é familiar, de seres imperfeitos que tentam alcançar a perfeição
com gestos simples e tantas vezes não notados e mal interpretados. A
familiaridade retira de nós a amplitude da maravilha: "Não é este o
carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de
Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele. E Jesus
lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus
parentes, e na sua casa" (Marcos 6.2-4).
Isso é a banalização da maravilha. O
homem se negando a admirar o que lhe é familiar. Era inequívoca a maravilha que
se projetava à frente daquelas pessoas, na figura de Jesus, mas Ele era "apenas" o carpinteiro, o vizinho, o familiar e o comum. A familiaridade que destrói e
corrompe. A familiaridade que evita a graça que transborda do comum, do irmão,
do vizinho, do amigo, do cônjuge.
Os olhos se perdem nos talentos
imaginados no outro desconhecido. Assim, admira-se a devoção do marido da
outra, a beleza da mulher do outro, a inteligência do irmão do amigo, a
sabedoria do pregador que nem sabemos pronunciar o nome. Para nós, o milagre
não pode nascer ao nosso lado, a graça não pode ser derramada sobre alguém que
conhecemos e sabemos onde vive. Para nós, a sabedoria que vem do alto não paira
naquele que convive conosco.
Bem-aventurados os que se maravilham
do comum; que aprendem a admirar a santidade de seu irmão, a fidelidade de seu
cônjuge, a beleza de seus filhos, a inteligência de seu amigo, a sabedoria de
seus pais, a honestidade de seu igual.
Bem-aventurados os que sabem que
negar a maravilha que há no nosso igual é negar a graça.
Bem-aventurados os que
não resmungam que "santo de casa não faz milagre".
(Dáuvanny Costa)
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Terrae Brasilis
Os discursos da PresidAnta podem ser lidos - e alguns, ouvidos - clicando aqui. Seriam cômicos, se não fossem absurdamente trágicos.
(Dáuvanny Costa)
terça-feira, 18 de junho de 2013
ESTADO DE CONFUSÃO
Inicio com uma frase muito usual
ultimamente: não me representam. O tal "gigante adormecido" que caminha pelas
ruas não passa de uma massa homogênea e disforme que não conhece limites e não
respeita autoridade.
Acompanho as manifestações com
preocupação e temor buscando alguma identificação, algo com que também possa
alegrar-me. Não encontro. Pululam descontentamentos na massa. Os protestos
transitam entre os mais distintos: O preço da passagem é muito alto – deveria
ser de graça. O número de creches é pequeno – deveria ser maior. Os hospitais
possuem poucos leitos – deveriam possuir mais. Os preparativos para a Copa do
Mundo empreenderam muito dinheiro público - mas há complacência com as "bolsas-tudo". Os ingressos para a Copa das
Confederações deveriam ser de graça; as escolas deveriam abrir mais vagas; deveria haver mais policiamento nas ruas - mas não nas ruas por onde passam os manifestantes e
etc.. Causa-me espécie a celebração dos incautos.
Intrinsecamente, os protestos são
todos pela mesma causa: mais intervenção estatal e mais "coisas de graça". Quase
todos. Havia ali uma pequena minoria defendendo o livre mercado e carregando
cartazes com citações de Ayn Rand. Ali, no meio da turba, homogeneizando-se com
ela e celebrando aparecer nas páginas da Carta Capital. Nauseabundo. Intrinsecamente, os
protestos ganharam a mesma causa: aparecer.
As caminhadas são pelos mais
variados motivos, por todos os motivos, e, inclusive, pelo direito de outrem
protestar. Protesto pelo protesto. Revolução que se agita no seio da massa, em
sua caminhada sem sentido, homogênea conquanto polimorfa, engajada em
causa encetada por grupos radicais que visam o poder, grupos que foram traídos
pelo governo da situação, governo esse que, momentaneamente, se desfez de seus
ideais marxistas e seguiu a cartilha do antecessor – não que o antecessor fosse
melhor, obviamente; apenas menos nocivo.
As caminhadas não são agendadas
para o final de semana. Elas não servem ao seu propósito se não atrapalharem o
trânsito e a vida dos trabalhadores que voltam para casa após o expediente
diário. Elas não servem se não promoverem o caos, a baderna, o vandalismo e os
ataques à Polícia. Elas não servem – principalmente em São Paulo – se não
atacarem o governo da oposição – que nem oposição sabe ser.
Exultar quando os oportunistas
seguem o padrão do governo federal – fingindo rivalizar com ele – apenas gera
transtorno, não torna o Brasil um país melhor para nós ou para gerações vindouras. Os
métodos utilizados pelos organizadores dos protestos são os mesmos métodos
seguidos por aqueles que eles fingem odiar: confusão e caos. Saber que
Policiais são agredidos e condenados e mesmo assim celebrar não torna ninguém
melhor que os criminosos que tomaram o país de assalto – ainda que tenha sido
pelo voto popular.
Constrange-me encontrar representantes da Ordem
dos Advogados do Brasil por ali. Coniventes com a massa, eles não protestam –
seja lá o que isso signifique no momento; apenas observam solidários,
aguardando qualquer violação de direitos para agir. Policiais foram insultados
e agredidos no exercício de seu ofício – dentre os quais destaco o soldado
Wanderlei Paulo Vignoli, covardemente espancado pela turba ensandecida – e não
receberam da OAB olhar de complacência.
Surpreendentemente, o art. 2º do
Estatuto de Ética da OAB (Lei 8906/94), reza: "O advogado, indispensável à
administração da Justiça, é defensor do Estado democrático de direito, da
cidadania, da moralidade pública, da Justiça e da paz social, subordinando a
atividade do seu Ministério Privado à elevada função pública que exerce [...]".
Solidarizar-se com a desordem não é atribuição da OAB; a anuidade escorchante
arrancada dos advogados não deve servir a fins escusos. A função da OAB é
defender os interesses dos advogados, haja vista esses a manterem, bem como os
interesses da sociedade, defendendo a democracia. Onde se encaixa, no artigo
aludido, a presença da OAB no meio da manifestação?
Obviamente não estou satisfeita
com o status quo; mas minha ideia de justiça não compactua com mais "coisas
grátis" para quem nunca fez sacrifícios na vida, para quem não empreendeu
qualquer esforço pessoal e para quem não sabe o significado da palavra dor.
Luto por condições dignas em que cada um possa adquirir educação e saúde de qualidade
e para que cada um possa melhorar sua vida por si mesmo. Luto por punição
exemplar para criminosos, destarte, não posso ser conivente com delitos de
qualquer ordem.
Não seja ingênuo; não se deixe enganar por discursos vazios e
não compactue com o mal. Não pense que pode "vencer o inimigo" em um campo que
ele conhece bem. No meio da turbamulta, erga os olhos e não será difícil
enxergar os destroços e os rumos. Nós, os indivíduos privilegiados, os
que conseguimos enxergar o abismo para onde segue a caminhada, somos melhores do
que isso e podemos dizer, sem receio: "não temos nada com isso e vocês não nos representam". O projeto gramcista em curso no Brasil deve ser abortado NAS URNAS. Ou viraremos Cuba – com turba ou sem turba.
(Dáuvanny Costa)
(Dáuvanny Costa)
sábado, 4 de maio de 2013
Sê forte e corajoso
Por vezes, a força cansa de ser forte.
O que nos resta é ficar quietos nos braços de Deus - e apenas confiar.
(Dáuvanny Costa)
O que nos resta é ficar quietos nos braços de Deus - e apenas confiar.
(Dáuvanny Costa)
quinta-feira, 28 de março de 2013
Os três porquinhos reaças
Era uma vez três porquinhos: Cícero, Heitor e Prático. Um belo dia, os três porquinhos decidiram sair da casa de sua mãe e construir as próprias casas. Cícero construiu para si uma casa de palha, Heitor, uma casa de madeira, e Prático, uma casa de tijolos. Cícero e Heitor construíram rapidamente suas casas, enquanto Prático demorou mais para construir a sua, já que era mais difícil erguer paredes de tijolos do que de palha ou de madeira.
Certa vez, apareceu um lobo nas redondezas. Movido por sua natureza predatória, o lobo quis devorar os porquinhos. Indo à casa de Cícero, o lobo bateu à porta. Cícero se escondeu, mas o lobo derrubou a casa com seu poderoso sopro, fazendo Cícero fugir. Em seguida, o lobo foi à casa de Heitor, que também se escondeu quando o lobo bateu à porta. Novamente, o lobo usou seu sopro poderoso, derrubando a casa do segundo porquinho, que fugiu para a casa de seu irmão Prático – onde encontrou Cícero, que fugira para lá antes.
O lobo, então, foi à casa de Prático. Tentou derrubar a casa, mas não conseguiu, pois a casa de tijolos era bem forte. Então, o lobo empreendeu uma nova tática e, vendo que a casa tinha uma chaminé, tentou usá-la para entrar na casa. No entanto, Prático acendeu o fogo e pôs sobre ele uma panela, que começou a queimar a cauda do lobo. O lobo fugiu, machucado, e os porquinhos ficaram a salvo. Mas não por muito tempo.
Dias depois, todos os jornais noticiaram que o pobre lobo havia sido discriminado pelos três porquinhos, que haviam adotado uma postura conservadora e reacionária contra o lobo por não quererem entender a sua natureza. O lobo entrou com uma representação na Secretaria Especial da Igualdade Animal da Presidência da República, que encaminhou o caso ao Ministério Público Animal. O Ministério Público Animal, após alguns dias de investigação, encaminhou denúncia à Justiça Animal contra os três porquinhos por especismo (preconceito contra uma espécie) e tentativa de lupicídio. Diversas ONGs do movimento lupino promoveram “esculachos” na frente da casa dos porquinhos, denunciando o inaceitável conservadorismo suíno. O Conselho Lupinista Missionário publicou uma carta-aberta do lobo, denunciando que o ato cometido contra ele pelos porquinhos representava o genocídio que a nação lupina sofria nas mãos da elite suína.
A comoção nacional foi geral. Passeatas foram convocadas nas redes sociais contra o genocídio lupino, com os revoltados acrescentando em seus nomes o termo Loboni-Uivoá em homenagem ao pobre lobo. Personalidades animais manifestaram-se no Twitter, deram declarações a jornais e revistas, e até um vídeo foi elaborado com atores de uma prestigiosa emissora de televisão para sensibilizar as pessoas. O Executivo criou a Campanha do Despanelamento com a justificativa de recolher as panelas clandestinas para reduzir os índices de violência e promover uma cultura de paz. As ONGs do movimento lupino entraram com uma ação de expropriação contra os porquinhos com base em estudos que apontavam que aquela região pertencia originalmente aos ancestrais lupinos, expulsos dali pelo agronegócio suíno muitas décadas antes. A Justiça Animal considerou a ação procedente, acatou o pedido e despejou os porquinhos, ordem que foi cumprida pela Força de Segurança Animal, dando a casa para o lobo. Presos, os porquinhos foram condenados pela Justiça Animal pelos crimes de tentativa de lupicídio e especismo, o que rendeu a eles uma pena bastante pesada. Importantes apoiadores da causa lupina, como o Frei Lobonardo Boff, disseram que aquele era um dia especial para todas as vítimas do especismo reacionário dos porcos brancos de olhos azuis, e outros aplaudiram a decisão da Justiça Animal, que certamente representava a valorização das lutas históricas dos povos lupinos.
O lobo, então, foi à casa de Prático. Tentou derrubar a casa, mas não conseguiu, pois a casa de tijolos era bem forte. Então, o lobo empreendeu uma nova tática e, vendo que a casa tinha uma chaminé, tentou usá-la para entrar na casa. No entanto, Prático acendeu o fogo e pôs sobre ele uma panela, que começou a queimar a cauda do lobo. O lobo fugiu, machucado, e os porquinhos ficaram a salvo. Mas não por muito tempo.
Dias depois, todos os jornais noticiaram que o pobre lobo havia sido discriminado pelos três porquinhos, que haviam adotado uma postura conservadora e reacionária contra o lobo por não quererem entender a sua natureza. O lobo entrou com uma representação na Secretaria Especial da Igualdade Animal da Presidência da República, que encaminhou o caso ao Ministério Público Animal. O Ministério Público Animal, após alguns dias de investigação, encaminhou denúncia à Justiça Animal contra os três porquinhos por especismo (preconceito contra uma espécie) e tentativa de lupicídio. Diversas ONGs do movimento lupino promoveram “esculachos” na frente da casa dos porquinhos, denunciando o inaceitável conservadorismo suíno. O Conselho Lupinista Missionário publicou uma carta-aberta do lobo, denunciando que o ato cometido contra ele pelos porquinhos representava o genocídio que a nação lupina sofria nas mãos da elite suína.
A comoção nacional foi geral. Passeatas foram convocadas nas redes sociais contra o genocídio lupino, com os revoltados acrescentando em seus nomes o termo Loboni-Uivoá em homenagem ao pobre lobo. Personalidades animais manifestaram-se no Twitter, deram declarações a jornais e revistas, e até um vídeo foi elaborado com atores de uma prestigiosa emissora de televisão para sensibilizar as pessoas. O Executivo criou a Campanha do Despanelamento com a justificativa de recolher as panelas clandestinas para reduzir os índices de violência e promover uma cultura de paz. As ONGs do movimento lupino entraram com uma ação de expropriação contra os porquinhos com base em estudos que apontavam que aquela região pertencia originalmente aos ancestrais lupinos, expulsos dali pelo agronegócio suíno muitas décadas antes. A Justiça Animal considerou a ação procedente, acatou o pedido e despejou os porquinhos, ordem que foi cumprida pela Força de Segurança Animal, dando a casa para o lobo. Presos, os porquinhos foram condenados pela Justiça Animal pelos crimes de tentativa de lupicídio e especismo, o que rendeu a eles uma pena bastante pesada. Importantes apoiadores da causa lupina, como o Frei Lobonardo Boff, disseram que aquele era um dia especial para todas as vítimas do especismo reacionário dos porcos brancos de olhos azuis, e outros aplaudiram a decisão da Justiça Animal, que certamente representava a valorização das lutas históricas dos povos lupinos.
Em tempo: esta é uma adaptação livre de um conto infantil, e se trata apenas de uma pequena obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
(Felipe Melo). Extraído daqui.
(Felipe Melo). Extraído daqui.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Mediocridade em nome da lei
A fim de devassar a vida particular de milhares de pessoas, o (des)governo petralha inventou a “lei de acesso à informação”. Alega o inominável monstro que “as
pessoas precisam saber o salário das outras” – não com essas palavras, claro.
Os
apátridas petistas, ensandecidos pela fome de poder e com o
desejo infame de controlar a vida alheia, fazem e desfazem com o apoio
irrestrito e benevolente de um STF absolutamente arrebatado.
Em
nome da “moralidade pública” – que eles nem fazem ideia do que seja -, os nefastos
governantes vergonhosamente expõem a privacidade de milhares de funcionários
públicos que estudaram e merecem o cargo público que ocupam ou ocuparam. No
ápice da hipocrisia, os governantes imorais desse país e, precipuamente, os integrantes de um
partido boquirroto, expõem publicamente os salários de servidores e
inativos enquanto escondem suas imundícies sob o tapete da dissimulação. O
princípio da isonomia induz ao óbvio: a lei não deve ser fonte de privilégios ou
perseguições; mas o óbvio é artigo desconhecido pelos governantes.
Custa-me
compreender qual o grande serviço que se presta à uma nação expor a vida de
pessoas que a servem, que vivem e morrem por ela. Um servidor do governo – do
governo, eu escrevi, não do país -, ocupante de relevante cargo público, beira
as raias da demência ao declarar que as decisões que impediam a barbárie da
divulgação de salários, “causam grave lesão à ordem
pública”. Bisbilhotar a vida alheia, então, causa lesão à ordem pública [...].
Vamos aos fatos:
Primeiro, insistem reiterada e incansavelmente que cidadãos não adquiram armas de fogo - ou entreguem as que possuem -; depois, obrigam
que a consciência seja subjugada e um país inteiro sorva convicções e
orientações alheias - e anormais; a seguir, proíbem que pais exerçam seu direito legítimo de
educar os próprios filhos; no mesmo norte, retiram de repartições públicas os
crucifixos que identificam o Cristianismo, enquanto tratam com simpatia o aborto,
legalizando-o, aqui e ali; ampliando o leque, criam cada vez mais cautelares
para premiar criminosos e ridicularizar vítimas. E mais. E mais. E mais.
Talvez não seja o fim dos tempos. Talvez se trate somente do fim de um país que nunca tenha sido bom, mas no qual pessoas comprometidas com a vida e com a verdade
se sentiam em casa.
Quem tem ouvidos, ouça; enquanto os incautos aplaudem, tão
medíocres quanto os demagogos infames que se apoderaram do poder.
(Dáuvanny Costa)
(Dáuvanny Costa)
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Comum
A
familiaridade retira de nós a amplitude da maravilha, sossega o assombro e encurta o respeito:
“Não é este o
carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de
Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele. E Jesus
lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus
parentes, e na sua casa” (Marcos 6.2-4).
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Nossa Vileza
"Ora, cristãos, não sejam assim: aprendamos ao menos do demônio a estimar nossa alma. Vejamos o que o demônio hoje fez por uma alma alheia para que nós nos corramos e confundamos do pouco que fazemos pelas próprias. Vai-se o demônio ao deserto, está-se nele quarenta dias e quarenta noites, como se fora um anecereta; e em todo este tempo esteve vigiando, e espreitando ocasião, e tanto que a teve, não deixou pedra por mover para a conseguir. Vendo que não lhe sucedia, parte para Jerusalém, e sendo tão inimigo de Deus, vai-se ao Templo para persuadir a Cristo que se arrojasse do pináculo: Mitte te deorsum (1): Estuda livros, alega Escrituras, interpreta salmos: Seriptum est enin, quia angelis suis mandavit de te, et in manibus tollent te, ne forte offendas ad lapidem pedem tuum (2). Resistindo também aqui, e vencido segunda vez o demônio, nem por isso desmaia: corre vales, atravessa montes, sobe ao mais alto de todos; e só por ver se podia fazer cair a Cristo, não repara em dar de uma só vez o mundo todo. E que o demônio faça tudo isto por uma alma alheia; e que façamos nós tão pouco pela própria!
Que se ponha o demônio quarenta dias em um deserto para nos tentar; e que eu nos quarenta dias da Quaresma não tome um quarto de hora de retiro para lhe saber resistir! Que vigie o demônio e espreite todas as ocasiões para me condenar; e que deixe eu passar tantas de minha salvação; e ocasiões que uma vez perdidas, não se podem recuperar! Que vá o demônio ao Templo de Jerusalém distante tantas léguas, para me despenhar ao pecado; e que tendo eu a Igreja à porta, não me saiba ir meter em um canto dela, como o Publicano, para chorar meus pecados! Que o demônio para me persuadir estude e alegue livros sagrados; e que eu não abra um só espiritual, para que Deus fale comigo, já que eu não sei falar com ele! Que o demônio vencido a primeira e segunda vez, insista, e não desmaie para me render; e que se comecei acaso alguma obra boa, à primeira dificuldade desista, e não tenha constância nem perseverança em nada! Que o demônio para me fazer cair, desça vales e suba montes; e que eu não dê um passo para me levantar, tendo dado tantos para me perder! Finalmente, que o demônio para granjear a minha alma, não repare em dar ao primeiro lanço o mundo todo; e que eu estime a minha alma tão pouco, que bastem os mais vis interesses do mundo para a entregar ao demônio! Oh miséria! Oh cegueira!"...
(Antônio Vieira in Sermão da Primeira Dominga da Quaresma ou das Tentações)
(1 e 2) Mateus 4.6
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Escudos Humanos
Parece que afinal o Governo de SP despertou para a gravidade da situação da (in)segurança pública no Estado. Situação que tem vitimado inúmeros Policiais Militares que, se cometeram alguma falta, foi desejar servir e proteger a sociedade, recebendo em troca soldos miseráveis, acusações e rejeição.
A situação, diferentemente do que afirmava o Governo do Estado e a Secretaria da Segurança Pública, está sim fora de controle - e o estado de insegurança é conivente com o estado de descaso. Fronteiras desguarnecidas, leis lenientes formuladas por mãos corruptas, simpatia da população por facínoras; são esses alguns dos instrumentos que tornam possível a covardia vil de meliantes ordinários.
Atualmente se trata de massacre, no entanto, o morticínio não começou agora. Há anos esse tem sido o quadro. Policiais arriscando - e perdendo - a vida para defender a sociedade. E quem defende os Policiais?!
O Governo parece ter despertado do torpor; a sociedade - manipulada pela mídia e por grupos néscios - infelizmente, quer me parecer que ainda não.
(Dáuvanny Costa)
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Ao arbítrio de alguns
O assunto é tormentoso e
absolutamente delicado. Abstive-me de comentar. Preferi observar. O STF julgou
a ADPF 54 – aborto de fetos com anencefalia. Acompanhei os dois dias de
julgamento e li muitas opiniões acerca do assunto. É bastante simples a atitude
de não racionalizar.
Procurei equilíbrio nas opiniões
que li. Encontrei pouco. Digladiam-se de um lado radicalistas cegos defendendo
o direito de a mulher abortar um feto indesejado, e de outro, fundamentalistas
cegos guiados mais por paixão que por razão.
É assunto tão intricado que nem
mereceria ser tratado aqui em algumas linhas que parecem ao acaso. Abstive-me.
Recebi algumas mensagens perguntando minha posição. Novamente só posso dar
minha resposta impertinente: minha posição é de joelhos. Sendo para julgar, é
assim que julgo. Julgo sendo julgada. Julgo claudicante.
Respeito a decisão do STF.
Respeito a coragem dos Ministros em enfrentar o assunto enquanto os
legisladores se escondem fazendo o que melhor sabem: lograr. Legisladores
pusilânimes que se fingem anencéfalos – se isso fosse possível.
Anencefalia não comporta chistes
– e lamento profundamente pelos que o fazem.
O sofrimento de uma família
acometida por tal fatalidade não pode ser mensurado (os esquerdopatas
reiteradamente trazem à baila defesas intransigentes do feminismo – não
entrarei nesse jogo). Quem sofre é a família. A mulher, especificamente, por
carregar o feto e sofrer as transformações em seu corpo; mas é dor familiar. E
quando o assunto é dor, cada um sabe de si. Não somos semideuses; não
conhecemos a dor alheia.
Por outro lado, a crença em um
Deus que não tolera o pecado, não pode ser transacionada. “Não matarás” – Ele
ordena. E eu creio. Considero que Israel vivia em guerras – e nem por isso
deixo de crer. Ele próprio se proclama “o Deus da guerra”; gosto de chamá-lo “Senhor
das hostes”. E Ele voltará um dia para guerrear – eu creio.
Aborto é matar. É fazer vítimas.
Vítimas que não sabem e não podem defender-se. Vítimas que não escolheram ser
concebidas – e ser concebidas com enfermidades que dilaceram nossas almas.
Não comungo com aqueles que
defendem entusiasticamente o direito de a mulher “escolher”. Escolha é o que se
faz antes da concepção. Conceber ou não. Alguns alegam que feto não é pessoa.
Ora! Feto é vida, vida concebida por quem, tempos depois, deseja ser seu algoz
em nome do culto à felicidade – falo dele em outro momento.
Assim, para evitar a dor de criar
uma criança desenganada, fazemo-nos enganados. Erramos. Transacionamos com o pecado; agora sem culpa, afinal, a jurisprudência - nem tão prudente assim - garante.
(Dáuvanny Costa)
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Examine-se a si mesmo
A vulnerabilidade de nossa humanidade nos condena. Somos condenados por preconceitos (pré-conceitos) vulgares que insistem em nos fazer piores do que realmente somos. Alguns nos condenam por nossa vaidade, nosso gozo, nossas esperanças além-túmulo, nossa cultura. Desconsideram - ao condenar nossa vaidade - que somos todos vaidosos; vaidosos em nossa humanidade instável, pouco duradoura, ilusória. O que parecemos, não é o que somos. O que parecemos é apenas sombra do que somos.
Preconceitos. Ideias preconcebidas, antecipadamente formadas por quem acha que nos conhece, por quem não ousa andar sete léguas em nossas sandálias, por quem nunca sentou conosco para dividir uma xícara de café, ou por quem, ainda que tenha sentado, dividiu café e não coração.
Preconceitos. Composições mal acabadas, que na pressa de serem executadas, não passam pelo crivo do ouvido. Ouvido da misericórdia.
Preconceitos. Ideias preconcebidas, antecipadamente formadas por quem acha que nos conhece, por quem não ousa andar sete léguas em nossas sandálias, por quem nunca sentou conosco para dividir uma xícara de café, ou por quem, ainda que tenha sentado, dividiu café e não coração.
Preconceitos. Composições mal acabadas, que na pressa de serem executadas, não passam pelo crivo do ouvido. Ouvido da misericórdia.
Querem-nos
perfeitos. Acusam-nos de não sermos o que eles próprios não são e nem desejam
ser. O Deus que vive em nós, para eles, é um despótico que sente aversão pela
alegria. O Deus que vive em nós, para eles, é um tirano que nos fez humanos,
mas abomina a humanidade em nós. Humanidade cheia de fraquezas. Fraquezas que
Ele conhece bem, mas ainda assim não nos rejeita, antes, nos escolhe, pela
força de Sua misericórdia.
Sintomas
de um mundo caído e indiferente à queda. O defeito do outro é maior e
abominável. Indivíduos assim rejeitam nossa condição humana por causa de nossa
convicção pessoal, pela profissão de fé que escolhemos – ou que nos escolheu.
As
escolhas que faço não são escolhas do Pai. Ele escolheu a mim, mas não me
privou da liberdade de minhas próprias escolhas; escolhas que faço como um ser
livre das trevas pela grandeza de Seu amor. E às vezes erro.
Não
sou perfeita. Não preciso ser. Preciso falar de Sua perfeição. Ele, Pai
perfeito e misericordioso, que escolhe vasos de barro para derramar o azeite de
Sua graça. Não preciso me esconder de mim ou em mim; não preciso me esconder
para os outros. O invólucro não importa, ele apenas fecunda a ação do criador
em mim, contudo, desejo que esse recipiente que guarda as reservas de meu ser,
seja agradável aos olhos de quem olha. Notei, ao longo dos anos, que a mensagem
é ouvida mais atentamente quando enche os olhos do receptor. E cuido bem do
recipiente.
Chamam-me
vaidosa; alguns, ultrapassando as barreiras do comedimento, chamam-me leviana,
dissimulada ou profana. Ofendem-me achando - num átimo de histeria - que podem
ofender o Deus em mim. Ofendem, por vezes, a um Deus que desconheço, achando,
nauseabunda e enganosamente, que se trata do Deus que propago. Contudo, esse que inventam, não é Ele.
Preconceitos.
Julgamentos antecipados. Muros que separam filhos de um mesmo Pai; prejuízos de
quem não tem força para entender o outro; intolerâncias de quem não aprendeu a
olhar além do que pode ser apreendido pelos olhos.
Sou
o que posso ser; lutando contra os abismos que existem em mim. Não combato inimigos
de fora – desses a vida se encarrega; combato os que estão em mim. E, aqueles que
acham que não têm pecados, continuem se apressando, pois as pedras podem acabar-se.
Preconceitos.
Opiniões apressadas de quem não perde tempo em conhecer a forja que me gerou.
(Dáuvanny Costa)
terça-feira, 21 de agosto de 2012
INVICTO
"Da noite escura que me cobre,
Como uma cova de lado a lado,
Agradeço a todos os deuses
A minha alma invencível.
Nas garras ardis das circunstâncias,
Não titubeei e sequer chorei.
Sob os golpes do infortúnio
Minha cabeça sangra, ainda erguida.
Além deste vale de ira e lágrimas,
Assoma-se o horror das sombras,
E apesar dos anos ameaçadores,
Encontram-me sempre destemido.
Não importa quão estreita a passagem,
Quantas punições ainda sofrerei,
Sou o senhor do meu destino".
(William Ernest Henley)
Como uma cova de lado a lado,
Agradeço a todos os deuses
A minha alma invencível.
Nas garras ardis das circunstâncias,
Não titubeei e sequer chorei.
Sob os golpes do infortúnio
Minha cabeça sangra, ainda erguida.
Além deste vale de ira e lágrimas,
Assoma-se o horror das sombras,
E apesar dos anos ameaçadores,
Encontram-me sempre destemido.
Não importa quão estreita a passagem,
Quantas punições ainda sofrerei,
Sou o senhor do meu destino".
(William Ernest Henley)
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Retratos
"Tudo na vida clama que a felicidade terrena está destinada a ser malograda ou reconhecida como uma ilusão. Os dispositivos para isso encontram-se profundamente na essência das coisas. [...] A vida se expõe como um engodo contínuo, tanto em coisas pequenas como grandes. Caso ela tenha prometido, não cumpre; caso cumpra, é para mostrar quão pouco digno de desejo era o desejado: assim nos enganam ora a esperança ora o objeto da esperança. Forneceu-nos a vida algo, é para nos tirar. O encanto da distância nos mostra paraísos, os quais somem como ilusões de ótica quando nos permitimos ser por eles ludibriados. A felicidade, em consonância com tudo isso, reside sempre no futuro, ou também no passado, e o presente é comparável a uma pequena nuvem negra que o vento impele sobre a superfície do sol: em frente e atrás tudo é brilhante, apenas ela mesma lança sempre uma sombra. O presente, por conseguinte, é a todo momento insuficiente; o futuro, entretanto, incerto; o passado, irrecuperável. [...] A vida é um negócio que não cobre os seus custos."
(Schopenhauer in O mundo como vontade e representação)
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Dorido silêncio
A vida dói constantemente. Hoje dói mais.
Lembrança que não cura; memória imperecível.
(Dáuvanny Costa)
Lembrança que não cura; memória imperecível.
(Dáuvanny Costa)
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Doses de confusão
Existem dois modos distintos de ler os autores: um deles é muito bom e útil, o outro, inútil, e até mesmo perigoso. É muito útil ler quando se medita sobre o que é lido; quando se procura, pelo esforço da mente, resolver as questões que os títulos dos capítulos propõem, mesmo antes de se começar a lê-los; quando se ordenam e comparam as ideias umas com as outras; em suma, quando se usa a razão. Ao contrário, é inútil ler quando não entendemos o que lemos, e perigoso ler e formar conceitos daquilo que lemos quando não examinamos suficientemente o que foi lido para julgar com cuidado, sobretudo se temos memória bastante para reter os conceitos firmados e imprudência bastante para concordar com eles. O primeiro modo de ler ilumina e fortifica a mente, aumentando o seu entendimento. O segundo diminui o entendimento e gradualmente o torna fraco, obscuro e confuso. Ocorre que a maior parte daqueles que se vangloriam de conhecer as opiniões dos outros estuda apenas do segundo modo. Quanto mais leem, portanto, mais fracas e mais confusas se tornam suas mentes.
(Malebranche in The search after truth)
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Apesar de crermos
.... "Um direito desarmado, desprovido da possibilidade de dirigir e executar atos de força contra aqueles que não cumprem suas prescrições, só poderia ser um direito simplesmente pensado ou projetado, ou melhor, um direito derrogado, ou seja, em todos esses casos, um não direito". (Henkel in Derecho, Desobediencia y Justicia)
terça-feira, 1 de maio de 2012
Lágrima não cicatriza
Espero por você. Esperança que se renova. E sei que espera também por mim. Esperanças que não se encontram enquanto não se fizer o tempo. Esperanças que o mundo não entende e não faço questão de explicar. Esperanças que fazem meu olhar nublado, mas ansioso de novamente encontrar o amor que me ensinou a amar e despiu meus medos.
Espero e hei de esperar. Esperar insone. Esperar incansável. Esperar que a vida se renove, nasça de novo em novo tempo. Tempo de reencontro. Tempo em que os abraços e os beijos guardados sejam entregues com a força da ausência que não aprendi a suportar, mas suporto.
Porque amor não se conjuga no passado e lágrima não cicatriza.
Sábado reuni os amigos para celebrar um ano a mais em minha vida, para celebrar a presença desses amigos em minha vida, para celebrar a Deus em minha vida, e para celebrá-lo. Sempre em minha vida.
Obrigada aos amigos presentes.
(Dáuvanny Costa)
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Pro societate
"Os bons samaritanos sempre serão necessários para socorrer os que foram assaltados e roubados; entretanto, seria melhor acabar com os bandoleiros na estrada de Jerusalém a Jericó. Por isso a filantropia cristã em tempos de alívio e ajuda é necessária, mas muito melhor seria um aprimoramento a longo prazo, e nós não podemos fugir da nossa responsabilidade política e da necessidade de participar da transformação das estruturas que inibem este aprimoramento. Os cristãos não podem olhar com tranquilidade as injustiças que arruínam o mundo de Deus e degradam suas criaturas". (John Stott)
* Pro societate: Em favor da sociedade. Grifos meus.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Não há salvação para o juiz covarde
- “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” (Rui Barbosa)
sábado, 14 de abril de 2012
Tempos Apocalípticos
"Minha filha Magda me advertiu de que estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta; semana passada, certifiquei-me do acerto da sua observação, ao ler a notícia de que o douto Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado, atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária, em decisão administrativa, unânime, resolvera determinar a retirada de crucifixos porventura existentes em prédios do Poder Judiciário Estadual, decisão essa que seria homologada pelo Tribunal. Seria este "o caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de Estado laico" e da separação entre Igreja e Estado.
Tenho para mim tratar-se de um equívoco, pois desde a adoção da República o Estado é laico e a separação entre Igreja e Estado não é novidade da Constituição de 1988, data de 7 de janeiro de 1890, Decreto 119-A, da lavra do ministro Rui Barbosa, que, de longa data, se batia pela liberdade dos cultos. Desde então, sem solução de continuidade, todas as Constituições, inclusive as bastardas, têm reiterado o princípio hoje centenário, o que não impediu que o histórico defensor da liberdade dos cultos e da separação entre Igreja e Estado sustentasse que "a nossa lei constitucional não é antirreligiosa, nem irreligiosa".
É hora de voltar ao assunto. Disse há pouco que estava a ocorrer um engano. A meu juízo, os crucifixos existentes nas salas de julgamento do Tribunal lá não se encontram em reverência a uma das pessoas da Santíssima Trindade, segundo a teologia cristã, mas a alguém que foi acusado, processado, julgado, condenado e executado, enfim justiçado até sua crucificação, com ofensa às regras legais históricas, e, por fim, ainda vítima de pusilanimidade de Pilatos, que tendo consciência da inocência do perseguido, preferiu lavar as mãos, e com isso passar à História.
Em todas as salas onde existe a figura de Cristo, é sempre como o injustiçado que aparece, e nunca em outra postura, fosse nas bodas de Caná, entre os sacerdotes no templo, ou com seus discípulos na ceia que Leonardo Da Vinci imortalizou. No seu artigo "O justo e a justiça política", publicado na sexta-feira santa de 1899, Rui Barbosa salienta que "por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz"... e adiante, "não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados". Em todas as fases do processo, ocorreu sempre a preterição das formalidades legais. Em outras palavras, o processo, do início ao fim, infringiu o que em linguagem atual se denomina o devido processo legal. O crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima das falsidades de justiça pervertida.
Não é tudo. Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde. É deste modo que, há mais de cem anos, Rui concluiu seu artigo, "como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde".
Faz mais de 60 anos que frequento o Tribunal gaúcho, dele recebi a distinção de fazer-me uma vez seu advogado perante o STF, e em seu seio encontrei juízes notáveis. Um deles chamava-se Isaac Soibelman Melzer. Não era cristão e, ao que sei, o crucifixo não o impediu de ser o modelar juiz que foi e que me apraz lembrar em homenagem à sua memória. Outrossim, não sei se a retirada do crucifixo vai melhorar o quilate de algum dos menos bons.
Por derradeiro, confesso que me surpreende a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa. A propósito, alguém lembrou se a mesma entidade não iria propor a retirada de "Deus" do preâmbulo da Constituição nem a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro durante os dias e todas as noites".
(Paulo Brossard, ex-senador da República, Ministro aposentado do STF)
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Ipso Facto
"Quando alguém age por pena contra a justiça, é o bem que se está punindo para o benefício do mal". (Ayn Rand)
* Ipso Facto - por isso mesmo; resultado inevitável.
sexta-feira, 30 de março de 2012
A Lei e a Moral
Somos uma sociedade que incentiva
o sexo livre. Isso pode ser observado por todos os lados: novelas, propagandas
publicitárias, músicas, roupas, filmes, programas de TV, campanhas governamentais,
etc..
Causa-me espécie o fato de alguns
pais acharem magnífico o “amadurecimento” precoce de suas crianças. Músicas como
“Ai se eu te pego” (não pesquisei para saber se esse é mesmo o título) tocam ad nauseam, programas como “Big Brother
Brasil” fazem milhares – senão milhões – de telespectadores mudarem seus
hábitos por algumas semanas ou meses, influencia, seduz e vilipendia a
qualidade e a ética.
As famílias não discutem educação
sexual. Legam esse assunto às escolas e à televisão – e assim surgem os absurdos. As
crianças não são mais tratadas como crianças. Têm acesso a questões intricadas
como homossexualismo e prostituição. A linguagem se deturpa em uma lógica louca
de que, quanto pior, melhor. Assim, os maus costumes ganham força; assim, os
valores se invertem e as famílias apodrecem.
Alguns dos ministros do STJ cometeram um erro [é minha opinião também]. Julgaram que
crianças de 12 e 13 anos consentiram em fazer sexo com um adulto; alguns dos
ministros do STJ reconheceram nesse ato a licitude da conduta e decidiram que não
houve estupro, excluindo, assim, a antijuridicidade.
O STJ cometeu um erro ou fomos
nós que pedimos? Nós que pedimos ao permitirmos que crianças se tornem adultos antes do tempo. Permitimos quando incentivamos a impolidez, quando somos coniventes com o entendimento das massas - ou com a falta dele, quando propagamos que o “importante é ser
feliz” e que a “busca da felicidade” deveria ser incluída entre os direitos
fundamentais do indivíduo, ao lado da vida e da liberdade.
Nessa sociedade enferma, palavras
perdem o sentido, elogios se confundem com injúrias, mulheres são chamadas de
“cachorras”, professores não podem chamar a atenção em sala de aula, escolas
não podem censurar a falta de roupa – e de decoro -, pais não podem punir os próprios filhos. A sociedade aprova.
Meninas de 12 e 13 anos de idade
às vezes parecem mulheres. A sociedade aprova.
Criminosos sexuais não são
punidos com o rigor que merecem. A sociedade aprova.
A decisão do STJ não é uma hidra
jurídica. É uma atualização de nosso tempo, de nossos valores, da cultura do
caos que impera na sociedade.
Ignorantia juris neminem excusat ou "ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece", reza o artigo 3º da LINDB (Lei de Introdução às Normas do
Direito Brasileiro), mas quando nos escusamos do conhecimento da moral?!...
Alguns acusam o STJ de “legalizar
a prostituição infantil”, esquecendo-se – ou ignorando – que o STJ não é
legislador. O STJ aplicou a lei e conhece o fato. Eu não conheço; não tive
acesso aos autos. Alguém teve? Trata-se de interpretação da lei mais fato versus mídia e opinião pública.
Não me cabe aqui a defesa ou
acusação da decisão do STJ. Esse texto não é para isso. É uma tentativa humilde
de que cada um examine os próprios valores e reflita se não colaborou
para esse tenebroso sinal dos tempos. Instigo cada um dos leitores a
ensimesmar-se, a proferir juízo de valor sobre si mesmo, a se perder – ou se
ganhar - em lucubrações que façam jorrar luz sobre esse ocaso.
Para decisões como essa do STJ, cabe sempre o recurso devido - se devido.
(Dáuvanny Costa)
(Dáuvanny Costa)
quarta-feira, 28 de março de 2012
Meu amor não se cansa de esperar [...]
"Em mim eu não vivo já,
e sem Deus viver não posso;
pois sem ele e sem mim quedo,
este viver que será?
Mil mortes se me fará,
pois minha mesma vida espero,
Morrendo porque não morro.
Esta vida que aqui vivo
é privação de viver;
e, assim, é contínuo morrer
até que viva contigo.
Ouve, meu Deus, o que digo,
que esta vida não a quero,
Pois morro porque não morro.
Ausente estando eu de ti,
que vida poderei ter
senão morte padecer,
a maior que jamais vi?
Pena e dó tenho de mim,
pois se assim eu persevero,
Morrerei porque não morro.
O peixe que da água sai
nenhum alívio carece
que na morte que padece,
afinal a morte lhe vale.
Que morte haverá que se iguale
ao meu viver lastimoso,
Pois se mais vivo, mais morro?
Quando penso aliviar-me
vendo-te no Sacramento,
faz-se em mim mais sentimento
de não poder-te gozar;
tudo é para mais penar,
por não ver-te como quero,
E morro porque não morro.
Se me deleito, Senhor,
com a esperança de ver-te,
vendo que posso perder-te
redobra-se em mim a dor;
vivendo em tanto temor
e esperando como espero,
Morro sim, porque não morro.
Livra-me já desta morte,
meu Deus, entrega-me a vida;
não ma tenhas impedida
por este laço tão forte;
olha que peno por ver-te,
o meu mal é tão inteiro
Que morro, porque não morro.
Chorarei já minha morte,
lamentarei minha vida,
enquanto presa e retida
por meus pecados está.
Oh, meu Deus! Quando será
que eu possa dizer deveras:
Vivo já porque não morro?"
(João da Cruz in O amor não cansa nem se cansa)
e sem Deus viver não posso;
pois sem ele e sem mim quedo,
este viver que será?
Mil mortes se me fará,
pois minha mesma vida espero,
Morrendo porque não morro.
Esta vida que aqui vivo
é privação de viver;
e, assim, é contínuo morrer
até que viva contigo.
Ouve, meu Deus, o que digo,
que esta vida não a quero,
Pois morro porque não morro.
Ausente estando eu de ti,
que vida poderei ter
senão morte padecer,
a maior que jamais vi?
Pena e dó tenho de mim,
pois se assim eu persevero,
Morrerei porque não morro.
O peixe que da água sai
nenhum alívio carece
que na morte que padece,
afinal a morte lhe vale.
Que morte haverá que se iguale
ao meu viver lastimoso,
Pois se mais vivo, mais morro?
Quando penso aliviar-me
vendo-te no Sacramento,
faz-se em mim mais sentimento
de não poder-te gozar;
tudo é para mais penar,
por não ver-te como quero,
E morro porque não morro.
Se me deleito, Senhor,
com a esperança de ver-te,
vendo que posso perder-te
redobra-se em mim a dor;
vivendo em tanto temor
e esperando como espero,
Morro sim, porque não morro.
Livra-me já desta morte,
meu Deus, entrega-me a vida;
não ma tenhas impedida
por este laço tão forte;
olha que peno por ver-te,
o meu mal é tão inteiro
Que morro, porque não morro.
Chorarei já minha morte,
lamentarei minha vida,
enquanto presa e retida
por meus pecados está.
Oh, meu Deus! Quando será
que eu possa dizer deveras:
Vivo já porque não morro?"
(João da Cruz in O amor não cansa nem se cansa)
terça-feira, 20 de março de 2012
Mas que saco [...]!
Tornamo-nos uma cultura que
deseja colocar o “meio-ambiente” dentro de um círculo de proteção.
É necessário?
Reciclo o lixo de casa há anos –
inclusive há cestos específicos para tal –; não deixo em funcionamento
aparelhos que não estejam sendo utilizados; apago as luzes ao sair de cada
ambiente (sendo que já não me agrada muita claridade); no trabalho faço uso
apenas de papel reciclado (e, particularmente, acho mais agradável à vista); a
maioria dos eletrodomésticos que possuo pertence à classe "A"
(consumo menor de energia); procuro consumir produtos que não agridam o meio
ambiente, etc., etc. [...]; assim, eventualmente, voluntariamente já
fazia uso de substitutos às famigeradas sacolas plásticas.
Feitas tais considerações, não vejo
em quê o aniquilamento de sacolas plásticas ajude o planeta a sobreviver às
agressões que sofre e tem sofrido ao longo do tempo, uma vez que sobreviverão
inúmeros outros "vilões". As sacolas são utilizadas como sacos de lixo – que,
claramente, deverão agora ser comprados. As sacolas proporcionam aos
consumidores a comodidade de irem às compras no momento que desejarem sem a
preocupação inútil de que necessitam carregar as embalagens dessas compras. As
sacolas permitem a separação dos itens para transporte. Ademais, a substituição
de sacolas plásticas não deve ser imposta ao consumidor. Não há ganho ambiental ao bani-las - há sim, prejuízo material ao consumidor, mais uma vez onerado.
No que tange à salvação abstrata
do planeta, importa antes que salvemos o homem. O quê, efetivamente é feito
pela preservação do homem?! Leis espúrias que protegem criminosos maculam a
humanidade e saqueiam sua dignidade. O abstrato "meio-ambiente" – que nada mais
é no imaginário de quem o defende, do que a natureza "socializada" –, ultimamente
é mais discutido e protegido que a vida humana. "Salvemos o mundo!", alardeiam - esquecendo-se apenas de dizer que salvamos o mundo para ninguém.
No mais, os criadores e
organizadores da mudança devem pensar; aliás, devem saber, que não nos
incomodaremos em pagar um pouco mais e termos um pouco menos de comodidade,
afinal, é de nosso costume [...].
Por fim, o brasileiro precisa de
educação – e uma "sacolinha" a menos não muda em nada o planeta se o ser humano
não mudar de conduta. Boa educação e respeito à vida alheia são as maiores
virtudes de um homem – e virtudes não surgem das leis.
(Dáuvanny Costa)
(Dáuvanny Costa)
quarta-feira, 7 de março de 2012
O que nos torna grandes
"Todo aquele que se sente capaz de criar um destino com seu talento e com seu esforço tende a admirar o esforço e o talento dos outros; o desejo da própria glória não se sente inibido pela legítima consagração alheia. Aquele que tem méritos sabe o que estes custam e os respeita; estima nos outros o que desejaria que estimassem nele mesmo. O medíocre ignora esta admiração aberta: muitas vezes resigna-se a aceitar o triunfo que transborda as restrições de sua inveja. Mas aceitar não é amar. Resignar-se não é admirar.
Os espíritos desanimados são malévolos; os grandes gênios são dignos de admiração. Estes sabem que os dons naturais não se transformam em talento ou em gênio sem nenhum esforço, que é a medida de seu mérito. Sabem que cada passo para a glória custou trabalho e vigília, meditações profundas, busca sem fim, dedicação tenaz, a esse pintor, a esse poeta, a esse filósofo, a esse sábio; e compreendem que talvez eles consumiram seu organismo, envelhecendo prematuramente: e a biografia dos grandes homens ensina-lhes que muitos renunciaram ao repouso ou ao pão, sacrificando-os para ganhar tempo para meditar ou comprar um livro que iluminasse suas meditações".
(José Ingenieros in O Homem Medíocre)
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Tragédia Humana
O acidente ocorrido no parque Hopi Hari expõe à
vista a essência da natureza humana. Não me refiro ao sinistro em si mesmo –
que pode ter sido um acidente lamentável, cabendo ao Inquérito Policial evidenciar os fatos.
Refiro-me à indiscutível impassibilidade dos
responsáveis pelo funcionamento do parque – que seguiram a rotina, venderam
ingressos, cumpriram o programa.
Refiro-me à indiscutível apatia impiedosa dos usuários,
claramente demonstrada por frases insuportavelmente repulsivas: “não é porque
aconteceu com ela que vai acontecer comigo (sic)”, “como explicar para uma
criança que ela tem de voltar para casa?” (sic), “compramos o ingresso e vamos
nos divertir [...]” (sic).
Envergonho-me. Suspiro constrangida.
Lamento.
Lamento pela humanidade que se perdeu nesses corpos, nessas mentes, nessas almas.
Os pertencentes a essa casta são facilmente identificáveis: são aqueles que vociferam contra o capitalismo, que defendem o coletivismo, que pregam ajuda ilimitada aos "mais fracos" e que "amam" o próximo. Tudo isso [...]. Contanto que o próximo esteja muito distante deles e seja apenas um nome indefinido, um morador de um terreno invadido - de outrem, obviamente -, um benefício de bolsa-família que está sendo pago com o trabalho de um contribuinte esperançoso. Eu, particularmente, os chamo hipócritas.
A menina, Gabriela Yokari Nichimura, é alguém, filha de alguém, irmã de alguém, amiga de alguém, e ainda que eu não conheça nenhuma dessas pessoas, lamento. A morte – sempre estúpida, sempre malévola, sempre odiosa – não pode ser simplesmente ignorada em nome do amor excessivo ao próprio bem.
(Dáuvanny Costa)
Lamento pela humanidade que se perdeu nesses corpos, nessas mentes, nessas almas.
Os pertencentes a essa casta são facilmente identificáveis: são aqueles que vociferam contra o capitalismo, que defendem o coletivismo, que pregam ajuda ilimitada aos "mais fracos" e que "amam" o próximo. Tudo isso [...]. Contanto que o próximo esteja muito distante deles e seja apenas um nome indefinido, um morador de um terreno invadido - de outrem, obviamente -, um benefício de bolsa-família que está sendo pago com o trabalho de um contribuinte esperançoso. Eu, particularmente, os chamo hipócritas.
A menina, Gabriela Yokari Nichimura, é alguém, filha de alguém, irmã de alguém, amiga de alguém, e ainda que eu não conheça nenhuma dessas pessoas, lamento. A morte – sempre estúpida, sempre malévola, sempre odiosa – não pode ser simplesmente ignorada em nome do amor excessivo ao próprio bem.
(Dáuvanny Costa)
"A morte de qualquer homem me diminui, porque eu faço parte da humanidade" (John Donne).
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
A minha tragédia
Às vezes oiço rir, e uma agonia
Queima-me a alma como estranha brasa.
Tenho ódio à luz e tenho raiva ao dia
Que me põe n'alma o fogo que m'abrasa!
Tenho sede d'amar a humanidade...
Eu ando embriagada... entontecida...
O roxo de meus lábios é saudade
Duns beijos que me deram noutra vida!
Eu não gosto do Sol, eu tenho medo
Que me vejam nos olhos o segredo
De só saber chorar, de ser assim...
Gosto da noite, negra, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!
(Florbela Espanca in Livro de Mágoas)
Queima-me a alma como estranha brasa.
Tenho ódio à luz e tenho raiva ao dia
Que me põe n'alma o fogo que m'abrasa!
Tenho sede d'amar a humanidade...
Eu ando embriagada... entontecida...
O roxo de meus lábios é saudade
Duns beijos que me deram noutra vida!
Eu não gosto do Sol, eu tenho medo
Que me vejam nos olhos o segredo
De só saber chorar, de ser assim...
Gosto da noite, negra, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!
(Florbela Espanca in Livro de Mágoas)
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Fim da Sociedade
"[...] E então essa sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças. Quer saber se este dia se aproxima? Observe o dinheiro: ele é o barômetro da virtude de uma sociedade. Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão, quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas têm influência –, quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício –, pode ter certeza de que a sociedade está condenada".
(Ayn Rand in Quem é John Galt / A Revolta de Atlas)
(Ayn Rand in Quem é John Galt / A Revolta de Atlas)
P.S. Neste mês - fevereiro - 107 anos do nascimento de Ayn Rand.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Indigna de palmas
A denominada “Lei da palmada” – cogitada por uma casta cada vez mais sem princípios - promete acabar definitivamente com a nação.
Nunca entendi correto adulto bater em criança, ainda que apenas com uma palmada. É uma relação desigual, de forças incompatíveis e notório desequilíbrio. Assim continuo entendendo; no entanto, é mister usar o bom senso e se perguntar de qual autoridade se reveste um Estado, sobretudo um Estado corrupto e vil, para ensinar como os pais devem educar seus filhos.
Pedófilos não são condenados com o rigor necessário; assassinos mal conhecem grades; meliantes se acostumaram com a impunidade; bandidos desumanos são chamados de “menores infratores”, e, enquanto isso, o Estado, cada vez mais totalitário, incapaz de combater a violência que nos assola, se volta continuamente para coibir os direitos legítimos da sociedade. Assim são concebidos absurdos como o “Estatuto do Desarmamento”, a "Lei das Cautelares" e a famigerada lei a que me refiro neste texto, dentre outros.
Criações bastardas absurdas de um Estado incompetente e medíocre, desejoso de controlar a vida e a mente de uma população desgraçadamente lamentavelmente inerte.
(Dáuvanny Costa)
(Dáuvanny Costa)
"Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele".
(Pv. 22.6)
sábado, 17 de dezembro de 2011
Somos [quase] todos
"Salvo os loucos, ninguém ri quando está só".
(Cioran in Breviário de Decomposição)
(Cioran in Breviário de Decomposição)
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
E se?...
Durante mais de 15 anos, impacientes com o nepotismo e a lentidão, a sociedade, o Executivo e o Congresso defenderam o controle externo do Poder Judiciário. O país se mobilizou. O Judiciário foi contra. Negociou-se a criação do CNJ, o controle de juízes, feito por uma maioria de juízes, com representantes de outros setores. O CNJ resulta deste acordo. É um contrato entre Congresso, Executivo, sociedade civil e o próprio Judiciário, a favor da ética e da eficiência judiciais.
Hoje, a Associação dos Magistrados Brasileiros pressiona o Supremo para romper unilateralmente este contrato. Querem retirar o poder do CNJ de julgar e punir os juízes como manda a Constituição. Pretende-se transformar o CNJ em conselho honorário. Não mais uma responsabilidade democrática.
Este objetivo político reveste-se de argumentos aparentemente constitucionalizados, mas no fundo contrários à Constituição. O contrato político que criou o CNJ foi formalizado no artigo 103 B da Constituição, que concede ampla competência ao CNJ para receber qualquer reclamação contra os juízes, sem nenhuma condição. Qualquer do povo pode ir ao CNJ. Não precisa ir antes ao Tribunal local, como quer a AMB. O Congresso deu ampla competência até para de ofício apurar irregularidade. Pode agir por iniciativa própria sem nem mesmo ter denúncia de terceiros. Esta ampla competência constitucional é garantia da própria magistratura. O CNJ a exerce com parcimônia.
Agora, alguns pretendem extinguir o CNJ, deixando-o vivo. Lembro-me de Plutarco, quando disse: a pior das justiças é aquela que é injusta, mas parece justa. O pior CNJ é aquele que inexiste, mas parece existir.
O ataque é indireto. Inexiste um só dispositivo na Constituição que diretamente fundamente a decisão de, em nome da autonomia do tribunal, limitar-se o CNJ. A autonomia dos tribunais não é absoluta. Na democracia não há autonomias absolutas. Ao aprovar a emenda 45, que criou o CNJ, o Congresso disse claramente que seus poderes são compatíveis com os dos tribunais. O próprio Supremo, ao confirmar a constitucionalidade do CNJ em 2005, também.
A encruzilhada levada ao Supremo é falsa. A competência do CNJ não é incompatível com a das corregedorias dos tribunais. Uma não elimina a outra. São concorrentes, como afirma Ayres Britto. Na democracia, quanto mais controle a favor da ética e da eficiência, melhor. A demanda é política e corporativa . Foi derrotada ontem, quer ressuscitar hoje.
A decisão do Supremo não é sobre a morte em vida do CNJ. É sobre valores éticos e sociais. Estão em jogo a concretização da imparcialidade no julgar e a liberdade do cidadão de ir contra os poderosos do momento. Como exigir de um advogado processar um desembargador no mesmo tribunal, a quem mais tarde terá de recorrer no exercício de sua profissão? Onde e como estes valores – a imparcialidade no julgar e a liberdade de denunciar irregularidades – podem melhor ser concretizados: nas corregedorias locais ou no CNJ? Ou nas duas, concorrentemente?
O dano está feito. As consequências da nova pauta serão maior atrito entre os poderes. Entre os magistrados e os demais profissionais jurídicos. Uma mídia mais atenta e investigativa em denúncias. Mobilização congressual. Confiança decrescente na Justiça. O CNJ de alguma maneira apaziguava. Tinha alguém imparcial atento a favor da ética e da eficiência. E agora?
(Joaquim Falcão, professor de Direito Constitucional da FGV-Rio in O Globo de hoje).
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Esperanças Falidas. Lá e Cá.
De uma maneira ou de outra, todos os que vivemos nesta pátria tão convulsionada estamos expostos a altíssimos níveis de ansiedade, stress e impotência, sob as imensas nuvens negras com as quais amanhecemos e anoitecemos.
Nestas semanas temos lido e ouvido, insistentemente, acerca do termo falido. Fala-se que Honduras é um Estado falido, que o governo é falido, que a cidadania está falida, enfim, uma cadeia de falhas que me permitiram acrescentar mais uma ao elo: esperanças falidas.
De uma maneira estrepitosa temos contemplado como nos últimos anos muitas de nossas esperanças se esfumaram até se converter em falidas. A morte e o narcotráfico cavalgam dia e noite por todo o território nacional. Como nunca, contemplamos crimes horrendos que, por já serem tão comuns, nos insensibilizou e os adotamos, infelizmente, como parte natural e cotidiana da realidade.
A falta de emprego é o passaporte para que já não só jovens e camponeses, mas também adultos mais velhos e profissionais, estejam abandonando o país em busca de um futuro mais promissor e esperançoso do que se pode ter aqui. Que pena que compatriotas continuem brincando com o destino pela miopia, ambição e o egoísmo de nossos pseudo-dirigentes!
Por qualquer lente que se olhe, nota-se o caos no qual estamos afundados. O sistema educacional público é uma fogueira desde há anos, onde a única coisa que soma no mesmo é a perda irrecuperável de aulas. Infortunadas crianças e jovens alunos! Espera-lhes um futuro torrencial, onde não terão oportunidades mínimas pois não aprenderam nada: seu conhecimento é paupérrimo, nunca lhes ensinaram como desenvolver destrezas e jamais lhes transmitiram valores, já que, antes, se lhes alentou a formar turbas de rua que destroem tudo em sua passagem.
Do mesmo modo, a saúde pública encontra-se em estado de calamidade. Não há remédios, material nem equipamentos cirúrgicos... é tanta a demanda que pouco se pode fazer pelas longas filas de necessitados e doentes.
O mais demolidor de todas estas sombras que turvam o horizonte, é a atitude irresponsável e patética que a Klasse Polítika continua predicando. Esta não amadureceu em absoluto, nem aprendeu um milésimo com o passado recente no qual quase se enterra a República. Convocam as pessoas para escutá-la, quando a gritos expressaram suas carências. Para que falar tanto se os estômagos não podem continuar esperando? Para que estar em reuniões bizantinas, se o que se deseja é viver em paz e não morrer a cada dia?
Necessita-se de trabalho, educação, saúde, moradia, segurança para avançar e não para retroceder.
Não é com constituintes nem com documentos promulgados por indivíduos que acreditam ser semi-deuses, que se iluminará e resolverá o caminho. As palavras, os discursos, os grandes eventos são parte de um marketing que ficou como imagem congelada nos espelhos, pois não produziram os resultados esperados. Quem vai querer investir num país com a insegurança jurídica e física na qual se vive? Como operarão empresas que gerem riqueza, se nem sequer respeita-se a Constituição da República nem a divisão de poderes?
Já estão ficando até sem valores os que devem ser o reflexo ideal para as diversas gerações. Pratica-se de forma cínica a traição e a deslealdade. Corta-se com a guilhotina da infâmia a cabeça daqueles que nas horas boas e, sobretudo, nas más, foram nossos sinceros amigos. Estabelecem-se laços de amizade com outros que não nos deixaram nada, e que nem sequer sabem como se pronuncia o nome do nosso solo.
As esperanças das classes média e baixa já estão falidas. Não se vê a saída por nenhuma esquina. Tudo está contaminado a tal ponto, que a Klasse Polítika se imiscuiu em todos os ambientes públicos e privados, chegando inclusive a dobrar até os intelectuais e a academia, que se vêem intimidados pelas diretrizes da corrupção.
Esperanças falidas quando se comprova que cada vez mais se distancia a estrela que nos orientará para sair da pobreza, pois o gasto público aumentou, a burocracia cresce aceleradamente com a criação de secretarias de Estado decorativas e de escassa incidência no âmbito nacional. Ademais, as viagens burocráticas improdutivas com numerosas comitivas a nações estrangeiras, deixam que a imaginação comece a navegar.
Esperanças falidas ao descumprir com um povo que, com valentia, ante ameaças e intimidação, saiu um inseguro domingo de novembro de anos atrás, a exercer o sufrágio maciçamente para continuar vivendo em democracia.
Esperanças falidas quando os cidadãos honrados e íntegros contemplam estupefatos como se alenta e venera desde o poder público os delinqüentes de colarinho branco, os anarquistas e virulentos que encarnam a força bruta, e os vende-pátria de ontem e de hoje, ao oferecer-lhes todo tipo de honrarias, concessões e estímulos de protagonismo. Premia-se-os por haver tratado de destruir a nação!
Sentimo-nos sem rumo, sem bússola e respira-se, em geral, uma sensação estranha de certeza de que nos encaminhamos ao despenhadeiro, à agonia pátria, pois tudo indica que naquele governo hondurenho lacaio do imperador sul-americano, não se extirpou definitivamente o câncer que circulava pelas células da República.
As únicas duas esperanças que não estão falidas são a capacidade de resposta de uma sociedade que nestes momentos, inexplicavelmente, brilha desarticulada e temerosa. A outra é a fé em Deus, esse Deus que nunca nos abandonou e que sempre estará com Honduras até o fim dos tempos.
Nota da tradutora: Eis aqui um artigo magnífico de um cidadão de Honduras que poderia muito bem estar se referindo ao Brasil.
(Tadutora: Graça Salgueiro in Mídia sem Máscara)
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Apenas
"Enfrentar o crime com rigor e o criminoso com a força integral de uma lei penal compatível com a realidade do país, é exigência da ordem pública, com a qual não se brinca nem se transige impunemente. Em alarmante freqüência, bandidos perigosos são liberados para atividades externas ou tendo cumprido somente parte insignificante da pena. Quando soltos, matam, estupram, assaltam". (Percival Puggina)
sábado, 20 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
Sombra da vida
Há anos fiz do salmo 23 minha oração e louvor. Minha chegada e partida. Minha pergunta e resposta.
Hoje, enquanto estou terminando a leitura de uma Peça Exordial, e hoje, por ser um dia demasiado difícil para mim, substituo meu pedido de que Ele não me abandone enquanto ando pelo vale da sombra da morte para que Ele não me abandone enquanto ando por este vale da sombra da vida.
(Dáuvanny Costa)
(Dáuvanny Costa)
"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da vida, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam" (versículo 4 - alteração minha).
sábado, 30 de julho de 2011
Simplicidade
Não faço orações complexas: Hoje é para que redescubramos nossa humanidade. Todos.
(Dáuvanny Costa)
(Dáuvanny Costa)
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